dezembro 03, 2009

A ARTE DA PAQUERA


Aí um conceito universal do mundo dos relacionamentos. Todo mundo sabe o que é paquerar e a importância dessa fase antes de qualquer ficada e, conseqüentemente, de qualquer namoro.

Apesar dessa universalidade de conceito, as características da paquera mudam muito de tribo para tribo. Peguemos as frases de abertura dos homens, por exemplo. Para um playboy, nada mais eficiente do que dizer “tenho uma Z4”, “meu pai é dono do Pão de Açúcar”, e “tenho meu próprio escritório de advocacia desde os meus 18 anos”. Para a galera natureba, a frase já teria que circular ao redor de “apóio o desenvolvimento sustentável”, “lasanha de tofu é meu prato favorito”, e “faço meus sapatos de hemp”. Para os emos, a paquera provavelmente começa com um “tentei me matar três vezes mês passado, porque meus pais não entendem minha dor de jamais conhecer o vocalista do Simple Plan”.

Do lado feminino, porém, a coisa tende a ser um pouco mais uniforme e generalizada, a começar pelo fato de que a paquera feminina é vista mais como gestual do que verbal. A bem da verdade, isso ocorre porque a maioria dos homens puxa o papo, mas logo está pensando em que sutiã ela está usando, ou se ela é daquelas que dá na primeira noite, então, eles acabam não notando os sinais da paquera na conversa em si, o que é uma pena.

Alguns sinais, hoje, são até batidos. Mão alisando o cabelo o tempo todo, “contato manual” excessivo, risos abundantes mesmo das piadas mais idiotas. Algumas chegam a forçar a barra e tentar uma cara modelete com a boca ficando um pouco mais pronunciada e os olhos um pouco mais cerrados. Aquela cara de capa da Elle ou de quem tá saindo de um lugar com muita fumaça de gelo seco.

Na parte verbal – ainda que ignorada pela maioria dos homens – vale muito prestar atenção se ela está apresentando ‘a melhor versão de si mesma’ ou ‘desencanada amorosamente’, para não dar a impressão de compromisso imediato: “Ah, eu não sou ciumenta, não”, “eu e meu ex terminamos super na boa”, “as pessoas não se permitem mais só conhecer as outras na noite, né? Tipos, sem compromisso, né?”.

Tá certo, não falei nada de novidade até agora. Mas aqui vem a bomba: rapazes, se liguem! A arte da paquera é muuuuuuito mais fácil do que vocês imaginam e sua insegurança normalmente é a única coisa que caga tudo. Isso porque, se a mina parou para ouvir a sua primeira frase, vão por mim, ela já gostou do que viu.

As mulheres têm a capacidade de fazerem uma seleção rápida, com base em uma complexa análise de detalhes – só no investimento posterior, já na fase de namoro, é que ela dedica seu tempo para valer. Isso porque as mulheres são muito de química, de empatia imediata. Se você chega perto e ela não tá afim, você vai sacar na hora, pois ou ela vira a cara mau humorada e irritada pela sua audácia. Ou então, se ela estiver sendo meramente diplomática, vai até te ouvir, mas vai ficar olhando ao redor, procurando algum conhecido, vai dar respostas sinceras demais ou resumidas demais (mulheres não são monossilábicas por natureza!) ou vai dar um jeito de te entediar com o silêncio dela até você vazar. Não leve para o lado pessoal. O gosto é dela. Parta logo para outra!

Dessa forma, aqui seguem as dicas da paquera masculina:

1 – Curta a noite antes. Não parta direto para a paquera. Faça reconhecimento de terreno, selecione umas duas ou três garotas para abordar depois, converse muito com seus amigos, gaste seu repertório de piadas imundas com eles, ria muito, aproveite sua noite como se você já tivesse uma namorada, e não como se estivesse caçando uma nova.

