outubro 02, 2011

PROFISSIONALMENTE PERDIDA E COLUNISTA SEMANAL

Na velha lenga-lenga sobre o que pretendo fazer da vida - além do trabalho nosso de cada dia, que serve para pagar as contas - uma amiga me deu um puxão de orelha: "se o que você gosta e quer fazer é escrever, pode começar a se comprometer com um assunto". E eu: "Mas eu gosto de escrever sobre várias coisas, relacionamentos, dia-a-dia, gastronomia, tipo uma coluna pessoal onde eu possa escrever o que quiser". E ela: "tá bom, mas o colunista tem que entregar um texto por semana. Então, aguardo suas colunas no meu e-mail toda sexta-feira, ok? Sem falta.".

Ok. Fui desafiada, vamos ver se eu dou conta!

setembro 14, 2011

NATAL DOS BONS MOTORISTAS

Querido Papai Noel,


para o Natal deste ano, eu quero de presente que todos os motoristas que acham que podem cortar todos os outros para pegar o retorno, atrapalhando o resto do mundo, provocando acidentes e desrespeitando aqueles que estavam paciente e legalmente esperando na fila, morram com machadadas na cabeça enquanto ouvem um funcionário do Detran recitando o Código Nacional de Trânsito ao som de Rebecca Black (aquela da música Friday). 

Apesar de que, a machadadas, eles devem ouvir só até o art. 3º.

DIPLOMACIA SUCKS.

Acabei de descobrir que as pessoas ao meu redor não são necessariamente boas ou educadas. São apenas mais falsas que as anteriores. #comofas

setembro 13, 2011

DESCOORDENADA


Já escrevi um texto sobre desastrados, quando me questionei se sofria de falta de coordenação ou se estava inconscientemente tentando me matar.

Dessa última vez, o risco não foi de morte.  Mas ficar presa no banco de trás do próprio carro, trancada pelas travas de segurança contra crianças, num calor de 33ºC; amarrada numa camisa branca que tentei vestir por cima da camiseta de baixo, para tentar retirar esta última, sem ficar pelada embaixo de um bloco residencial completamente povoado; e fazer tudo isso porque simplesmente sabia que se tivesse vestido o diacho da camisa branca logo pela manhã, antes do meu compromisso mais formal, ela estaria amassada e imunda,  é tão ridículo, mas tão ridículo, que ninguém precisou ter visto, e eu nem precisei 'perigar' morrer, para eu querer me enterrar no alfalto quente. Às vezes, a morte é alternativa mais honrosa. Da próxima vez, chego lá imunda e amassada, mas com a dignidade passadinha.

abril 14, 2011

O FIM NÃO É O PIOR

O texto com número recorde de comentários neste blog é o FIM DE NAMORO. Entretanto, tive o ímpeto de escrever sobre outra situação, que não aparenta, mas é infinitamente mais dolorosa e completamente desprovida de dignidade: a relação que nos torna lixo.


É possível perceber algo chocante nos comentários desse post. A maioria esmagadora daqueles que estão descrevendo a dor do término é composta de pessoas que já vinham sendo desprezadas, humilhadas, traídas e maltratadas pela pessoa que terminou. Gente, qual é o nosso problema???? Realmente preferimos estar amarrados emocionalmente a alguém que tem tão pouca consideração por nós? É tão melhor poder afirmar 'tenho alguém, mesmo que essa pessoa me faça sentir como ninguém 90% do tempo'? Será que ouvimos tanto o clichê do 'antes só que mal acompanhado' que nos forçamos a ficar acompanhados ainda que isso signifique estarmos sozinhos? Porque, sim, no relacionamento ruim, estamos sós. Se alguém não nos ouve, estamos sós, se alguém não pensa em nossos sentimentos antes de nos magoar, estamos sós, se alguém não se interessa em nos fazer feliz, sim, estamos sós.

