dezembro 30, 2008

ROTINAS DIFERENTES

Ao longo da vida somos bombardeados com ‘verdades absolutas’ a respeito de relacionamentos. “O casal tem que ter afinidades”, “é preciso discutir a relação, sempre”, “comunicação e respeito é o que realmente interessam”, entre outras.

Quanto mais velhos ficamos, mais percebemos que as regras são mais flexíveis e os resultados, mais imprevisíveis do que imaginamos. Além do respeito, sexo e senso de humor são essenciais, por exemplo. Discutir relação o tempo todo é um saco e desgasta o ânimo dos dois. Enfim, nem tudo que nos falaram se aplica bem à realidade.

A questão do convívio, e seu equilíbrio, é uma que tem me intrigado bastante. Vejo casais que fazem tudo juntos. Vejo casais que não fazem nada juntos. E fico imaginando se o caminho do meio – sempre o mais aconselhável – é tão fácil de se atingir na prática, quanto parece na teoria.

No início do namoro, naquele auge de paixão, é muito difícil não viver grudado. É aquela vontade louca, uma necessidade quase fisiológica de se ver todo o santo dia, de ir junto a todos os lugares, de compartilhar todos os momentos. À medida que o relacionamento ‘amadurece’ e sai da fase da paixão louca para se tornar um amor consolidado, dá-se mais valor à separação parcial das rotinas.

Em namoros a longo prazo, é imprescindível ter tempo para as amigas, para o salão, para um cineminha sozinha ou para momentos com a família. A gente percebe com a idade que, não só não se morre por passar um tempo longe, como se beneficia pelo espairecer da mente, da saudade que se cria, da energia resultante de uma vida individual saudável.

Ocorre, porém, que alguns casais têm levado essa separação de rotinas ao extremo, como uma forma de continuar juntos apesar das diferenças. Ele vai pro show do rock, ela vai pra boite. Ele vive com os amigos, ela vive com as amigas. Ela vai pra festa de família....ele, não.

Será que estes casais descobriram a fonte do namoro longo e saudável? Ou será que o afastamento constante os impede de realmente enxergarem o que não querem: que só se dão bem porque não têm convívio suficiente para apontar os problemas e diferenças?

Uma coisa é certa: esses casais ainda são, a meu ver, mais saudáveis do que aqueles onde apenas um dos dois impõe a sua rotina ao outro. Só a família de um é visita, só com os amigos se convive, só os desejos de um são levados a sério.

Mas o esquema ‘cada um no seu canto’ ainda me assusta um pouco. Talvez seja falta de evolução social da minha parte, mas ainda acredito no compartilhamento dosado das rotinas. Afinal de contas, se não há convívio, não há uma prática de companheirismo. E se eu não tenho um companheiro de verdade, para que diabos vou me dar ao trabalho de namorar. Sim, porque relacionamento longo e saudável é um trabalho da porra!

Bom, acho que vou tentando acertar a dosagem ao longo dos anos. E espero que um dia alguém me diga se a separação dos interesses não resulta necessariamente na separação dos rumos, das camas, das vidas.

outubro 29, 2008

SE VIRA NOS TRINTA


Graças à minha querida mamis, acabei de reler o texto ‘A crise dos vinte e tantos’, três anos após tê-lo escrito. Foi engraçado ver que as mudanças da idade já começavam a bater à minha porta aos meros 26 anos de idade. Coisa de neurótica, sem dúvida. Uma crise que começa com quatro anos de antecedência, só pode ser coisa de mulher.
Agora que tenho, de fato, quase trinta (e por isso luto com unhas e dentes para dizer que não tenho 30 ainda), fiquei orgulhosa de ver que tudo o que ‘falei’ no texto é bastante pertinente até hoje. Algumas mudanças mais fortes chegaram até antes do esperado. A mudança no tipo de senso de humor, uma certa onda anti-social e, agora que serei mãe, uma necessidade inexplicável por organização, planejamento e segurança.
Não tenho a menor paciência para filas e multidões, nem sempre acho graça em certas pessoas e certos filmes, às vezes fico irritada com música ‘bate-estaca’, não tenho mais orgulho de freqüentar butecos ‘pé-sujo’ e não faço ‘melhooooores amigaaaaas’ bêbada em festinhas.
Os trinta anos, porém, são uma fase muito deliciosa para a mulher. É quando nos cansamos um pouco da infinita vaidade da juventude e começamos a aceitar, de verdade, que aquelas gordurinhas ou o excesso de quadril ou a falta de bunda ou qualquer outro ‘fracasso’ estético são, na verdade, parte de quem nós somos. Nos fazem ser quem somos e, aos trinta, damos muito valor a isso.
Aos trinta rola também uma consciência de que os planos nem sempre saem do jeitinho que você quer e isso nem sempre é ruim. Casei antes do que planejei, estou grávida antes do que planejei, passei por vários caminhos não planejados e sou bem feliz. Há uma aceitação mais pacífica de que aquilo que nós conseguimos na vida, seja no nível exato de sucesso que queríamos ou não, é mérito nosso de qualquer maneira. Uma faculdade, mesmo que hoje você saiba que outros cursos tinham mais a ver com você; um carro pago com o próprio suor, mesmo que seja um caranguinho guerreiro e velho; o primeiro, o segundo e o terceiro empregos, mesmo que eles tenham te dado pouco dinheiro e alguns chefes terríveis. Tudo isso é mérito individual. Todas essas etapas te levaram a ser a trintona feliz que você é hoje.
Aliás, até os namoros fracassados tornam-se medalhas de honra ao mérito, afinal, se sobrevivemos a tantos canalhas, choros e decepções, merecemos, no mínimo, um aperto de mãos de nós mesmas, não? E é engraçado como o tempo nos faz lembrar de ‘desgraças amorosas’ com certo senso de humor. Realmente, tudo passa até uva passa! E já pensou ter tido apenas uma única experiência perfeita e impecável? Cadê o aprendizado aí?
Enfim, nem sei por que decidi escrever sobre os trinta. Nem cheguei direito lá ainda, mas, confesso, que já me sinto uma balzaquiana em vários aspectos. Alguns, como a maturidade, estou adorando. Outros, como as ruguinhas, um certo cansaço e, antes de engravidar, a falta de resistência ao álcool, não gosto muito, não. Ainda assim, parabenizo a mim e as colegas balzacas, deixando um abraço a todas e rezando para que os quarenta sejam ainda mais legais.

outubro 23, 2008

PERGUNTE À DRA. D!

