dezembro 30, 2008

ROTINAS DIFERENTES

Ao longo da vida somos bombardeados com ‘verdades absolutas’ a respeito de relacionamentos. “O casal tem que ter afinidades”, “é preciso discutir a relação, sempre”, “comunicação e respeito é o que realmente interessam”, entre outras.

Quanto mais velhos ficamos, mais percebemos que as regras são mais flexíveis e os resultados, mais imprevisíveis do que imaginamos. Além do respeito, sexo e senso de humor são essenciais, por exemplo. Discutir relação o tempo todo é um saco e desgasta o ânimo dos dois. Enfim, nem tudo que nos falaram se aplica bem à realidade.

A questão do convívio, e seu equilíbrio, é uma que tem me intrigado bastante. Vejo casais que fazem tudo juntos. Vejo casais que não fazem nada juntos. E fico imaginando se o caminho do meio – sempre o mais aconselhável – é tão fácil de se atingir na prática, quanto parece na teoria.

No início do namoro, naquele auge de paixão, é muito difícil não viver grudado. É aquela vontade louca, uma necessidade quase fisiológica de se ver todo o santo dia, de ir junto a todos os lugares, de compartilhar todos os momentos. À medida que o relacionamento ‘amadurece’ e sai da fase da paixão louca para se tornar um amor consolidado, dá-se mais valor à separação parcial das rotinas.

Em namoros a longo prazo, é imprescindível ter tempo para as amigas, para o salão, para um cineminha sozinha ou para momentos com a família. A gente percebe com a idade que, não só não se morre por passar um tempo longe, como se beneficia pelo espairecer da mente, da saudade que se cria, da energia resultante de uma vida individual saudável.

Ocorre, porém, que alguns casais têm levado essa separação de rotinas ao extremo, como uma forma de continuar juntos apesar das diferenças. Ele vai pro show do rock, ela vai pra boite. Ele vive com os amigos, ela vive com as amigas. Ela vai pra festa de família....ele, não.

Será que estes casais descobriram a fonte do namoro longo e saudável? Ou será que o afastamento constante os impede de realmente enxergarem o que não querem: que só se dão bem porque não têm convívio suficiente para apontar os problemas e diferenças?

Uma coisa é certa: esses casais ainda são, a meu ver, mais saudáveis do que aqueles onde apenas um dos dois impõe a sua rotina ao outro. Só a família de um é visita, só com os amigos se convive, só os desejos de um são levados a sério.

Mas o esquema ‘cada um no seu canto’ ainda me assusta um pouco. Talvez seja falta de evolução social da minha parte, mas ainda acredito no compartilhamento dosado das rotinas. Afinal de contas, se não há convívio, não há uma prática de companheirismo. E se eu não tenho um companheiro de verdade, para que diabos vou me dar ao trabalho de namorar. Sim, porque relacionamento longo e saudável é um trabalho da porra!

Bom, acho que vou tentando acertar a dosagem ao longo dos anos. E espero que um dia alguém me diga se a separação dos interesses não resulta necessariamente na separação dos rumos, das camas, das vidas.