março 12, 2008

OLHAR NÃO TIRA PEDAÇO

Se tem uma coisa que eu fiz a vida inteirinha, foi pagar a língua. Sério, essa minha mania de ter uma opinião sobre tudo já me fez meter os pés pelas mãos toda vez que reparei que...bem, as coisas nem sempre são como nós pensamos que elas são. Tudo aquilo que temos como sagrado num dia, pode ir por água abaixo no outro.

Com certeza já falei um pouco sobre isso, em textos pré-históricos. Falei sobre como eu tinha várias opiniões sobre o casamento e vi todas elas irem pro espaço quando, de fato, casei. É engraçado como o conhecimento teórico é superado pelo conhecimento prático. Isso é verdade no mercado de trabalho, isso é verdade nos relacionamentos.

Divago. Então, eu lembrei esses dias de um bitch fit – um ‘piti’ de megera – que eu dei em plena pizzaria Dom Bosco (um buraco clássico de Brasília. Tosco, mas com a melhor pizza de um sabor só) porque aquele que era meu boy, à época, deu uma checada na traseira de uma fulana que passou. Como ele era um menino muito bonzinho, quietinho, religioso e fiel....fiquei mais puta ainda!! Onde já se viu, passar tempos de namoro sem olhar pro lado e agora dar uma de macho normal???!

A insegurança é a essência do ciúme, todo mundo sabe disso, e eu confesso: naquele momento eu me senti hor.ro.ro.sa! Fracassada! Ainda mais porque sou totalmente desprovida de atrativos traseiros! Sou incompetente em termos de bunda!!!Maldita genética!

Gente, eu tô com vontade de ligar pra ele agora e pedir desculpas, porque tudo isso que eu escrevi aí em cima e muito mais, foi falado para ele, durante.a.tarde.inteira. Eu fiz um inferno, repito, um inferno, o.dia.in.tei.ro. E por quê? Por conta de uma espiadinha numa bunda alheia!! Eu vou me perdoar por essa, porque, afinal de contas, era um bebê de 21 aninhos, mas, hello, maturidade, seja bem-vinda!

Tipos, se eu soubesse então o que sei hoje, teria agido de forma muito diferente. Não que eu aprove namorar um peão – com todo respeito às peças do xadrez – que só falta girar o pescoço estilo o Exorcista pra checar uma goshtosa que passou. Respeito é muito bom e eu adoro. Mas, venhamos e convenhamos, quando você namora há muitos anos, entrar na rotina do cabresto é muito fácil e se acomodar nela, mais fácil ainda. Você esquece que é possível brincar de olhar pros outros, de falar sobre a beleza deles, até de flertar de leve, sem ultrapassar o limite da fidelidade.

Do mesmo jeito que um tempinho só com os amigos se torna algo valioso e benéfico para a relação quando você está num casamento ou num ‘namoro sério’(eu sempre quis saber o que seria um namoro cômico), um tempinho para olhar para outros(as), comentar sobre a beleza alheia, rir da diversidade e da confusão dos próprios padrões de beleza, é totalmente relaxante. Isso faz você lembrar que um cara ou uma mulher bonitos são, simplesmente, um cara e uma mulher bonitos, e aquele ou aquela que você ama são especiais por milhares de outros motivos.
E, assim, quebramos aquela mania que temos de ficar idealizando a grama do vizinho. Olhe, comente, brinque com a grama do vizinho...você pode até perceber que tem um jardim te esperando em casa.