2 – Não apele na birita. Uma das razões principais para levar um ‘não’ precocemente é chegar sem perceber que falou “voxê zem zempre por aqüi?”, com aquele bafão sinistro na cara da mina que não está de chapinha e maquiagem para um bebum vir desperdiçar seu tempo. Uma bebidinha é bom para dar aquela “soltada”, mas passar da conta é pedir para levar um fora.

3 – Observe. Antes de partir para o ataque, tente “ler” seu alvo. Ela é mais tímida ou mais descolada? Fala alto? Fala muito? Está alegre? Está numa noite só de mulherada ou está disponível? Tudo isso é material para você criar uma abordagem mais natural, mais em sintonia com o perfil dela, pois as mulheres sentem de longe o cheiro de pólvora no cara que está “atirando para todo lado”. A observação prévia ajuda a garantir aquela sensação de que você quer conhecer ela. E não comer qualquer uma.

4 – Explore.seu.senso.de.humor. Mulheres ADORAM caras engraçados. Vocês não estão entendendo. Mulheres AMAM um cara que as faça rir. E para isso, não precisa decorar um repertório de piadas prontas. Seja sagaz, faça comentários sinceros, mas brincalhões, e pode soltar um pouquinho da sua maldade feminina falando mal da roupa de alguém no local. Sem exagerar. Ela tem que saber que você é espirituoso e não simplesmente maldoso.

5 – A dica mais simples é, ao mesmo tempo, a de mais complexa absorção. Esta é, realmente, a dica mais importante para um homem. Não apenas na paquera, mas em sua atitude na vida. Aqui vai: chegue chegando. Não, eu não disse “chegue agarrando”. Chegar chegando é uma questão sutil, de pura atitude. A mulher bonita pode ser muito intimidante para o “homem comum”, porém, sinceramente, ela pode ser linda, mas está no mesmo estabelecimento que você. Provavelmente com a mesma quantidade de amigas(os) que você. Com uma roupa proporcionalmente tão cara quanto a sua. Com escolaridade e classe social não muito distante das suas.

Então, vai chegar com cabeça baixa pra quê? Tá devendo alguma coisa para ela até esse momento? Passou uma venérea para alguma amiga dela? Então, CARA, chegue chegando, feliz, confiante, com cara de quem está na vida para conhecer alguém legal, mas sem desespero.

Ao contrário do que muitos pensam, nem precisa apelar para o ‘se você não me quiser, tem um monte de outras vadias para eu pegar’. Não, isso não é muito século XXI e é completamente desnecessário na hora de abordar. Tente apenas transmitir a sensação de ‘gostei de você, mas se você não gostar de mim, fique tranquila, não vou morrer por isso...nem um pouco’. Parece fácil, mas não é. Essa dicazinha demanda auto-estima, auto-confiança, assertividade e segurança na própria pele. E são essas as características mais desejáveis em um homem!! Saiba quem você é, antes de tentar saber quem é ela.

novembro 13, 2009

AS MENTIRAS DA MATERNIDADE

Pausa nos relacionamentos românticos. Sei que a maioria dos leitores está em outra fase de vida, mas eu preciso escrever sobre como as mulheres são enganadas em relação à maternidade. Para variar, nós somos levadas a carregar uma tonelada de culpa por não nos encaixarmos perfeitamente naquilo que nos dizem ser o comportamento NORMAL de uma mulher. Então, vamos lá:

1. nem toda mulher - mesmo que feliz pelo fato de ver o teste positivo - vai virar a encarnação da Mãe Natureza no segundo que souber que está grávida. elas não vão ficar loucas para usar aquelas batas largas e calça jeans com elástico na cintura, falar mansinho, e ficar imediatamente interessadas em cores pastéis. eu fiquei super feliz com minha gravidez. mas também fiquei puta porque não poderia beber nem fumar mais.