Querida Doutora D,

Anônima: Descobri que meu namorado me traiu com outra durante uma noite de farra com amigos. Ele já me implorou perdão, disse que foi algo único, uma ‘escorregada’. Eu ainda o amo e até queria perdoá-lo, mas não sei se meu orgulho agüentaria nem se a relação suportaria minhas desconfianças. O que devo fazer?

Dra. D: Algumas questões pessoais precisam ser vistas, como o tipo de relação em que vocês se propuseram. Ao que compreendi, trata-se de um relacionamento tradicional, correto? Sendo assim, vale algumas reflexões. Já imaginou como você se sentiria caso se comportasse, por ventura, da forma como ele se comportou? Será que isso significaria que você não o ama? De qualquer maneira, vale tentar compreender o que significa confiança em sua vida (e como isso tem se dado ao longo dos tempos). Já que você afirma o amar, pode ser interessante pensar e sentir quais outros fatores, além da confiança ou da “traição” são importantes ou, ainda, essenciais para um relacionamento com você. O que você considera extremamente importante para estar em um relacionamento? Não estou afirmando que não possa ser, mas será que confiança se reduz ao único fato de seu namorado ter ficado com uma outra pessoa? De que outra forma você pode confiar em seu namorado ou vice-versa? Outros princípios e qualidades podem pesar muito em um relacionamento, variando muito de pessoa a pessoa, como o companheirismo, a lealdade, o amor, a compreensão, entre muitos outros. Dê ênfase também aos seus sentimentos, não só as suas racionalizações. Sinta e avalie! O que não é saudável é passar por cima de seus limites, condições e principalmente, seus sentimentos!


Anônimo: Sou casado há 7 anos e já faz um tempo que comecei a fantasiar bastante sobre outras mulheres. Amo minha esposa, mas o sexo quando rola é frio, automático, muito de obrigação. Não queria trair ela, mas como continuar num casamento estando tão insatisfeito?

Dra.D: Você foi no “X” da questão! Como continuar num casamento estando tão insatisfeito? O que não significa, necessariamente, que você não possa vir a ficar satisfeito, não é mesmo? Como fica para você falar para sua esposa de sua insatisfação sexual com ela? Há formas e formas de se dizer as coisas. Talvez conversar cuidadosamente e de coração aberto possa ser um passo muito importante. Fantasiar o sexo com outras mulheres não precisa ser um problema, ao passo em que muitos casais usam essa fantasia a favor do casal. Mas quando se fantasia por uma questão de insatisfação em relação à parceira pode ser um sinal de problema. Se for possível, o melhor será uma boa e cuidadosa conversa. Afinal, os dois estão juntos e têm responsabilidades pela insatisfação sexual. A terapia de casais pode ser uma bela saída, caso você não dê conta de conversar com ela ou se a conversa não der certo. Isso, se ambos avaliarem que sentem amor um pelo outro e que decidiram pela continuidade do casamento.


A: Doutora D, tenho 35 anos e até hoje não consegui encontrar um parceiro! Estou ficando desesperada! Quero muito ter uma família e filhos, mas só encontrei homens dispostos a sexo casual e mesmo aqueles que namorei ‘sério’, acabaram me decepcionando. O que há de errado comigo? Ainda tenho chance de ter uma família?

Dra. D: Para nos decepcionar, basta estarmos vivendo. Bonito ou feio, a decepção é um risco de viver. Naturalmente, compreendo os efeitos da vida pós-moderna, como a intolerância em que as mulheres de nossa geração vivem por não “precisarem” mais dos homens, em função da independência financeira. Por outro lado, infelizmente, os homens muitas vezes ainda carregam um “quê” de machismo, entre outras coisas. Ou seja, a situação não é moleza! No entanto, muitos casais conseguem arranjar uma maneira de lidar com tudo isso e permanecem juntos e, o melhor, felizes! Portanto, é importante perceber o que vem acontecendo com você, seus relacionamentos e talvez, principalmente, com suas expectativas (já que tem se decepcionado tanto). Como será que anda sua percepção? Pois me chamou muito a atenção sua afirmação de que “não conseguiu encontrar um parceiro”, uma vez em que você mesma disse que já esteve envolvida em “namoros sérios”. Se você esteve em relacionamentos sérios ou mesmo casuais ou de menor duração, será que você não encontrou parceiros? Ou será que mais uma vez essa questão não está relacionada às expectativas que vem tendo para se frustrar ou se decepcionar tanto? Para tentar responder sua pergunta, vou citar uma frase de um quadro que tenho em meu consultório: “A vida tem a cor que a gente pinta”. Isso significa que somos responsáveis pelas escolhas que tomamos ao longo de nossa vida. Será que realmente faz sentido o trecho da música de Zeca Pagodinho “deixa a vida me levar, vida leva eu”? Será que não somos nós quem levamos a vida?

A: Namoro sério há 3 anos e acabei de ficar noiva. Logo agora comecei a sentir uma atração irresistível e, pior, correspondida, por um colega de trabalho. Fico pensando que o casamento vai acabar com qualquer chance de conhecer e de me envolver com outros homens. Sinto que amo meu noivo, mas será que não estou pronta pra casar?

