janeiro 14, 2011

O AMOR E A RAZÃO

Depois de finalmente perceber que não é saudável e, depois de uma certa idade, nem aceitável, me despedaçar em prantos quando o dito cujo me decepciona, me irrita ou me magoa, eu escolhi que, para 2011, minha grande resolução – porém não a única – será praticar a racionalidade.

Sim, parece fácil, afinal, em tese, o ser humano é por si só um ser racional. Quando se é mulher, entretanto, o peso da cultura do amor e das reações passionais acaba exercendo uma influência muito forte no nosso comportamento.

É um processo muito doloroso, aquele da decepção com o ser amado. E a cada vez que acontece algo nesse sentido, posso enxergar passo-a-passo como minha reação se desenvolverá. Primeiro, tentarei não me importar. Só que sentimentos não são tão facilmente controláveis e, depois de um tempo olhando para o relógio vendo as horas passarem, as sensações mais passionais e irracionais começam a me ganhar.

O choro, a promessa de que não passarei por isso novamente e a raiva tanto do outro como de mim mesma por me colocar nessa situação toda santa vez são os sintomas de uma dor muito profunda. A dor da paixão. Não, não estou falando da paixão pelo outro ou do amor, necessariamente. Estou falando da paixão feminina pelo drama, pelo desespero. Sim, algumas de nós cultivam reações quase infantis quando nos frustramos com nossas expectativas em relação ao outro.

Nesse contexto, comecei a pensar em como começar a cultivar a razão ao invés da paixão. A racionalidade de, primeiramente, assumir as consequências de minhas escolhas. É minha escolha permanecer nesta relação? É a primeira vez que esta decepção acontece? Estou realmente esperando que ela seja a última? E o que é a verdadeira causa da decepção – o que o outro faz ou minhas expectativas em relação ao que ele faz?

Eu conheço pessoas que dominam a arte da racionalidade. Mulheres que não demonstram nem um pingo do próprio desespero – na verdade, que sequer chegam a se sentirem dessa forma. Mulheres que conseguem selecionar suas batalhas e ponderar milimetricamente suas reações de forma a nunca fazerem de si próprias ‘panacas apaixonadas’, mesmo que amando seus respectivos.

Mas aí, penso em outras questões. Se o caminho para racionalidade tem a ver com o controle das próprias expectativas, em que ponto deixamos de esperar qualquer coisa do outro? E não esperar nada, absolutamente nada do outro, quer dizer que estamos numa relação saudável ou que mal estamos numa relação?

Como não esperar consideração, lealdade, respeito e, ainda assim, amar alguém? Amar quer dizer não se importar? Eu normalmente não tenho nenhum tipo de relação com aqueles de quem nada espero.

E aí, fica a pergunta que não quer calar, pelo menos para uma ‘mulher que ama demais’. Qual é o limite da razão dentro do amor antes que ele vire desapego?

5 comentários:

Roberta Artiolli disse...

Olá,

Sinceramente, nunca tinha entrado num blog com palavras tão bem colocadas e pensadas.
Sua linha de raciocínio é ótima, fazendo belo par com a desenvoltura com que a coloca aí.

Esse texto, em especial, me fez ver que meus devaneios tb passam por outras cabeças.

Parabéns, e não deixe o blog parado.

Beijos,

Roberta.

*Lulu Peters* disse...

Poxa, obrigada! Estou me esforçando para postar, pelo menos, de vez em quando!;-)

Anônimo disse...

Parabéns pelo Blog!
é a primeira vez que leio e me identifiquei muito com tudo que você escreveu. Parabéns mesmo!
beijos :*

*Lulu Peters* disse...

Obrigada!;-)

Anônimo disse...

Li outro dia na Danuza Leão uma citação de Pablo Neruda : 'Para que nada nos separe, que nada nos una.' Achei que tinha algo a ver com seu lindo texto.