2. o amor de mãe, assim como todo e qualquer tipo de amor, começa com o encantamento, para, depois, através do convívio e da troca, se fortalecer e virar um amor profundo. quando o nenê nasce, ele não sabe quem você é, ele não olha na sua cara, ele não ri, não te chama de mamãe, enfim, não te dá nenhum feedback de que vocês se amam. além disso, ele não agradece por você estar com os peitos em carne viva e acordada durante noites a fio. assim, as mães que não sentem aquele amor materno forte, sentem-se como as criaturas mais sacanas do universo, quando, na verdade, deveriam estar se dando uma chance de conhecerem ao próprio filho. porque é isso que vocês, mães e filhos, terão que fazer: se conhecer à medida que se amam e se amarem na medida em que se conhecem.

3. as vontades da solterice maternal não desaparecem do dia para a noite. talvez não desapareçam nunca (ainda bem!). por isso, algumas vezes aquela criaturazinha vai te dar uma raivinha, porque será o motivo de você não poder encher a cara com as amigas, sair para dançar a noite toda ou fazer uma viagem rápida espontânea. essa raivinha é normal. não quer dizer que você seja má mãe, só quer dizer que a adaptação é difícil e leva um tempo.

4. mesmo os filhos planejados vão virar nossas cabeças e nossas vidas de cabeça para baixo! somos uma geração de mulheres ilimitadas, trabalhadoras, que podem farrear com menos medo de julgamento. podemos pagar nossas contas, sair sem dar satisfação a ninguém e, mesmo as casadas, têm liberdade para curtir a vida e preservar sua individualidade. bebês matam essa individualidade. ninguém mais te vê numa festa de família sem perguntar - antes mesmo de te dizer "oi" - "cadê o bebê?". quando você está com o bebê no carro e passa pelo shopping, não vai conseguir falar "ah, vou dar uma voltinha lá", sem pensar se está com o carrinho, se dá conta de tirar o carrinho sozinha, colocar o nenê, esperar o elevador (é, filha, escada rolante já era!) e se vai dar para passar entre as araras da Renner ou da C&A com aquele carrinho trambolhão. isso pira qualquer mulher. e lá vem a culpa. calma, se dê tempo de ficar chateada e triste. isso não é, necessariamente, depressão pós-parto, mas é sempre bom fazer terapia. e a maturidade vai fazer você aceitar isso um pouco mais e vai te dar estratégias para ter um tempo só para você.

Por enquanto, é só. Com certeza, vou complementar esse texto aos poucos. Inté.

foto:http://desmotivado.com/files/2009/02/maternidade.jpg

julho 22, 2009

VAMOS LARGAR A ARCA DE NOÉ

O post com maior número de comentários deste blog é o FIM DE NAMORO. Claro. Terminar dói, mata um pedaço da gente, faz a gente procurar por apoio, por companhia. Mas, recentemente, tenho me perguntado por que é que diabos nós – uma geração para quem o divórcio já é algo normal, para quem o casamento não pesa tanto, pelo menos, na condição de instituição – continuamos tão vidrados na vida a dois.

Não quero, com esse comentário, desprezar o casamento e os relacionamentos em geral. Claro que não. A conexão física e emocional com uma outra pessoa é uma delícia, nos faz sentir satisfeitos com a vida, completos...quando dá certo. Mas a verdade é que vejo por aí, casais e mais casais, e, principalmente, mulheres e mais mulheres, sofrendo, se martirizando por um relacionamento que simplesmente não dá mais certo. Lágrimas intermináveis por namoros que não as fazem mais feliz!

Vale a pena investir numa relação? Claro! Estamos na vida para apostar nossas fichas, seja numa profissão, seja num investimento, seja numa relação. Porém, temos sido negligentes com outro tipo de relação. A amizade.