Resposta: Você namora há três anos e acabou de ficar noiva, segundo sua afirmação. No entanto, em nenhum momento você disse que sentia amor ou paixão. Por isso, talvez seja importante se perguntar para que (e não por que) você ficou noiva e vai se casar. O “por que” nos leva a explicações, racionalizações. O “para que” remete ao sentido. Vou lhe fazer uma pergunta aparentemente simples, mas que talvez você tenha dificuldades em respondê-la. Para que você está se casando com ele? E mais! O que está acontecendo para “sentir uma atração irresistível” por seu colega de trabalho? O que esse colega de trabalho te oferece? O que seu noivo te oferece? O que esse colega de trabalho não te oferece? O que seu noivo não te oferece? Quais são suas necessidades? Talvez essas perguntas possam te dar algumas respostas que possam esclarecer ou complicar (risos) sua pergunta inicial: “será que não estou pronta pra casar?”

outubro 21, 2008

AVISO

Pessoal, encerramos a primeira rodada de perguntas com a Doutora D.! Sucesso total!
Agradeço aos participantes e informo que as perguntas anônimas e as respostas da psicóloga serão postadas muito em breve.
Lembramos que, tendo em vista a superficialidade do contato entre o leitor e a doutora, as perguntas nunca serão respondidas de forma tão profunda quanto num consultório, mas, ainda assim, agradecemos a colaboração da profissional!!!
Abraços a todos, Lulupeters.

AMIGOS, AMIGOS, CASAMENTOS À PARTE.

Todo mundo sabe ou deveria saber que é essencial para os comprometidos ou casados de todo gênero manter seus vínculos de amizade. A fase da paixão louca, onde queremos estar única e exclusivamente com o outro, passa. Quando ela passa, é muito saudável, e benéfico para relação, sair sozinho(a) de vez em quando, desabafar com amigos, enfim, ter uma vida minimamente individualizada.

Ocorre, porém, em namoros bem longos e especialmente no casamento, onde o casal divide o mesmo espaço físico o tempo todo, que essa vida individual, às vezes, é difícil de ser mantida à distância. Assim, é muito comum o casal ter que conviver com os amigos de um e de outro.

As mulheres, muitas vezes criticadas pelo apego excessivo às amigas - especialmente quando fazem questão de ir ao banheiro juntas – têm, na minha opinião, um pouco mais de talento para separar sua panelinha do seu dito cujo. Até porque, estando longe, fica mais fácil reclamar de seus descontentamentos maritais, por exemplo.

Os homens, por sua vez, tiram uma certa onda de individualistas, mas são muito mais dependentes de suas amizades do que as mulheres. Eles podem até não ir ao banheiro, mas, eu digo e repito, eles adoram fazer todo o resto junto. É o futebol, o boteco, os filmes trash, e, se você der espaço, todo cantinho da vida masculina, com exceção do sexo – no caso dos heteros, of course – consegue ser preenchido pelos amigos.

E qual o problema? Tá, eu sei que vai soar o cúmulo da intolerância ou até como um ciúme infantil, mas o lance é que o homem é um ao lado da mulher e outro ao lado dos amigos. E eu vou ter que dizer e repetir, novamente, o cara que anda com os amigos não é o cara que eu mais gosto no mundo, não!

Papos intermináveis sobre a melhor placa de vídeo, futebol e até cocô não são meus temas de conversação favoritos. E olha que sou bastante comunicativa e eclética. Posso até rir da primeira referência cômica ao cocô. Mas a décima quinta já acho um porre.

Além disso, os homens não entendem que, em doses homeopáticas, a mulher em meio aos amigos, se sente incluída, querida, participativa. É um jeitinho de dizer ‘eu te amo tanto, que quero você na minha vida’. Em doses cavalares, porém, ela se sente um bródi, mais um na rodinha a discutir que o Romário é arrogante, mas faz gol, que o computador de fulano precisa de um upgrade urgentemente, e que é muito engraçado quando você caga e vai olhar na privada e o cocô não está mais lá.

Tente imaginar, agora, o contrário. Qual é o marido ou namorado que agüenta passar uma tarde inteira discutindo qual é o melhor rímel, aquele que engorda ou o que alonga os cílios; quem terminou com quem no mundo da fofoca; e que fulaninha tentou se matar porque seu dito cujo prometeu casamento e acabou lhe metendo um pé na bunda?*

Eu respondo: nenhum! Ou ele vai caçar uma televisão por perto ou, no máximo, vai estar lá, olhando pra você enquanto ouve o barulho das ondas do mar, completamente desconectado da conversa!

Por isso, eu acho que os amigos podem e devem, sim, se misturar. Alguns amigos do meu marido eu considero, hoje, amigos meus também. Entretanto, rapazes, tentem deixar a galeura para o dia da pelada, ou para a noite de buteco. Não leve a galera pra casa, nem metafórica nem literalmente.

Deixe a mulher se sentir sua gatinha em meio aos seus amigos, de vez em quando, e não mais uma da galera o tempo todo...

* não que mulheres só saibam falar de futilidades com essas, mas que esses assuntos rolam ao longo da conversa, rolam.

setembro 28, 2008

AVISO

Pessoal, vamos tentar fazer algo um pouco diferente aqui no blog.
Eu tenho uma grande amiga que, coincidentemente, é uma das psicólogas mais competentes do mercado. Por que não levarmos o nome 'terapia virtual' ao pé da letra e proporcionarmos um pouco de apoio psicológico profissional?
Assim, abriremos um espaço para quem quiser enviar perguntas sobre relacionamentos, questões emocionais, sexo, etc.
Lembramos que as perguntas mais interessantes e relevantes serão selecionadas e, posteriormente, expostas no blog, mas sem jamais revelar a identidade dos autores. Aliás, devido à casualidade e à exposição do sistema de blog, a identidade da profissional também permanecerá sob anonimidade para garantir o máximo de discrição.
Não serão levadas em consideração perguntas de mau gosto, que envolvam ofensas ou que não apresentem o propósito genuíno de um esclarecimento psicológico.
Assim sendo, os interessados podem escrever para doutorad@gmail.com com o assunto 'pergunta à Doutora D.'.
Abraços, Lulupeters.

setembro 02, 2008

DE PAPEL PASSADO

Um dos aspectos mais interessantes dos relacionamentos modernos, na minha opinião, é o fato de as pessoas ainda fazerem questão de se apegar a alguns rituais considerados, hoje, ‘conservadores’, apesar de todas as mudanças e quebras de tabus.

