setembro 28, 2008

AVISO

Pessoal, vamos tentar fazer algo um pouco diferente aqui no blog.
Eu tenho uma grande amiga que, coincidentemente, é uma das psicólogas mais competentes do mercado. Por que não levarmos o nome 'terapia virtual' ao pé da letra e proporcionarmos um pouco de apoio psicológico profissional?
Assim, abriremos um espaço para quem quiser enviar perguntas sobre relacionamentos, questões emocionais, sexo, etc.
Lembramos que as perguntas mais interessantes e relevantes serão selecionadas e, posteriormente, expostas no blog, mas sem jamais revelar a identidade dos autores. Aliás, devido à casualidade e à exposição do sistema de blog, a identidade da profissional também permanecerá sob anonimidade para garantir o máximo de discrição.
Não serão levadas em consideração perguntas de mau gosto, que envolvam ofensas ou que não apresentem o propósito genuíno de um esclarecimento psicológico.
Assim sendo, os interessados podem escrever para doutorad@gmail.com com o assunto 'pergunta à Doutora D.'.
Abraços, Lulupeters.

setembro 02, 2008

DE PAPEL PASSADO

Um dos aspectos mais interessantes dos relacionamentos modernos, na minha opinião, é o fato de as pessoas ainda fazerem questão de se apegar a alguns rituais considerados, hoje, ‘conservadores’, apesar de todas as mudanças e quebras de tabus.

Por mais que seja independente, trabalhadora e cética, a mulher moderna, por exemplo, ainda adora receber um buquê de flores. E por que não deveria? É fofo, romântico e, dependendo do caso, pode ser um gesto bem surpreendente.

Jantares à luz de velas, flores, bombons, passeios de mãos dadas, aliança de compromisso, todos esses clichês que muitas vezes desprezamos verbalmente – especialmente quando estamos solteiras(os) – permeiam algumas das mentes femininas – e algumas mentes masculinas! – e ainda são parte importante dos relacionamentos contemporâneos.

O próprio ritual do casamento continua recebendo intensa atenção feminina, mesmo frente às estatísticas estarrecedoras de divórcios. Vestido branco, bolo de glacê e alianças douradas, por mais que sejam estilizados, customizados e modernizados, ainda são parte de toda e qualquer cerimônia que se preze.

Estando ‘juntada’ há quase cinco anos, eu posso afirmar: casamento não é para qualquer um. Muita gente não imagina o tanto de paciência, tolerância e abdicação que requer a rotina matrimonial. Assim, aquela idealização de um amor romântico e eterno vai pro saco quando você chega exausta(o) do trabalho e vê aquela pilha de louças sujas esperando por um de vocês dois.

Casamento requer virar o rosto para algumas situações, requer agüentar roncos, calcinhas penduradas no box, chulé, preguiça de transar, amigos chatos, familiares intrometidos, faxinas de fim de semana, discussões, resolução de conflitos e muito mais.

Se o dia-a-dia do casamento é feito de tantas tarefas práticas e emocionais tão árduas, eu pergunto: que diferença faz o papel passado? As respostas mais comuns, normalmente, variam entre o fato de o casal – especialmente a mulher – querer fazer um festão e ser o centro das atenções por um dia e pronto, e o fato de as pessoas ainda sentirem que o papel passado garante mais segurança e estabilidade ao casal.

Sem querer menosprezar o desejo ou a perspectiva pessoal de ninguém, eu até entendo que você queira o festão pelo festão, mas, gente, convenhamos, essa história de que o homem só vai levar o relacionamento a sério se tiver uma aliança no dedo é meio furada, não?

O tanto de cara que tem em casa uma pilha de alianças de compromisso para distribuir pelo mundo, o tanto de marido que tira aliança para ir atrás de rabos de saia, de putas e até de travestis, a quantidade de mulheres que continuam inseguras e infelizes no casamento mesmo depois da festa, do vestido e da aliança, me fazem pensar que o papel passado deu foi um pouco de preguiça às pessoas. Preguiça de lutar diariamente pelo casal. E, gente, casamento é, na verdade, só isso: uma luta diária pela manutenção da parceria e do amor.
O papel e o bolo não vão tirar o desejo sexual do homem ou da mulher por outras pessoas. A vontade de não magoar o outro é que faz com que você tente apaziguar esse desejo e deixar que ele seja apenas uma idealização gostosa, por exemplo. O respeito, a lealdade, o amor não dependem do papel e do bolo.

Enfim, eu juro que não tenho nada contra quem queira casar de papel passado ou de véu e grinalda. Eu apenas peço que mantenham em mente que esses rituais marcam, meramente, o começo de todo o trabalho. E bota trabalho nisso, afinal, casamento não é para os fracos de coração. :)