Um (a) namorado(a) nos dá apoio. Ele ou ela pode até se esforçar para nos compreender. Mas sempre há limitações. Limitações que, muitas vezes, são mais facilmente transpostas na amizade. Porque com amigos, não temos o encargo da sedução, do mistério, dos limites. Os amigos são nossos espelhos mais verdadeiros. São eles que, normalmente, nos apóiam antes e depois de um relacionamento. São eles que catam do chão nossos caquinhos quando algo dá errado. São eles que compartilham nossas alegrias e tristezas, estejamos num relacionamento ou não.

Eu desejo a todos um namoro saudável, feliz, mas desejo ainda mais uma amizade verdadeira. Pois é a amizade que nos faz enxergar o próprio crescimento em meio à adversidade. É a amizade que nos dá a bronca no momento necessário.

Podemos todos investir na 'dupla', mas não esqueçamos dos amigos, nossos espelhos, nossas bases. Vamos sair da Arca de Noé e parar de achar que só seremos completos através de uma outra única pessoa. Vamos enxergar aqueles ao nosso redor, que nos completam sem reconhecimento, muitas vezes, sem mesmo consciência de sua importância.

Feliz dia do amigo (atrasado, foi segunda, dia 20/07) a todos esses meus 'pilares'. Vocês são minha força, meu porto seguro e não há nenhuma metade que me complete mais do que um décimo de vocês. Beijos.

foto:http://www.popa.com.br/humor/outras/arca_de_noe.gif

abril 03, 2009

CIRCUNSTÂNCIAS EXTERIORES


Quando um relacionamento vai de vento em popa, o casal tende a crer que está numa mágica bolha inabalável. Se nenhum dos dois está fazendo algo que supostamente traria instabilidade, é como se não houvesse razão para se preocupar.

Ocorre, porém, que o casal nunca está só. A relação a dois, na verdade, é uma relação de vários: ex-namorados (as), sogros e sogras, cunhados, amigos, passado, bagagem emocional, trabalho, enfim, há todo um mundo ao redor, e, às vezes, até dentro, de uma relação amorosa.

Quando a relação é 'oficial', como um casamento (morar junto conta como tal), as influências externas são ainda mais intensas. Não que em um namoro isso não aconteça. Conheço várias pessoas, eu mesma incluída, que ficaram arrasadas ao constatar que o término com o namorado significaria também o fim da relação com a família e com certos amigos. Mas é que com o casamento há uma fusão de quase todas as coisas: dinheiro, contas, dívidas, espaço, até roupas se misturam. Que dirá, então, a convivência familiar prolongada.

Até onde é possível agüentar, por exemplo, fofoca das amigas contra o marido ou namorado? Há casamento que suporte uma sogra sádica, realmente contraproducente? Se tem algo que eu aprendi é que família e amigos podem ajudar um casamento a durar. Parece que o reforço positivo e as boas intenções fazem com que o casal se sinta mais disposto a trabalhar pelo sucesso. Infelizmente, o contrário também pode acontecer, como descobri, recentemente, que família pode muito bem fazer um casamento acabar.

Primeiro porque, se o casal tem que assumir posições familiares opostas, fica difícil manter o companheirismo, pois, a cada vez que um ou outro for defender o seu lado familiar, a idéia que se passa é que a lealdade saiu do casal e foi para só para a família.

E como expressar lealdade a seu parceiro ou parceira se este ato por si só ofende sua família? Como escolher entre seu marido e sua mãe, ou entre sua esposa e seu irmão, por exemplo? Quando o conflito familiar bate no mundinho do casal, a instabilidade é inevitável. Para isso, só há uma solução para aliviar o problema (porque fazer sumir, nada faz!): conversa. Expressem o máximo possível o que está em suas cabeças. E nunca se esqueçam de se colocar no lugar do outro. Essa é uma regra de ouro para qualquer relacionamento a longo prazo.