Por mais que seja independente, trabalhadora e cética, a mulher moderna, por exemplo, ainda adora receber um buquê de flores. E por que não deveria? É fofo, romântico e, dependendo do caso, pode ser um gesto bem surpreendente.

Jantares à luz de velas, flores, bombons, passeios de mãos dadas, aliança de compromisso, todos esses clichês que muitas vezes desprezamos verbalmente – especialmente quando estamos solteiras(os) – permeiam algumas das mentes femininas – e algumas mentes masculinas! – e ainda são parte importante dos relacionamentos contemporâneos.

O próprio ritual do casamento continua recebendo intensa atenção feminina, mesmo frente às estatísticas estarrecedoras de divórcios. Vestido branco, bolo de glacê e alianças douradas, por mais que sejam estilizados, customizados e modernizados, ainda são parte de toda e qualquer cerimônia que se preze.

Estando ‘juntada’ há quase cinco anos, eu posso afirmar: casamento não é para qualquer um. Muita gente não imagina o tanto de paciência, tolerância e abdicação que requer a rotina matrimonial. Assim, aquela idealização de um amor romântico e eterno vai pro saco quando você chega exausta(o) do trabalho e vê aquela pilha de louças sujas esperando por um de vocês dois.

Casamento requer virar o rosto para algumas situações, requer agüentar roncos, calcinhas penduradas no box, chulé, preguiça de transar, amigos chatos, familiares intrometidos, faxinas de fim de semana, discussões, resolução de conflitos e muito mais.

Se o dia-a-dia do casamento é feito de tantas tarefas práticas e emocionais tão árduas, eu pergunto: que diferença faz o papel passado? As respostas mais comuns, normalmente, variam entre o fato de o casal – especialmente a mulher – querer fazer um festão e ser o centro das atenções por um dia e pronto, e o fato de as pessoas ainda sentirem que o papel passado garante mais segurança e estabilidade ao casal.

Sem querer menosprezar o desejo ou a perspectiva pessoal de ninguém, eu até entendo que você queira o festão pelo festão, mas, gente, convenhamos, essa história de que o homem só vai levar o relacionamento a sério se tiver uma aliança no dedo é meio furada, não?

O tanto de cara que tem em casa uma pilha de alianças de compromisso para distribuir pelo mundo, o tanto de marido que tira aliança para ir atrás de rabos de saia, de putas e até de travestis, a quantidade de mulheres que continuam inseguras e infelizes no casamento mesmo depois da festa, do vestido e da aliança, me fazem pensar que o papel passado deu foi um pouco de preguiça às pessoas. Preguiça de lutar diariamente pelo casal. E, gente, casamento é, na verdade, só isso: uma luta diária pela manutenção da parceria e do amor.
O papel e o bolo não vão tirar o desejo sexual do homem ou da mulher por outras pessoas. A vontade de não magoar o outro é que faz com que você tente apaziguar esse desejo e deixar que ele seja apenas uma idealização gostosa, por exemplo. O respeito, a lealdade, o amor não dependem do papel e do bolo.

Enfim, eu juro que não tenho nada contra quem queira casar de papel passado ou de véu e grinalda. Eu apenas peço que mantenham em mente que esses rituais marcam, meramente, o começo de todo o trabalho. E bota trabalho nisso, afinal, casamento não é para os fracos de coração. :)

julho 27, 2008

EU QUERO SEXO! (Os sensíveis devem evitar)

Meninos sensíveis, conservadores e retrógrados, tapem os olhos. Eu vou contar, agora, um dos maiores segredos do mundo dos relacionamentos: MULHERES GOSTAM DE SEXO.

‘Dã’, você me diz? Sim, meu querido, mas não do jeito que você pensa. A mulher não gosta só de sexo extremamente emotivo, aquele amorzinho devagar e gostoso. A mulher moderna está cada vez mais à vontade com a idéia do sexo porque gosta e não porque ‘é parte essencial das relações amorosas’.

Calma, este não é um post feminista radical. Eu, inclusive, não concordo com o feminismo atual que, simplesmente, quer impor outras atitudes. Feminismo, para mim, é ser livre para fazer o que quiser e, assumir as conseqüências de suas escolhas. Enfim, não estou vendendo o sexo casual, a putaria ou a promiscuidade – necessariamente – a idéia que quero passar é que uma mulher pode até querer só transar se estiver apaixonada, ela pode não querer transar no primeiro encontro, ela pode até gostar de todos aqueles rituais de ‘rudeiam’ o sexo, como flores, mãozinhas dadas, conhecer os pais. Mas, principalmente a longo prazo, as mulheres adoram se sentir desejadas, tesudas e, com todo o perdão da expressão chula, bem comidas.

Nós queremos, sim, um cara legal, bondoso, generoso, que segure nossa mão no cinema. Mas queremos que esse cara, ao chegar em casa, e nos ver de camisolinha, fique empolgado na hora, nos dê uma cheirada no cangote, nos abrace por trás, beije nosso pescoço e mande ver!

Eu já vi mulheres, especialmente as casadas, com maridos legais, bonzinhos e tal, mas que começaram a enlouquecer por falta de um sexo bom. E eu garanto: assim como os homens ficam alterados, mal humorados e desequilibrados quando passam muito tempo sem sexo, mulheres também podem sofrer muito com as seqüelas da ausência de uma vida sexual legal. Insegurança no relacionamento, desequilíbrio hormonal e até depressão são sintomas que podem acompanhar a mulher que não recebe a devida atenção sexual por parte do parceiro.

Era só isso que eu queria dizer. Na verdade, queria dizer mais a eles. Entendam que a bibliotecária de óculos, a certinha de camisa social, as mulheres ‘corretas’ e até as ‘senhoras’ também podem ser ótimas de cama. Elas sentem tesão, desejo, vontade de transar. Elas podem se conhecer bem, gostarem de explorar novos caminhos e de terem orgasmos. E, claro, um carinho e um abraço no final, nunca faz mal a ninguém.

julho 15, 2008

SEXO NO PRIMEIRO ENCONTRO

Eita que esse novo milênio não se livrou de velhos tabus, né mermo? Descobri esse fim de semana, por exemplo, que sexo na primeira ficada continua sendo algo polêmico. Alguns são a favor, outros, contra, mas todo mundo tem algum tipo de insegurança com relação ao tema. Seja por se submeterem à pressão social ou por tentarem não se submeter a ela, homens e mulheres vivem cheios de dúvidas com relação a isso. Então, a pergunta de hoje é: DAR OU NÃO DAR (DE PRIMEIRA)? EIS A QUESTÃO!

