abril 16, 2008

O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ

Há muito tempo atrás escrevi sobre como a intermitência é o grande instrumento de manutenção do interesse feminino. Mulheres são mestras em reclamar de homens que ‘dão atenção demais’ ou ‘ligam demais’. Temos a tendência de taxá-los como carentes e mandarmo-los para a ilha dos ‘amiguinhos’.

Conheci uma moçoila super legal e inteligente, recentemente, que diz ser louca por um cara que vive de joguinho de intermitência. De fato, o cara que te dá atenção e, de repente, se torna indisponível, te deixa insegura. E a insegurança feminina é exatamente o que a faz pensar no cara o tempo todo.

Meu próprio dito cujo me disse uma vez que, quando queria ficar com uma menina muito bonita, dava um fora nela, a chamava de feia ou qualquer coisa do gênero. A revolta feminina sempre perde para sua curiosidade: ‘será que ele não me acha bonita mesmo?’, ‘será que ele só pega mulheres muito gatas?’, ‘ué, será que ele ficaria comigo?’. Pronto. Ficada garantida.

Apesar de enxergar que várias mulheres se enquadram nessa categoria das viciadas em drama, fico pensando se isso não é um tremendo sinal de imaturidade ou idiotice. Afinal de contas, se passamos tanto tempo desejando ter um cara ao nosso lado, por que valorizamos exatamente o ‘cara que não está lá’?

Era hora de parar com as especulações e iniciar minha pesquisa de campo: amigas, conhecidas e familiares. Foi engraçado ver como a primeira reação da mulherada foi de negação: ‘eu não suporto caras assim’, ‘detesto joguinhos’, ‘claro que não!’. De repente, era possível ver um balãozinho acima de suas cabeças reprisando homens emocionalmente indisponíveis que permearam seus passados. E então, elas diziam: ‘é, a gente meio que gosta de cara que deixa a gente ansiosa, né?’.

Com as conversas, porém, também foi possível constatar que, à medida que ficamos mais velhas, cansamos cada vez mais rápido do joguinho da intermitência. A mulherada que está chegando perto ou já passou, de muito, dos trinta, se mostrou menos dramática e valorizando mais o parceiro, o cúmplice, o cara que não tem medo de ‘estar lá’.

Quando achei que tinha formado minha opinião de que, de fato, o vício pela intermitência é diretamente proporcional à maturidade, vem um amigo – a única opinião masculina expressa de forma compreensível nessa pesquisa– e solta um grande, sonoro e despretensioso ‘vocês gostam de se convencer que não dão preferência para esses caras, né?.

Hum...será?

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