Assim, quem sabe, o casal consegue manter sua essência um pouco mais intacta. Mas tomem muito cuidado: tem família que pesa mesmo, que usa da chantagem emocional para conseguir as coisas sem nem se importar se isso afetará o relacionamento daquele que está sendo pressionado. Por isso, olho aberto em cima daqueles que podem minar sua felicidade. Mesmo que eles sejam pessoas que te amam!

fevereiro 06, 2009

AVISO

Pessoal, como fui feita refém por uma criaturinha nascida há apenas dezoito dias, estou impossibilitada de observar e analisar os relacionamentos dos outros...e o meu, também!
Por isso, o blog deve ficar parado durante um tempinho, ok? Agradeço as visitas e os comentários desde já!
Abraços, Lulupeters.

janeiro 12, 2009

A SÍNDROME DO BONZINHO


Eu sei que já escrevi sobre a maldade que a maioria das mulheres faz com os bonzinhos. Sobre como vivemos exigindo disponibilidade, mas quando a temos, acabamos abusando do cara ou até maltratando-o.

Resolvi bater na mesma tecla de novo, porque, recentemente, tenho reparado que, de fato, as mulheres modernas, fortes e independentes têm valorizado cada vez mais os homens um pouco durões, indisponíveis e teimosos.

Não é o caso de querermos homens abusivos, conservadores ou 'tóxicos'. Mas acho que toda mulher que passa por um namorado que sempre concorda ou que sempre cumpre nossas ordens ou que sempre abaixa a orelha quando berramos, acaba querendo um cara que a desafie, que a surpreenda. E a melhor forma de surpreender uma mulher é não fazer o que ela estava esperando na hora em que ela estava esperando.

Este texto, porém, não vai explorar a perspectiva feminina do caso, mas tentar compreender e ajudar o outro lado: o dos meninos bonzinhos.

Um dos aspectos mais intrigantes do bonzinho contemporâneo é o fato de que ele não é necessariamente nerd, feio ou apático ao extremo. Pelo contrário, hoje, há vários gatíssimos, inteligentes e independentes rapazes que acabam entrando no padrão bonzinho-que-um-dia-é-largado. Por que isso acontece com eles? Simplesmente porque foram criados acreditando na importância da comunicação no relacionamento, na importância de valorizar a mulher e respeitar seus desejos. Eles se esforçam para sempre aceitar a vontade feminina e, mais, sempre acatar todos os seus pedidos, acreditando que, assim, estarão contribuindo para o relacionamento, e sendo homens verdadeiramente modernos e à vontade com uma postura mais feminista.

O que esqueceram de avisá-los é que os desejos femininos e sua vontade de comunicação nem sempre são coerentes ou mesmo válidos. Somos muito hormonais e emotivas para sempre termos um tema super relevante e equilibrado para discutir. Às vezes provocamos discussões no namoro só pra desabafar, para brigar, para despejar nossa TPM em alguém. E como o bonzinho se sente na obrigação cavalheira de se manter por perto nesse momento, ao invés de soltar um 'quando você tiver algo válido para falar, me liga', acabamos inundando o pobrezinho com comentários maldosos e nem sempre verdadeiros a respeito de nossos sentimentos, desejos e vontades dentro do relacionamento.

O erro do bonzinho é não saber quando parar de dar corda para a neurose feminina. Essa corda que a mulher vai pedindo é a mesma que ela usa para enforcar o namoro no final. Parece cruel, parece machismo, mas, vai por mim, tem muita, muita mulher que namora um bonzinho para se fortalecer até encontrar um cara que 'a ponha no seu lugar', através de menos disponibilidade, menos DR, menos corda para nossas paranóias, ciúmes, TPMs e hormônios.

O cara foda não precisa ser um crápula. Faço questão de frisar isso. Mas é que ele sabe ou pelo menos finge saber a hora de parar de atender aos pedidos femininos, pois estes podem ser intermináveis. Nós somos gulosas emocionais. Enquanto nos ouvirem, nós falaremos. Enquanto nos atenderem, nós exigiremos. Enquanto nos idolatrarem, nós vamos aproveitar a massagem no ego. O problema é que este estilo de relacionamento cansa a mulher depois de um tempo. E aí que o pobre do bonzinho, compreensivo, atencioso e excessivamente disponível e carinhoso, toma um pé na bunda.