Qualquer mulher da geração oitentista já sabe de cor e salteado as palavras da maldição do sexo no primeiro encontro: “aquela que ceder às tentações do sexo, logo no primeiro encontro, jamais será considerada “mulher para casar””.

Nossas avós conseguiram imprimir em nossos cérebros umas regrinhas bem antigas, e por mais que tenhamos quebrado tabus e padrões sociais, a confusão comportamental ainda nos aflige.

A coisa que mais vejo é insegurança mesmo: mulher que deu, porque tava louca para dar, mas depois se consumiu em vergonha, medo e ressaca moral. Ou, então, caras idiotas alegando que são modernos e tranqüilos, xingando mulheres de vagabunda e piranha simplesmente porque elas tomaram a estúpida decisão de irem para cama com eles logo na primeira saída. Mulher que soca a libido no fundo do baú para se segurar por, no mínimo, três encontros. Caras que ficam constrangidos de tentarem ir pra cama com a mulher de cara, porque acham que, assim, ela vai achar que eles não querem namorar. Enfim, categorias mil.

Tabus e confusões emocionais são uma combinação milenar, mas não se iludam: a força do tabu não deve ser menosprezada. Afinal de contas, a maioria – tanto de homens quanto de mulheres – sente o peso do padrão social e se (es)forçam a obedecer as regras. As mulheres fazem isso reprimindo seu desejo ou, em caso de cederem à tentação, se martirizando posteriormente, como se pedissem desculpas à sociedade. Os homens caem no padrão se impedindo de namorarem ou, pelo menos, conhecerem de verdade as mulheres que ‘pegaram fácil’ ou carregando a culpa de sentirem tesão por uma ‘boa moça’ e tentarem levá-la pra cama de primeira.

Tanto para homens quanto para as mulheres, o peso das regras traz conseqüências bastante negativas. E é aqui que deve entrar a força do novo milênio: ninguém deve fazer o que não quer e ninguém deve pedir desculpas por ter feito o que quis. A verdadeira regra é que não há regras. Se uma mulher se sente à vontade para dar no primeiro encontro, problema dela. Se outra, entretanto, prefere esperar, problema dela também. Temos é que parar de achar que o ‘Olho de Sauron, que tudo vê’ dessa nossa sociedade bagunçada está nos vigiando o tempo todo. Tudo bem, através da fofoca e da maldade, esse ‘Olho’, muitas vezes, até que funciona. Porém, precisamos lutar contra isso, e a melhor forma de fazê-lo é respeitando a própria vontade e enfrentando todas as conseqüências de nossas escolhas.

Assim, meninos e meninas, tentem se colocar na posição do outro. É desse jeito que entendemos que a grama do vizinho nem sempre é mais verde. E, lembrem-se, nada de julgar o coleguinha!

maio 25, 2008

SÍNDROME DO STRESS PÓS-PAIXÃO

As pessoas que estão num relacionamento saudável e amoroso, muitas vezes se esquecem que, para chegar neste ponto mais estável, de amor e admiração e respeito mútuos, passaram por uma fase bastante intensa: a paixonite aguda.

É minha crença pessoal que não há que se falar em amor verdadeiro, sem se passar antes pela fase da paixão verdadeira. Na minha humilde opinião, são as sensações da paixão – mesmo que apenas em forma de lembranças – que dão força ao casal e ao seu amor.

O único problema é que nem sempre a paixão do início consegue, posteriormente, se traduzir naquele amor, menos romanticamente intenso, mas, mais forte e consolidado. O amor é uma fase muito mais difícil e prática do que a paixão. Por quê? Porque o amor se concretiza em atos reais do dia-a-dia, enquanto a paixão nos ilude – o que no início é muito bom! – de que o mundo é maravilhoso e ‘all you need is love’.

Pergunte para qualquer mãe de primeira viagem o que ela prefere: receber flores do amado ou que ele, sem pestanejar, se prontifique a cuidar do bebê de madrugada? Eu aposto todo meu dinheiro na segunda opção. Como eu sei disso? Apesar de não ser mãe, antes de casar eu adorava a idéia de bilhetinhos românticos, passeios e presentes. Hoje, lavou a louça ou varreu o chão, sem eu precisar pedir, merece todo o meu amor.

E por que a queda do estágio da paixão-que-não-vira-amor é tão dura e cruel? Eu vos digo: no auge da paixão nós enxergamos apenas o que há de bom no outro. Não há defeitos, não há cobranças ou exigências demais. Tudo se encaixa perfeitamente. Quando a paixão começa a virar amor, todos os defeitos já estão ali. Te irritando, te mostrando que vocês são diferentes. Mas, ainda assim, há algo naquela pessoa, que, com toda a raiva que às vezes ela posse te fazer passar, faz você sentir que é exatamente com ela que você quer acordar todos os dias.

Na queda da paixão, porém, o processo fica só nessa constatação brutal das diferenças, dos defeitos, de tudo o que dá errado. Sem nenhuma compensação verdadeira. Não há aquela sensação louca do amor de ‘caralho, às vezes, eu quero te bater, mas você é tão incrível, que eu te quero na minha vida, sempre’. Muito menos aquela sensação surreal da paixão de ‘caralho, nós somos perfeitos um para o outro, ficaremos juntos pra sempre, somos almas gêmeas’. Na pós-paixão, sem amor, temos ‘caralho, que diabos eu estava pensando?’.

Pode ser que a nossa insistência no ‘só vale se for para sempre’ seja o que mais nos prejudica. Talvez se ambos os envolvidos assumissem que curtiram, que foi bom enquanto durou, mas não deu para seguir em frente, a queda da paixão se resolvesse de forma mais branda, amigável....mas eu sei, isso é pura utopia.

