outubro 29, 2008

SE VIRA NOS TRINTA


Graças à minha querida mamis, acabei de reler o texto ‘A crise dos vinte e tantos’, três anos após tê-lo escrito. Foi engraçado ver que as mudanças da idade já começavam a bater à minha porta aos meros 26 anos de idade. Coisa de neurótica, sem dúvida. Uma crise que começa com quatro anos de antecedência, só pode ser coisa de mulher.
Agora que tenho, de fato, quase trinta (e por isso luto com unhas e dentes para dizer que não tenho 30 ainda), fiquei orgulhosa de ver que tudo o que ‘falei’ no texto é bastante pertinente até hoje. Algumas mudanças mais fortes chegaram até antes do esperado. A mudança no tipo de senso de humor, uma certa onda anti-social e, agora que serei mãe, uma necessidade inexplicável por organização, planejamento e segurança.
Não tenho a menor paciência para filas e multidões, nem sempre acho graça em certas pessoas e certos filmes, às vezes fico irritada com música ‘bate-estaca’, não tenho mais orgulho de freqüentar butecos ‘pé-sujo’ e não faço ‘melhooooores amigaaaaas’ bêbada em festinhas.
Os trinta anos, porém, são uma fase muito deliciosa para a mulher. É quando nos cansamos um pouco da infinita vaidade da juventude e começamos a aceitar, de verdade, que aquelas gordurinhas ou o excesso de quadril ou a falta de bunda ou qualquer outro ‘fracasso’ estético são, na verdade, parte de quem nós somos. Nos fazem ser quem somos e, aos trinta, damos muito valor a isso.
Aos trinta rola também uma consciência de que os planos nem sempre saem do jeitinho que você quer e isso nem sempre é ruim. Casei antes do que planejei, estou grávida antes do que planejei, passei por vários caminhos não planejados e sou bem feliz. Há uma aceitação mais pacífica de que aquilo que nós conseguimos na vida, seja no nível exato de sucesso que queríamos ou não, é mérito nosso de qualquer maneira. Uma faculdade, mesmo que hoje você saiba que outros cursos tinham mais a ver com você; um carro pago com o próprio suor, mesmo que seja um caranguinho guerreiro e velho; o primeiro, o segundo e o terceiro empregos, mesmo que eles tenham te dado pouco dinheiro e alguns chefes terríveis. Tudo isso é mérito individual. Todas essas etapas te levaram a ser a trintona feliz que você é hoje.
Aliás, até os namoros fracassados tornam-se medalhas de honra ao mérito, afinal, se sobrevivemos a tantos canalhas, choros e decepções, merecemos, no mínimo, um aperto de mãos de nós mesmas, não? E é engraçado como o tempo nos faz lembrar de ‘desgraças amorosas’ com certo senso de humor. Realmente, tudo passa até uva passa! E já pensou ter tido apenas uma única experiência perfeita e impecável? Cadê o aprendizado aí?
Enfim, nem sei por que decidi escrever sobre os trinta. Nem cheguei direito lá ainda, mas, confesso, que já me sinto uma balzaquiana em vários aspectos. Alguns, como a maturidade, estou adorando. Outros, como as ruguinhas, um certo cansaço e, antes de engravidar, a falta de resistência ao álcool, não gosto muito, não. Ainda assim, parabenizo a mim e as colegas balzacas, deixando um abraço a todas e rezando para que os quarenta sejam ainda mais legais.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ah que bom que agora vc me entende!

"A mudança no tipo de senso de humor, uma certa onda anti-social e, agora que serei mãe, uma necessidade inexplicável por organização, planejamento e segurança.

Não tenho a menor paciência para filas e multidões, nem sempre acho graça em certas pessoas e certos filmes, às vezes fico irritada com música ‘bate-estaca’, não tenho mais orgulho de freqüentar butecos ‘pé-sujo’ e não faço ‘melhooooores amigaaaaas’ bêbada em festinhas."

Muda tanto, né?
Achei perfeito!
Beijos,
Nina