dezembro 10, 2015

UM ADEUS POSITIVO A 2015



O ano de 2015 talvez tenha sido dos mais irônicos da minha vida.

Eu tomei a decisão de me separar depois de 11 anos de relacionamento, por sentir que estar sozinha junto era pior que estar sozinha de fato. Também quis me separar por ter a estranha noção de que, assim, salvaria a amizade, o respeito e até o amor que sentíamos um pelo outro. Até agora, parece ter sido tudo confirmado.

Eu tive um surto depressivo, rápido, porém, intenso, que me fez aceitar o fato de que eu queria morrer. Por mais horrível que seja essa sensação, aceitá-la me forçou a parar, a rever prioridades, a entender o que era que meu âmago – que, em verdade, nem queria mesmo morrer – queria que eu visse. Meu desejo de morte foi o impulso de vida mais forte que já senti.
Eu me arrisquei a diminuir minha carga horária e minha dedicação na área pública para investir em uma nova carreira na área privada, no andar cavalar de uma crise econômica. Mas foi assim que descobri uma atividade que gosto, foi assim que melhorei meu padrão de vida e foi assim que ajudei alguns amigos, que já sentiam o gostinho da tal crise, e que vieram contribuir comigo.



Com o novo trabalho e uma rotina insana, eu me virei como pude para estar com minhas filhas, valorizando cada momento. E também, para não estar com elas, numa época em que faltaram babás e secretárias de confiança, o que me fez recorrer a parentes e amigos. 

Algumas vezes, não vi minhas filhas por conta do trabalho. Outras, por conta de acreditar que, como indivíduo, mereço, sim, “sacrificá-las” para fazer ‘besteiras’, como ver amigas, sair pra dançar e beber vinho ou para ficar em casa, sozinha, respirando a quase inexistente solidão produtiva que se perde ao ter filhos.

Eu me reaproximei de relações familiares que, apesar de intensas, já eram tratadas por mim como diplomáticas, e quando finalmente passei da diplomacia para a sinceridade do “ser eu mesma”, fui acusada de estar diferente. E a causa? Sempre, como sempre, por uma suposta influência que os outros exercem sobre mim. Me dá raiva só de ouvir isso. Sempre foi um dos jeitos mais fáceis de me ofender. Mas isso me fez pensar sobre como, de fato, dou importância às opiniões de pessoas que gosto. Às vezes, até das que não gosto. Eu gosto de saber o que os outros sabem de mim. Feio, eu sei. Mas o pior foi descobrir que elas ADORAM o fato de eu querer saber o que elas querem para mim.

Aí, depois que ouço suas opiniões, e as carrego para o fundo do meu coração e da minha cabeça, decido se vou ou não cumpri-las. E quando eu decido que não, rapaz, é um surto. Quem meteu o bedelho e não foi obedecido, fica com raiva de mim, me joga coisas na cara, pois, um dos jeitos mais fáceis de me quebrar, até então, era me fazer sentir culpada. Culpa é algo eu já sentia 95% do tempo, ao longo da minha vida. Agora, quero que todo mundo se foda antes de mim e das minhas filhas. Sinto muito se achei o seu conselho uma merda. Agradeço, mas declino.

O problema com as orientações e os conselhos dos outros é que, toda vez que os segui cegamente, me vi sozinha, de uma forma ou de outra. Desamparada, de um lado, por não ter feito que eu queria. Desamparada, por outro, porque quem me orientou ou nunca ficou satisfeito ou acabou assistindo tudo cair por terra, sem nem cogitar assumir uma corresponsabilidade. A vida é sua. O problema é seu.  E estão certos, mas agora, antes de enfrentar o problema, eu só sigo orientação que eu acreditar que vale. Foi mal aê.

Crescer é uma merda. Sentir que só se está crescendo aos 36, puta merda, mais doloroso ainda. Me ver absorvendo lições que minhas filhas também estão absorvendo aos 6 e 5 anos pode ser humilhante. Acabo passando pra elas uma opinião de criança, da criança que eu fui e que não respondeu aos baques. Se minha filha me diz que sofreu bullying na escola, meu primeiro impulso é falar para ela socar a cara da guria. Depois respiro, e digo que ela pode se sentir segura para dar uma resposta, porque ela tem pessoas que a amam e sabem o tanto que ela é especial e que, por isso, ela nunca precisa ter medo. Mas que, se ela não quiser responder, tudo bem também, desde que não carregue a mágoa dentro dela. E se tudo falhar, a gente soca a cara da guria.

Enfim, depois de anos alimentando o péssimo hábito de reclamar, este ano eu diminuí drasticamente meus lamentos, mas já era tarde demais. Vi gente querida tentando me ‘salvar’ justamente na fase que mais me senti fortalecida. O excesso de trabalho e o fato de viver num país que não facilita a maternidade em nada são difíceis? Sem dúvida. Mas é justamente ser feliz e guerreira nesse contexto que me faz sentir forte e capaz de superar tudo que jogarem pra cima de mim.

 

Assim, agradeço a todas as amizades, a todos os elogios e palavras de conforto, pois teve gente que fez toda a diferença na minha vida. Mas também agradeço a quem, mesmo sem querer, me fez sentir mal, me fez questionar minhas escolhas nem que fosse com o intuito de defendê-las. Pois eu as defendo. Não existiria caminho diverso sem tirar desse cenário as minhas filhas, por exemplo. Não existiria um sucesso profissional sem o sacrifício de amizades e de experiências de vida que me fizeram justamente essa guerreira que sinto ser hoje. E apesar de fraquejar e chorar de cansaço direto, eu vejo 2015 como um ano de pura vitória. Parabéns pra mim. Finalmente, eu sinto que mereço. Valeu, 2015.

3 comentários:

Vanessa disse...

Que em 2016 você se torne. Literalmente, a mulher maravilha.
Bjo!!

Vanessa disse...

Que em 2016 você se torne. Literalmente, a mulher maravilha.
Bjo!!

Lulu Peters disse...

Hahahaha Deos me livre. Só quero ser feliz. :-)