Estamos realmente terminando namoros ou só ficando 'desacompanhados'? Que namoros são esses onde parceiros e parceiras pedem para continuar ficando quando já tendo novas relações, terminam por telefone, arrumam amantes, desaparecem por dias, negam apoio, e sei lá mais o quê?

Em que pese toda a dor e ressentimento e medo de ter desperdiçado, às vezes, anos de vida com alguém, temos que enxergar a dignidade de estarmos sozinhos, porém, do nosso próprio lado. Sozinhos, mas nos ouvindo, sozinhos, mas pensando em nossos sentimentos, sozinhos, tentando ser felizes. Isso é nobre, é digno de auto-estima. Ficar num namoro de merda, não é.


Portanto, podem continuar comentando no Fim de Namoro, mas lembrem-se, por favor, somos nós que nos deixamos ser tratados como lixo. Ninguém gosta de coitadinhos. De pessoas que 'apanham' e ainda continuam por perto, apostando na relação. De gente que se doa inteiro sem exigir nada de volta. De gente que ameaça se dar valor, mas volta atrás logo em seguida. É preciso entender que para tudo, há limite.

janeiro 22, 2011

SÍNDROME DE ARIEL

Depois de passar a infância ouvindo contos de fada, não é de surpreender que as mulheres vivam à base de expectativas românticas irreais. Mas esse mundinho do faz-de-conta esconde duas histórias preciosas. Uma é a história da Bela e a Fera. Se ninguém reparou nas nuances vanguardistas, lembro-lhes que Bela adorava ler, era inteligente, generosa. E não puxava saco da Fera só porque ele era rico. Não, ela deixou-se conhecê-lo de verdade, para encontrar seu lado bom, e vê-lo com outros olhos. Enfim, ela tem mais mérito que a Cinderela que simplesmente deixou a madastra e as meia-irmãs acabarem com sua dignidade, até que um príncipe meio viadinho saísse em seu resgate, após conhecê-la numa festinha para onde ela foi escondida.

A outra preciosidade do mundo infantil e cujos ensinamentos femininos foram massacrados pela Disney, é a história original da pequena sereia. Uma verdadeira lição para as mulheres. 

Para quem não sabe, a história da Pequena Sereia descreve a vidinha burguesa oceânica de Ariel, uma sereia, que depois de resgatar um príncipe de um navio naufragado, por ele se apaixona. Como não pode viver em terra, Ariel pensa em maneiras de sair do mar para encontrar o tal do príncipe, até que esbarra numa bruxa. A bruxa tem poderes para transformá-la em humana. Se depois de três dias, o príncipe não a beijar apaixonadamente, Ariel, na versão Disney, será uma erva daninha de propriedade da bruxa. Na versão do livro, mais direta e hard core, a sereia morre, e se torna espuma do mar.

Em ambos os casos, o preço pela transformação é perder sua invejável, afinada e entoante voz, abdicando não só de um precioso dom que recebeu, mas de toda sua capacidade de comunicação. Se contabilizarmos, a ideia é que, para correr atrás de um carinha que ela mal conheceu, mas cuja vida já salvou, Ariel precisa deixar para trás seus amigos, sua família, perder uma de suas mais estimadas qualidades e capacidade de expressar-se verbalmente.

Para a Disney, a transformação é algo super simples. O fato da mina ter tido uma cauda de peixe a vida inteira não fez diferença nenhuma na hora de andar sobre duas pernas. No livro, Ariel sofre horrores de dores no joelho, destacando-se assim mais um sacrifício que faz pelo príncipe. 

Na Disney, mesmo sem falar pourra nenhuma, apenas com a ajuda de uns amiguinhos marinhos, a sereia consegue fazer o príncipe se apaixonar por ela. Na versão original - muuuuuuuuito mais realista - o cara até fica intrigado com a garota que aparece do nada no castelo e é incapaz de pronunciar uma palavra. Mas, apesar de achá-la bonita, o príncipe não consegue se interessar nesse sentido, até porque um cara rico, bonito e com idade estimada entre vinte e tantos e trinta e poucos, obviamente, já estaria noivo de outra - o que a versão da Disney resolveu modificar.

