maio 25, 2008

SÍNDROME DO STRESS PÓS-PAIXÃO

As pessoas que estão num relacionamento saudável e amoroso, muitas vezes se esquecem que, para chegar neste ponto mais estável, de amor e admiração e respeito mútuos, passaram por uma fase bastante intensa: a paixonite aguda.

É minha crença pessoal que não há que se falar em amor verdadeiro, sem se passar antes pela fase da paixão verdadeira. Na minha humilde opinião, são as sensações da paixão – mesmo que apenas em forma de lembranças – que dão força ao casal e ao seu amor.

O único problema é que nem sempre a paixão do início consegue, posteriormente, se traduzir naquele amor, menos romanticamente intenso, mas, mais forte e consolidado. O amor é uma fase muito mais difícil e prática do que a paixão. Por quê? Porque o amor se concretiza em atos reais do dia-a-dia, enquanto a paixão nos ilude – o que no início é muito bom! – de que o mundo é maravilhoso e ‘all you need is love’.

Pergunte para qualquer mãe de primeira viagem o que ela prefere: receber flores do amado ou que ele, sem pestanejar, se prontifique a cuidar do bebê de madrugada? Eu aposto todo meu dinheiro na segunda opção. Como eu sei disso? Apesar de não ser mãe, antes de casar eu adorava a idéia de bilhetinhos românticos, passeios e presentes. Hoje, lavou a louça ou varreu o chão, sem eu precisar pedir, merece todo o meu amor.

E por que a queda do estágio da paixão-que-não-vira-amor é tão dura e cruel? Eu vos digo: no auge da paixão nós enxergamos apenas o que há de bom no outro. Não há defeitos, não há cobranças ou exigências demais. Tudo se encaixa perfeitamente. Quando a paixão começa a virar amor, todos os defeitos já estão ali. Te irritando, te mostrando que vocês são diferentes. Mas, ainda assim, há algo naquela pessoa, que, com toda a raiva que às vezes ela posse te fazer passar, faz você sentir que é exatamente com ela que você quer acordar todos os dias.

Na queda da paixão, porém, o processo fica só nessa constatação brutal das diferenças, dos defeitos, de tudo o que dá errado. Sem nenhuma compensação verdadeira. Não há aquela sensação louca do amor de ‘caralho, às vezes, eu quero te bater, mas você é tão incrível, que eu te quero na minha vida, sempre’. Muito menos aquela sensação surreal da paixão de ‘caralho, nós somos perfeitos um para o outro, ficaremos juntos pra sempre, somos almas gêmeas’. Na pós-paixão, sem amor, temos ‘caralho, que diabos eu estava pensando?’.

Pode ser que a nossa insistência no ‘só vale se for para sempre’ seja o que mais nos prejudica. Talvez se ambos os envolvidos assumissem que curtiram, que foi bom enquanto durou, mas não deu para seguir em frente, a queda da paixão se resolvesse de forma mais branda, amigável....mas eu sei, isso é pura utopia.

Bom, para aqueles que ainda estão tentando, boa sorte. Para aqueles que conseguiram...bom trabalho!

3 comentários:

Vanny disse...

Ai ai, linda !!
Bom jeito de saber o q anda pela sua cabeça !!!
bjocas e saudades

vanny disse...

estou na fase do "oh-oh moment", sabe aquele em q a pessoa tem uma reação e vc pensa "oh-oh" !!!

Ana Coggi disse...

não sabia que vc tinha um blog!!!!
adorei seu texto!
eu to na fase "‘caralho, que diabos eu estava pensando?’.só que na milésima vez! aiaiaii, meu coração que adora um drama mexicano, afinal coração e razão não andam juntos, é pura utopia.. beijos linda! ´
(sinhá)