outubro 23, 2008

PERGUNTE À DRA. D!

Querida Doutora D,

Anônima: Descobri que meu namorado me traiu com outra durante uma noite de farra com amigos. Ele já me implorou perdão, disse que foi algo único, uma ‘escorregada’. Eu ainda o amo e até queria perdoá-lo, mas não sei se meu orgulho agüentaria nem se a relação suportaria minhas desconfianças. O que devo fazer?

Dra. D: Algumas questões pessoais precisam ser vistas, como o tipo de relação em que vocês se propuseram. Ao que compreendi, trata-se de um relacionamento tradicional, correto? Sendo assim, vale algumas reflexões. Já imaginou como você se sentiria caso se comportasse, por ventura, da forma como ele se comportou? Será que isso significaria que você não o ama? De qualquer maneira, vale tentar compreender o que significa confiança em sua vida (e como isso tem se dado ao longo dos tempos). Já que você afirma o amar, pode ser interessante pensar e sentir quais outros fatores, além da confiança ou da “traição” são importantes ou, ainda, essenciais para um relacionamento com você. O que você considera extremamente importante para estar em um relacionamento? Não estou afirmando que não possa ser, mas será que confiança se reduz ao único fato de seu namorado ter ficado com uma outra pessoa? De que outra forma você pode confiar em seu namorado ou vice-versa? Outros princípios e qualidades podem pesar muito em um relacionamento, variando muito de pessoa a pessoa, como o companheirismo, a lealdade, o amor, a compreensão, entre muitos outros. Dê ênfase também aos seus sentimentos, não só as suas racionalizações. Sinta e avalie! O que não é saudável é passar por cima de seus limites, condições e principalmente, seus sentimentos!


Anônimo: Sou casado há 7 anos e já faz um tempo que comecei a fantasiar bastante sobre outras mulheres. Amo minha esposa, mas o sexo quando rola é frio, automático, muito de obrigação. Não queria trair ela, mas como continuar num casamento estando tão insatisfeito?

Dra.D: Você foi no “X” da questão! Como continuar num casamento estando tão insatisfeito? O que não significa, necessariamente, que você não possa vir a ficar satisfeito, não é mesmo? Como fica para você falar para sua esposa de sua insatisfação sexual com ela? Há formas e formas de se dizer as coisas. Talvez conversar cuidadosamente e de coração aberto possa ser um passo muito importante. Fantasiar o sexo com outras mulheres não precisa ser um problema, ao passo em que muitos casais usam essa fantasia a favor do casal. Mas quando se fantasia por uma questão de insatisfação em relação à parceira pode ser um sinal de problema. Se for possível, o melhor será uma boa e cuidadosa conversa. Afinal, os dois estão juntos e têm responsabilidades pela insatisfação sexual. A terapia de casais pode ser uma bela saída, caso você não dê conta de conversar com ela ou se a conversa não der certo. Isso, se ambos avaliarem que sentem amor um pelo outro e que decidiram pela continuidade do casamento.


A: Doutora D, tenho 35 anos e até hoje não consegui encontrar um parceiro! Estou ficando desesperada! Quero muito ter uma família e filhos, mas só encontrei homens dispostos a sexo casual e mesmo aqueles que namorei ‘sério’, acabaram me decepcionando. O que há de errado comigo? Ainda tenho chance de ter uma família?

Dra. D: Para nos decepcionar, basta estarmos vivendo. Bonito ou feio, a decepção é um risco de viver. Naturalmente, compreendo os efeitos da vida pós-moderna, como a intolerância em que as mulheres de nossa geração vivem por não “precisarem” mais dos homens, em função da independência financeira. Por outro lado, infelizmente, os homens muitas vezes ainda carregam um “quê” de machismo, entre outras coisas. Ou seja, a situação não é moleza! No entanto, muitos casais conseguem arranjar uma maneira de lidar com tudo isso e permanecem juntos e, o melhor, felizes! Portanto, é importante perceber o que vem acontecendo com você, seus relacionamentos e talvez, principalmente, com suas expectativas (já que tem se decepcionado tanto). Como será que anda sua percepção? Pois me chamou muito a atenção sua afirmação de que “não conseguiu encontrar um parceiro”, uma vez em que você mesma disse que já esteve envolvida em “namoros sérios”. Se você esteve em relacionamentos sérios ou mesmo casuais ou de menor duração, será que você não encontrou parceiros? Ou será que mais uma vez essa questão não está relacionada às expectativas que vem tendo para se frustrar ou se decepcionar tanto? Para tentar responder sua pergunta, vou citar uma frase de um quadro que tenho em meu consultório: “A vida tem a cor que a gente pinta”. Isso significa que somos responsáveis pelas escolhas que tomamos ao longo de nossa vida. Será que realmente faz sentido o trecho da música de Zeca Pagodinho “deixa a vida me levar, vida leva eu”? Será que não somos nós quem levamos a vida?

A: Namoro sério há 3 anos e acabei de ficar noiva. Logo agora comecei a sentir uma atração irresistível e, pior, correspondida, por um colega de trabalho. Fico pensando que o casamento vai acabar com qualquer chance de conhecer e de me envolver com outros homens. Sinto que amo meu noivo, mas será que não estou pronta pra casar?

Resposta: Você namora há três anos e acabou de ficar noiva, segundo sua afirmação. No entanto, em nenhum momento você disse que sentia amor ou paixão. Por isso, talvez seja importante se perguntar para que (e não por que) você ficou noiva e vai se casar. O “por que” nos leva a explicações, racionalizações. O “para que” remete ao sentido. Vou lhe fazer uma pergunta aparentemente simples, mas que talvez você tenha dificuldades em respondê-la. Para que você está se casando com ele? E mais! O que está acontecendo para “sentir uma atração irresistível” por seu colega de trabalho? O que esse colega de trabalho te oferece? O que seu noivo te oferece? O que esse colega de trabalho não te oferece? O que seu noivo não te oferece? Quais são suas necessidades? Talvez essas perguntas possam te dar algumas respostas que possam esclarecer ou complicar (risos) sua pergunta inicial: “será que não estou pronta pra casar?”

Um comentário:

Anônimo disse...

Olha, essa terceira pessoa aí tá meio confusa, né filha? Ficar noiva sem saber o que quer não dá! Decida-se!