Rapazes, vocês não serão menos cavalheiros se soltarem um 'não, não vou fazer isso por você, porque isso não é relevante para nosso relacionamento'. Vocês não serão machistas por tentarem afrouxar a coleira que se deixam colocar para provar sua fidelidade. A mulher não sabe valorizar o cara disponível demais, porque, infelizmente, somos treinadas a testar o amor de um homem o tempo todo, por conta dos eternos padrões sociais de 'todo homem é galinha', 'nunca confie num homem', 'só casa quem sabe botar freio no homem'.

Não é nossa culpa, mas também não é culpa dos bonzinhos. Uma mulher gosta de tomar um forinha de vez em quando. Principalmente aquelas que passam o dia inteiro mandando no trabalho, na empregada, nos filhos, enfim, comandando a própria vida com pulso de ferro e ensinando os outros o tempo todo. Sentimos uma necessidade de uma insegurançazinha aqui, outra ali (nada de exagero!), para nos mantermos motivadas e interessadas no relacionamento. Precisamos de um cara que diga 'eu vou fazer do meu jeito' ao invés de um que sempre acha que estamos certas.

Não há nada de errado em dispensar uma DR na época da TPM. Muito pelo contrário. Dependendo da TPM, isso é questão de bom senso ou até de sobrevivência. Pensem nisso!


foto:http://media.photobucket.com/image/nice%20guys%20finish%20last/xenocrates/Pics/NiceGuy.jpg

janeiro 06, 2009

O AMOR NÃO CORRESPONDIDO

Neste espaço estamos falando o tempo todo sobre relacionamentos e suas dificuldades. Já falamos sobre a busca de um relacionamento também, mas eu percebi hoje que há uma situação extremamente cruel pela qual normalmente passamos, pelo menos uma vez ao longo da vida: o amor não correspondido.

Eu entendo que o término de um namoro, sobre o qual já falamos bastante, é algo nessa linha, já que um quer continuar e o outro, não. Mas já pararam para pensar no que é aquele frio no estômago e aquele nervosismo de início de namoro ocorrerem apenas unilateralmente?
Você olha para a pessoa com aquela sensação avassaladora de que precisa abraçá-la, beijá-la, tocá-la, enquanto ela na verdade está te vendo como uma 'companhia muito legal', 'uma amiga maneira'?

A impossibilidade de se dar vazão a sentimentos tão fortes, intensos e românticos é algo que realmente dói. Talvez mais do que a dor do término, pois pelo menos nesse caso pode-se apegar à história, ao curso cumprido, mesmo que terminado por escolha alheia à você.

O amor unilateral, porém, não tem, muitas vezes, sequer a chance de extravasar, de existir no mundo real, através de uma reciprocidade física ou mesmo emocional. Aquele olhar carinhoso retribuído, aquela pegada na mão inesperada, mas recíproca. O amor-só fica se deparando com uma parede, na esperança de que o sentimento surja no outro, mesmo que com atraso. Na expectativa de que o outro perceba que esta amizade tem algo de mais intenso, mais romântico, algo que deveria ser explorado pelos dois, juntos.

Nossa, só de pensar no que é ter essa sensação de se ama completamente sozinho, já me parte o coração. Durante certo tempo pensei se é realmente normal ou saudável se sentir assim. Quero dizer, se o outro não dá a mínima para a gente, não é muito masoquismo ou falta de maturidade emocional continuar adorando essa pessoa?

Mas acho que não. Pelo menos, não sempre. Há amizades verdadeiras em que apenas um dos dois sente atração física, por exemplo. A pessoa que não ama de volta não é necessariamente má ou cruel com o sentimento alheio. Ela pode simples e genuinamente não se sentir da mesma forma.

