fevereiro 28, 2013

Quando não temos mais nada a ver com nossas amigas

Dizer tchau é sempre chato. Pode ser menos ou mais chato a depender do contexto e da ocasião, mas ainda assim é chato.

Partir, quebrar, separar, todas essas ações invocam um sentimento negativo de perda. Até quando o tchau é progressivo e natural, ocasionado pela vida, pelas mudanças, pelas escolhas, ele é chato.

Ao perceber que mal tenho contato com aquelas que já foram minhas 'irmãs', minha família, meu refúgio e minha inspiração, vejo que as relações são mesmo muito frágeis. Nenhuma mágoa (ok, talvez algumas), nenhum adeus formal, nenhuma briga, só fomos cada uma para seu canto e nunca mais compartilhamos esse canto umas com as outras. Ou, pelo menos, comigo.

E ao ocasionalmente nos encontrarmos, damos cumprimentos diplomáticos, e até arriscamos uma tentativa de falar sobre coisas íntimas, tentando trazer de volta o sentimento de cumplicidade, mas falhamos solenemente, porque ele simplesmente não está mais lá. Se ver completamente diferente daquelas que um dia foram seu espelho, é triste, mas interessante.

Quem mudou primeiro? Quem mudou o quê? Será que realmente mudamos ou nunca fomos, de fato, tão semelhantes assim? O que sustenta amizades profundas? De onde vem essa oscilação das relações?

Enfim, o espaço não fica necessariamente vazio, foi preenchido por filhos, escolhas, diferenças e...novas amigas. Mesmo assim, é chato.