Bom, para aqueles que ainda estão tentando, boa sorte. Para aqueles que conseguiram...bom trabalho!

abril 16, 2008

O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ

Há muito tempo atrás escrevi sobre como a intermitência é o grande instrumento de manutenção do interesse feminino. Mulheres são mestras em reclamar de homens que ‘dão atenção demais’ ou ‘ligam demais’. Temos a tendência de taxá-los como carentes e mandarmo-los para a ilha dos ‘amiguinhos’.

Conheci uma moçoila super legal e inteligente, recentemente, que diz ser louca por um cara que vive de joguinho de intermitência. De fato, o cara que te dá atenção e, de repente, se torna indisponível, te deixa insegura. E a insegurança feminina é exatamente o que a faz pensar no cara o tempo todo.

Meu próprio dito cujo me disse uma vez que, quando queria ficar com uma menina muito bonita, dava um fora nela, a chamava de feia ou qualquer coisa do gênero. A revolta feminina sempre perde para sua curiosidade: ‘será que ele não me acha bonita mesmo?’, ‘será que ele só pega mulheres muito gatas?’, ‘ué, será que ele ficaria comigo?’. Pronto. Ficada garantida.

Apesar de enxergar que várias mulheres se enquadram nessa categoria das viciadas em drama, fico pensando se isso não é um tremendo sinal de imaturidade ou idiotice. Afinal de contas, se passamos tanto tempo desejando ter um cara ao nosso lado, por que valorizamos exatamente o ‘cara que não está lá’?

Era hora de parar com as especulações e iniciar minha pesquisa de campo: amigas, conhecidas e familiares. Foi engraçado ver como a primeira reação da mulherada foi de negação: ‘eu não suporto caras assim’, ‘detesto joguinhos’, ‘claro que não!’. De repente, era possível ver um balãozinho acima de suas cabeças reprisando homens emocionalmente indisponíveis que permearam seus passados. E então, elas diziam: ‘é, a gente meio que gosta de cara que deixa a gente ansiosa, né?’.

Com as conversas, porém, também foi possível constatar que, à medida que ficamos mais velhas, cansamos cada vez mais rápido do joguinho da intermitência. A mulherada que está chegando perto ou já passou, de muito, dos trinta, se mostrou menos dramática e valorizando mais o parceiro, o cúmplice, o cara que não tem medo de ‘estar lá’.

Quando achei que tinha formado minha opinião de que, de fato, o vício pela intermitência é diretamente proporcional à maturidade, vem um amigo – a única opinião masculina expressa de forma compreensível nessa pesquisa– e solta um grande, sonoro e despretensioso ‘vocês gostam de se convencer que não dão preferência para esses caras, né?.

Hum...será?

março 12, 2008

OLHAR NÃO TIRA PEDAÇO

Se tem uma coisa que eu fiz a vida inteirinha, foi pagar a língua. Sério, essa minha mania de ter uma opinião sobre tudo já me fez meter os pés pelas mãos toda vez que reparei que...bem, as coisas nem sempre são como nós pensamos que elas são. Tudo aquilo que temos como sagrado num dia, pode ir por água abaixo no outro.

Com certeza já falei um pouco sobre isso, em textos pré-históricos. Falei sobre como eu tinha várias opiniões sobre o casamento e vi todas elas irem pro espaço quando, de fato, casei. É engraçado como o conhecimento teórico é superado pelo conhecimento prático. Isso é verdade no mercado de trabalho, isso é verdade nos relacionamentos.

Divago. Então, eu lembrei esses dias de um bitch fit – um ‘piti’ de megera – que eu dei em plena pizzaria Dom Bosco (um buraco clássico de Brasília. Tosco, mas com a melhor pizza de um sabor só) porque aquele que era meu boy, à época, deu uma checada na traseira de uma fulana que passou. Como ele era um menino muito bonzinho, quietinho, religioso e fiel....fiquei mais puta ainda!! Onde já se viu, passar tempos de namoro sem olhar pro lado e agora dar uma de macho normal???!

A insegurança é a essência do ciúme, todo mundo sabe disso, e eu confesso: naquele momento eu me senti hor.ro.ro.sa! Fracassada! Ainda mais porque sou totalmente desprovida de atrativos traseiros! Sou incompetente em termos de bunda!!!Maldita genética!

Gente, eu tô com vontade de ligar pra ele agora e pedir desculpas, porque tudo isso que eu escrevi aí em cima e muito mais, foi falado para ele, durante.a.tarde.inteira. Eu fiz um inferno, repito, um inferno, o.dia.in.tei.ro. E por quê? Por conta de uma espiadinha numa bunda alheia!! Eu vou me perdoar por essa, porque, afinal de contas, era um bebê de 21 aninhos, mas, hello, maturidade, seja bem-vinda!

Tipos, se eu soubesse então o que sei hoje, teria agido de forma muito diferente. Não que eu aprove namorar um peão – com todo respeito às peças do xadrez – que só falta girar o pescoço estilo o Exorcista pra checar uma goshtosa que passou. Respeito é muito bom e eu adoro. Mas, venhamos e convenhamos, quando você namora há muitos anos, entrar na rotina do cabresto é muito fácil e se acomodar nela, mais fácil ainda. Você esquece que é possível brincar de olhar pros outros, de falar sobre a beleza deles, até de flertar de leve, sem ultrapassar o limite da fidelidade.

Do mesmo jeito que um tempinho só com os amigos se torna algo valioso e benéfico para a relação quando você está num casamento ou num ‘namoro sério’(eu sempre quis saber o que seria um namoro cômico), um tempinho para olhar para outros(as), comentar sobre a beleza alheia, rir da diversidade e da confusão dos próprios padrões de beleza, é totalmente relaxante. Isso faz você lembrar que um cara ou uma mulher bonitos são, simplesmente, um cara e uma mulher bonitos, e aquele ou aquela que você ama são especiais por milhares de outros motivos.
E, assim, quebramos aquela mania que temos de ficar idealizando a grama do vizinho. Olhe, comente, brinque com a grama do vizinho...você pode até perceber que tem um jardim te esperando em casa.

fevereiro 28, 2008

FAMÍLIA, FAMÍLIA...NAMORADOS À PARTE?

