novembro 13, 2009

AS MENTIRAS DA MATERNIDADE

Pausa nos relacionamentos românticos. Sei que a maioria dos leitores está em outra fase de vida, mas eu preciso escrever sobre como as mulheres são enganadas em relação à maternidade. Para variar, nós somos levadas a carregar uma tonelada de culpa por não nos encaixarmos perfeitamente naquilo que nos dizem ser o comportamento NORMAL de uma mulher. Então, vamos lá:

1. nem toda mulher - mesmo que feliz pelo fato de ver o teste positivo - vai virar a encarnação da Mãe Natureza no segundo que souber que está grávida. elas não vão ficar loucas para usar aquelas batas largas e calça jeans com elástico na cintura, falar mansinho, e ficar imediatamente interessadas em cores pastéis. eu fiquei super feliz com minha gravidez. mas também fiquei puta porque não poderia beber nem fumar mais.

2. o amor de mãe, assim como todo e qualquer tipo de amor, começa com o encantamento, para, depois, através do convívio e da troca, se fortalecer e virar um amor profundo. quando o nenê nasce, ele não sabe quem você é, ele não olha na sua cara, ele não ri, não te chama de mamãe, enfim, não te dá nenhum feedback de que vocês se amam. além disso, ele não agradece por você estar com os peitos em carne viva e acordada durante noites a fio. assim, as mães que não sentem aquele amor materno forte, sentem-se como as criaturas mais sacanas do universo, quando, na verdade, deveriam estar se dando uma chance de conhecerem ao próprio filho. porque é isso que vocês, mães e filhos, terão que fazer: se conhecer à medida que se amam e se amarem na medida em que se conhecem.

3. as vontades da solterice maternal não desaparecem do dia para a noite. talvez não desapareçam nunca (ainda bem!). por isso, algumas vezes aquela criaturazinha vai te dar uma raivinha, porque será o motivo de você não poder encher a cara com as amigas, sair para dançar a noite toda ou fazer uma viagem rápida espontânea. essa raivinha é normal. não quer dizer que você seja má mãe, só quer dizer que a adaptação é difícil e leva um tempo.

4. mesmo os filhos planejados vão virar nossas cabeças e nossas vidas de cabeça para baixo! somos uma geração de mulheres ilimitadas, trabalhadoras, que podem farrear com menos medo de julgamento. podemos pagar nossas contas, sair sem dar satisfação a ninguém e, mesmo as casadas, têm liberdade para curtir a vida e preservar sua individualidade. bebês matam essa individualidade. ninguém mais te vê numa festa de família sem perguntar - antes mesmo de te dizer "oi" - "cadê o bebê?". quando você está com o bebê no carro e passa pelo shopping, não vai conseguir falar "ah, vou dar uma voltinha lá", sem pensar se está com o carrinho, se dá conta de tirar o carrinho sozinha, colocar o nenê, esperar o elevador (é, filha, escada rolante já era!) e se vai dar para passar entre as araras da Renner ou da C&A com aquele carrinho trambolhão. isso pira qualquer mulher. e lá vem a culpa. calma, se dê tempo de ficar chateada e triste. isso não é, necessariamente, depressão pós-parto, mas é sempre bom fazer terapia. e a maturidade vai fazer você aceitar isso um pouco mais e vai te dar estratégias para ter um tempo só para você.

Por enquanto, é só. Com certeza, vou complementar esse texto aos poucos. Inté.

foto:http://desmotivado.com/files/2009/02/maternidade.jpg