Bom, meu apoio vai a todos que passam ou passaram por isso de forma intensa. E que 2009 traga apenas oportunidades amorosas correspondidas para vocês!

janeiro 04, 2009

SOLIDÃO

É engraçado notar como fazemos de tudo para não demonstrar certos sentimentos. Ciúme e inveja, por exemplo, são emoções que nos dão um pouco de vergonha. Então fazemos de tudo para disfarçá-los. Também nunca tive coragem de ligar para alguém num momento de solidão e dizer ‘estou solitária, podemos sair?’. A sensação é de que estaremos expondo uma fraqueza insuperável, sendo que, na verdade, todo mundo já se sentiu só na vida.

Não estou falando daqueles momentos em que estamos curtindo uma onda sozinhos. Adoro ir ao cinema sozinha à tarde, por exemplo. Ou chegar da rua cansada e curtir um momento largada no sofá na frente da tv, sem ninguém interferir.

Mas em alguns momentos da minha vida, já me senti solitária, de verdade. E isso nem quer dizer que estivesse sozinha. Muito pelo contrário. A solidão mais intensa é aquela que se sente no meio de uma multidão. Quando mesmo cercado de pessoas, nos sentimos desconectados do resto do mundo. Ninguém nos entende, ninguém nos ama, ninguém nos enxerga na solidão. Essa é a sensação que temos.

Esse sentimento também não tem hora para nos atingir. Podemos estar seguindo um curso tranqüilo de vida, até mesmo acompanhados, quando, de repente, sentimos que as companhias que nos cercam não nos preenchem, não nos entendem, não se conectam mais com a gente. É claro que não é responsabilidade de ninguém satisfazer nossas mudanças emocionais o tempo todo. Mas é exatamente por isso que cheguei à conclusão de que a solidão tem muito mais a ver com nosso estado de espírito do que com as ações do outros em relação a nós.

Parando para pensar, percebi que as vezes em que achei que ninguém me entendia, tiveram mais a ver com o fato de que minhas expectativas quanto à tolerância e o apoio do outro não foram atendidas, do que com a postura real da outra pessoa.

A solidão amorosa, por exemplo, tem muito mais a ver com a indisposição de se fazer concessões, de se abdicar de expectativas irreais e de ver os relacionamentos com menos idealização, do que, de fato, pela ausência de um parceiro no mundo.

Cara, num mundo de 7 bilhões – mesmo que você tire os feios e chatos – não é possível que não há ninguém para você. A solidão pode ser uma jaula na qual você mesma se coloca. Se o cara não é ‘perfeito’, você não dá bola. Mas não é só perfeição que vai ao cinema com você, segura na sua mão, e te abraça numa hora de chateação.

Essa é a grande sacada da solidão. Ela acontece quando nós não estamos abertos para lidar com o mundo de maneira madura, realista. Aí, ficamos em casa, isolados, idealizando um namoro, imaginando amizades perfeitas, colegas de trabalho perfeitos, famílias perfeitas. Por isso, tomem muito cuidado. A solidão pode virar, simplesmente, o mau hábito de não se aceitar as falhas do mundo em relação a suas expectativas.

Faça um esforço. Ligue para alguém e diga ‘preciso sair. Preciso de companhia e de conversar.’ Pode ser embaraçoso no primeiro momento, mas quem sabe a pessoa para quem você ligou também estava louca por uma parceria. Assuma sua parcela de culpa na sua própria solidão e bola pra frente.

“Pessoas precisam de pessoas, Steve. Não tem nada a ver com sexo. Bom, talvez 40 por cento. Hum, 60 por cento. Esquece, esquece.” Do filme ‘Vida de Solteiro’.


foto: http://2.bp.blogspot.com/_Gc4qs-xvnXA/SQ7wmI5tygI/AAAAAAAAATs/IUrAYPxaYDA/s400/solidao.jpg