O desligamento emocional dos pais e/ou de figuras familiares é parte notória do processo de amadurecimento. É isso o que aprendemos com a terapia e é isso o que aprendemos com a vida. Entender que seus pais não são infalíveis é duro, mas essencial para o crescimento e para a independência emocional.

De fato, seria extremamente libertador se parássemos de nos importar com a opinião de nossos pais, mães, irmãos, avós ou de qualquer outra pessoa que exerça essa figura de amor e de autoridade em nossas vidas. Mas a verdade é que, mesmo quando adultos, ainda ficamos magoados com agulhadas ou críticas familiares, e ainda temos uma vontade, no fundinho, de mostrar a eles nosso sucesso.

O que acontece, portanto, quando essa figura familiar – representada por quem quer seja: mãe solteira, pai solteiro, avós, irmãos mais velhos ou mesmo o pacote completo – simplesmente não sai do pé do seu objeto de desejo? O que fazer quando seu príncipe chega à sua porta, mas sua família a bate na cara dele? (Vamos usar o termo ‘família’ de maneira bem ampla, a fim de representar qualquer figura que exerça esse papel na sua vida).

Considerando que somos todos seres sociais (até quando somos anti-sociais, estamos sendo apenas mais rigorosos na escolha de nossas companhias), nossos vínculos e círculos de relacionamento, criados ao longo da vida, acabam por exercer grande influência em nossas decisões. Dessa forma, quando suas amigas, por exemplo, não vão com a cara do seu namorado, o desconforto é inevitável. Nos sentimos divididas entre ouvir a opinião delas e a opinião de nossos corações (ô, clichê da porra). Assim, é mais do que comum ver amigas que dão uma ‘esfriada’ na amizade para que a outra possa namorar ou, em alguns casos, uma ‘vida dupla’ acaba se formando, à medida que a menina se organiza para poder dividir seu tempo entre o dito cujo e as amigas.

Se com as(os) amigas(os) essa situação já é complicada de se lidar, imagina quando é com a família, especialmente, se você ainda mora com ela.

“Não quero um estranho na minha casa”; “não quero que você passe a noite fora de casa com um estranho”; “ele desmarcou em cima da hora e você vai deixar por isso mesmo?”; “nossa, com esse salário dele, vou esperar sentada por este casamento”; “fulano (seu ex!) continua lindo e inteligente, né?”. Se você já ouviu alguma dessas frases ou algum comentário semelhante sabe que é uma facada no coração.

As reações, nessas horas, podem ser as mais variadas e, algumas, bastante radicais. Eu conheço um cara, por exemplo, que levou um namoro – sólido e ‘oficial’ – durante QUATRO ANOS, sem NUNCA se envolver com a família dela. As mães, os pais e os irmãos de cada uma das partes mal se viram durante os quatro anos em que indivíduos da sua prole estavam totalmente envolvidos. Esse fato é chocante só pra mim??? Acho que limitar a intervenção da família é essencial, mas separação total é exagero.

Para algumas pessoas, ocorre o extremo oposto: as famílias se envolvem tanto, mas tanto, que a relação deixa de ser monogâmica e passa a contar com cinco, oito, dez envolvidos! É tanta opinião, é tanta fofoca, que a relação inevitavelmente se desgasta. As brigas de irmãos, por exemplo, viram assunto do casal e, aí, pode saber, só dá merda, porque briga de família é muuuuuito diferente de briga de casal. Eu já briguei violentamente com meu irmão do meio, só pra cinco minutos depois estar assistindo filme junto com ele, numa boa.

Muitos dos amigos entrevistados admitiram que é muito difícil simplesmente dar de ombros aos comentários amargos da família contra um amor seu. Todos concordaram que, quando é uma situação de dependência financeira, então, o quadro piora, e muito, já que é possível sabotar fisicamente os encontros, através do corte da gasolina, do telefone, do dinheiro pro cineminha, etc.

Para a minha surpresa, porém, os românticos se sobressaíram, afirmando que, quando se ama de verdade, uma caminhada na rua, de graça, já é motivação suficiente para se ver. Outros afirmaram ainda que, se a pressão familiar é, de fato, incoerente e exagerada, o tiro pode sair pela culatra: ao invés de terminarem, o casal vai morar junto. Foi exatamente o que aconteceu comigo. Era tanta vontade de estar junto que dormíamos no carro, no frio, só pra ficar de mãos dadas! E apesar da impulsividade (fomos morar juntos um mês depois de termos nos conhecido), estamos junto há quatro anos. Então, acho que, quem ama, sabe o namorado e a família que tem.:-)

fevereiro 27, 2008

PENSAMENTOS INÚTEIS

Hoje me lembrei de uma das minhas palas disléxicas mais engraçadas. Num papo sexual pesado, onde os homens se sacaneavam falando sobre como o outro recebia “cabeçada no céu da boca” e “bolada no queixo” – obviamente fazendo uma alusão ao sexo oral – soltei um sonoro e imbecil “é, leva bolada na nuca também!”. Todo mundo riu, mas segundos depois foi possível enxergar um ponto de interrogação enoooorme voando por cima da galera. Ninguém falou nada. E eu morri de rir sozinha. Bolada na nuca? Que porra de posição sexual é essa? Felação de caixa craniana?

Falando em Dislexia, esse probleminha cognitivo – que antigamente chamavam de burrice – é algo que deve ser devidamente diagnosticado por um profissional. Como eu tenho uma opinião sobre tudo, porém, decidi que sofro de dislexia e acabou. Principalmente quando bebo muito álcool, olha só que coincidência. Foi por isso que uma vez na noitada, falei que estava com desejo de sanduíche de quejunto e preso. E na outra, disse que não agüentava mais a música do Bruno e Ramone. Tipos, sertanejo-punk?

