abril 14, 2011

O FIM NÃO É O PIOR

O texto com número recorde de comentários neste blog é o FIM DE NAMORO. Entretanto, tive o ímpeto de escrever sobre outra situação, que não aparenta, mas é infinitamente mais dolorosa e completamente desprovida de dignidade: a relação que nos torna lixo.


É possível perceber algo chocante nos comentários desse post. A maioria esmagadora daqueles que estão descrevendo a dor do término é composta de pessoas que já vinham sendo desprezadas, humilhadas, traídas e maltratadas pela pessoa que terminou. Gente, qual é o nosso problema???? Realmente preferimos estar amarrados emocionalmente a alguém que tem tão pouca consideração por nós? É tão melhor poder afirmar 'tenho alguém, mesmo que essa pessoa me faça sentir como ninguém 90% do tempo'? Será que ouvimos tanto o clichê do 'antes só que mal acompanhado' que nos forçamos a ficar acompanhados ainda que isso signifique estarmos sozinhos? Porque, sim, no relacionamento ruim, estamos sós. Se alguém não nos ouve, estamos sós, se alguém não pensa em nossos sentimentos antes de nos magoar, estamos sós, se alguém não se interessa em nos fazer feliz, sim, estamos sós.

Estamos realmente terminando namoros ou só ficando 'desacompanhados'? Que namoros são esses onde parceiros e parceiras pedem para continuar ficando quando já tendo novas relações, terminam por telefone, arrumam amantes, desaparecem por dias, negam apoio, e sei lá mais o quê?

Em que pese toda a dor e ressentimento e medo de ter desperdiçado, às vezes, anos de vida com alguém, temos que enxergar a dignidade de estarmos sozinhos, porém, do nosso próprio lado. Sozinhos, mas nos ouvindo, sozinhos, mas pensando em nossos sentimentos, sozinhos, tentando ser felizes. Isso é nobre, é digno de auto-estima. Ficar num namoro de merda, não é.


Portanto, podem continuar comentando no Fim de Namoro, mas lembrem-se, por favor, somos nós que nos deixamos ser tratados como lixo. Ninguém gosta de coitadinhos. De pessoas que 'apanham' e ainda continuam por perto, apostando na relação. De gente que se doa inteiro sem exigir nada de volta. De gente que ameaça se dar valor, mas volta atrás logo em seguida. É preciso entender que para tudo, há limite.