No final das contas, a Ariel do desenho consegue o amor do príncipe a muito custo, e de maneira completamente irreal, já que para conquistá-lo ela largou tudo que fazia dela ela. No livro, a sereia MORRE, sim, MORRE. Sabem porque? Porque se você tem que abandonar tudo o que você é, tudo o que você ama e tudo o que você tem para ganhar a atenção de um cara, você deixa de ser você. Inclusive, deixa de ser interessante, pois toda a sua história vai embora com seu passado, com seus amados, com sua voz. E se você é só uma gatinha - só lamento - vai ter muita concorrência. ESSA era a lição que deveríamos ter ouvido e que pretendo contar para minhas filhas. Você pode se apaixonar, só não pode deixar que isso a faça espuma do mar.


janeiro 14, 2011

O AMOR E A RAZÃO

Depois de finalmente perceber que não é saudável e, depois de uma certa idade, nem aceitável, me despedaçar em prantos quando o dito cujo me decepciona, me irrita ou me magoa, eu escolhi que, para 2011, minha grande resolução – porém não a única – será praticar a racionalidade.

Sim, parece fácil, afinal, em tese, o ser humano é por si só um ser racional. Quando se é mulher, entretanto, o peso da cultura do amor e das reações passionais acaba exercendo uma influência muito forte no nosso comportamento.

É um processo muito doloroso, aquele da decepção com o ser amado. E a cada vez que acontece algo nesse sentido, posso enxergar passo-a-passo como minha reação se desenvolverá. Primeiro, tentarei não me importar. Só que sentimentos não são tão facilmente controláveis e, depois de um tempo olhando para o relógio vendo as horas passarem, as sensações mais passionais e irracionais começam a me ganhar.

O choro, a promessa de que não passarei por isso novamente e a raiva tanto do outro como de mim mesma por me colocar nessa situação toda santa vez são os sintomas de uma dor muito profunda. A dor da paixão. Não, não estou falando da paixão pelo outro ou do amor, necessariamente. Estou falando da paixão feminina pelo drama, pelo desespero. Sim, algumas de nós cultivam reações quase infantis quando nos frustramos com nossas expectativas em relação ao outro.

Nesse contexto, comecei a pensar em como começar a cultivar a razão ao invés da paixão. A racionalidade de, primeiramente, assumir as consequências de minhas escolhas. É minha escolha permanecer nesta relação? É a primeira vez que esta decepção acontece? Estou realmente esperando que ela seja a última? E o que é a verdadeira causa da decepção – o que o outro faz ou minhas expectativas em relação ao que ele faz?

Eu conheço pessoas que dominam a arte da racionalidade. Mulheres que não demonstram nem um pingo do próprio desespero – na verdade, que sequer chegam a se sentirem dessa forma. Mulheres que conseguem selecionar suas batalhas e ponderar milimetricamente suas reações de forma a nunca fazerem de si próprias ‘panacas apaixonadas’, mesmo que amando seus respectivos.

Mas aí, penso em outras questões. Se o caminho para racionalidade tem a ver com o controle das próprias expectativas, em que ponto deixamos de esperar qualquer coisa do outro? E não esperar nada, absolutamente nada do outro, quer dizer que estamos numa relação saudável ou que mal estamos numa relação?

Como não esperar consideração, lealdade, respeito e, ainda assim, amar alguém? Amar quer dizer não se importar? Eu normalmente não tenho nenhum tipo de relação com aqueles de quem nada espero.

E aí, fica a pergunta que não quer calar, pelo menos para uma ‘mulher que ama demais’. Qual é o limite da razão dentro do amor antes que ele vire desapego?