Mas tem gente que me barra, siliganão?! Minhas preferidas:
“A vingança é um prato que se come cru” (acho que ela tinha muita pressa em se vingar...)
“Meu namorado me deixou com o pé atrás da orelha”(haja flexibilidade hein???)
“Ela não enxerga um pau diante do nariz” (não consegui comentar à altura).

janeiro 10, 2008

K-I-S-S-I-N-G

Ai, ai. Ano novo, vida nova, roupas novas, planos novos e um monte de novos problemas emocionais para analisarmos. Uhu!
Martelando meus neurônios, Tonico e Tinoco, e pensando em temas interessantes para apresentar para vocês, percebi que estava sempre procurando temas pesados, complexos, polêmicos. Percebi também que andava me concentrando muito em temas relacionados a pessoas que já estão num namoro ou num casamento, e pouco em temas relacionados à condição de solteira.

Assim, tentando inaugurar um ano mais divertido, mais leve, acabei me lembrando de uma fatídica noite de solteira – daquelas que deixam saudade quando você se casa ou namora – com minhas amigas lindas, regada à música, fofoca, risos e mucho álcool, of course.
Ao final da noite dançante, com a finalidade de repor energias e fazer um balanço da noite, fizemos aquela paradinha obrigatória numa dessas lanchonetes que te engordam só de você olhar pro letreiro; onde o lema é “maionese pouca é bobagem”; onde você pede Coca-Cola Light para se convencer de que vale a pena economizar 10 Kcl no refrigerante, enquanto se come um sanduíche de 1.523.698 Kcl! O tipo de lugar que se torna mandatório depois de uma balada violenta.
Enfim, sentadinhas, com a maquiagem derretidinha, a roupa amassadinha e a escovinha desmanchadinha, mas felizes, estávamos nós, comendo nossos sandubas nada magros, conversando sobre quem pegou quem, quem paquerou quem ou quem só ficou mal-humorada com a falta de opções. É engraçado como mulheres têm a capacidade de pular de um assunto para outro na velocidade de um supersônico. Por isso, não me perguntem como fomos parar no tema seguinte. O medo de todas as solteiras na expectativa, o destruidor de sonhos, o assassino do romance: O CARA QUE BEIJA MAL.
Até aquela noite, nunca havia eu reparado na quantidade de categorias de beijos existente em nossa sociedade. Foi fantástico perceber que algo que era para ser, de certa forma, padronizado em termos de qualidade, conseguia variar tanto de homem para homem.
As categorias encontradas foram:

1. O AGRESSIVO: muito comum durante a adolescência, – quando os rapazes ainda não possuem total compreensão de sua língua – o agressivo já foi, para mim, a decepção em pessoa. O cara era tão gatinho, jogava basquete, era engraçado e eu, ainda por cima, era uma gordinha insegura para caramba. Fomos ao cinema com nosso grupo de amigos em comum, sentamos lado-a-lado (os homens não têm idéia do que esse ritual significa para uma adolescente! Este processo requer nervos de aço!), encostamos o bracinho...e aí, aconteceu. O que eu achava que seria um beijo, terno e/ou passional, se transformou rapidamente numa tentativa de homicídio qualificado (art. 121, § 2º, do Código Penal, incisos III e IV: por asfixia e sem chance de defesa)! Minha língua perdeu toda sua auto-estima ali mesmo. O cara a ignorou por completo e foi direto para as amídalas! Parece exagero, eu sei, e, vindo de mim, poderia mesmo ser uma dramatização, mas é sério: uma língua matou meu sonho de ter um namorado naquele momento.

2. O VAZIO: essa categoria é interessantíssima, pois, se tem uma coisa que todo mundo sabe, ou deveria saber, sobre beijo, é que ele demanda uma certa movimentação por parte da língua. Por isso, eu pergunto, senhores: o que diabos se passa na cabeça de um homem que faz da boca uma ‘toca’ para esconder a coitada? E a parte mais engraçada dessa história é o olhar que nós fazemos quando beijamos. Um olhar de “não tá faltando alguma coisa, não?”, ou, simplesmente, “oxi! Cadê??!”. Eu também já fiquei com um cara dessa categoria e eu posso afirmar: é estranho você adentrar uma boca que não manda a hostess para dar as boas-vindas. Que boca anti-social é essa?

3. O QUE SE ACHA SEXY: há por aí, também, uns carinhas que interpretaram de forma literal demais, a noção geral de que o beijo é o primeiro passo para o sexo. De fato, o beijo é a primeira arma para deixar a mulher afim. Um beijo que preste, né, meu amigo? Assim sendo, esses rapazes deveriam parar de nos beijar como se estivessem freneticamente procurando nossos clitóris, na tentativa de associarmos aquele beijo às possibilidades na cama. Hello-oooooo? Ele não está aí, não! Tá lá embaixo, meu anjo! E enquanto a sua língua fica igual um esquilo fumado de crack dentro da minha boca, procurando algo que, simplesmente, não.está.aí, eu desisto mais e mais da idéia de ir para cama com você, ouquêi???

4. O PREGUIÇOSO: extremo oposto do tipo citado acima, o preguiçoso é aquele que também te faz pensar duas ou três vezes antes de ir para cama com ele. Afinal de contas, se o desgraçado não se dá ao trabalho de mexer a porra da língua durante um beijo, imagina o que ele NÃO vai fazer na cama por você? “Ah, sobe aí, se vira, a gente se vê amanhã, tá?”. Meu filho, a língua não é um mo.lus.co, é mús.cu.lo.

5. O GULOSO: esse é hilário também. Vocês já ficaram com um cara que, não satisfeito em beijar sua boca, beija – ou melhor, lambuza – seu queixo, sua bochecha, seu nariz? Sério, você sai da ficada como se Deus (ou uma outra figura muito grande e poderosa) tivesse dado um cuspidão na sua cara! Meninos, entendam: até os gatos que tomam banho se lambendo, fazem isso por conta própria, tá? Outra pessoa lambendo sua cara toda, quando tudo o que você queria era só um beijo: NOT SEXY!
E essas foram, ladies, as mais fortes categorias dos maus beijadores. Desejo a vocês uma vida livre desses tipos. Ou, então, se vocês forem altruístas e pacientes: ensinem-os a beijar direito!!!