dezembro 26, 2007

FESTA À FANTASIA

Os relacionamentos de longo prazo, inevitavelmente, esbarram em problemas relacionados diretamente ao desgaste causado pelo tempo: excesso de intimidade, comodismo estético (quase todo mundo dá uma engordadinha quando está feliz no namoro, né?) e, principalmente, diminuição do tesão. Este último é dos mais preocupantes para o casal. Não que seja anormal diminuir um pouco a freqüência sexual e muito menos que a libido vá embora por completo. É só que, naquele esquema de rotinão, com calcinhas penduradas no Box, xixi com porta aberta e cuecas com freadas, fica mais difícil manter o sexo como algo muito novo, selvagem e passional, como no início.

Hoje em dia, visto não ser mais tabu trabalhar em prol da vida sexual do casal, muitos procuram inovar a atuação na cama. Obviamente, a forma mais conhecida para se apimentar o sexo, e cada vez mais aceita pelo grande público, é a realização de fantasias. Casais e mais casais, todos os dias, procuram roupinhas de enfermeira, de empregada, de dominatrix e, depois do Tropa de Elite, o uniforme do Bope é garantido para agradar aquelas que querem um Capitão Nascimento na própria cama. É casa de swing pra lá, menáge à trois pra cá, tapinha na bunda, role play (quando o casal faz toda uma historinha, tipo fingindo que são estranhos, por exemplo), tudo para manter o sexo o mais interessante possível.
Pensando sobre o assunto e me imaginando caindo na gargalhada se meu marido me perguntasse ‘você vem sempre por aqui?’, comecei a imaginar até onde homens e mulheres estão dispostos a ir para realizar a fantasia do outro. Dica do blog: quando o papo no boteco esfriar, ponha este tema pra jogo. Nunca recebi tanta opinião ao mesmo tempo. Pelo visto, fantasia sexual é um tema que interessa e/ou atinge a todos, dos mais conservadores aos mais liberais.
As perspectivas foram bem variadas. Poucos arriscaram um “no sexo não há limites” e, ainda assim, tenho certeza que estavam se esquecendo de alguns tipos diferentes de fantasia. A maioria tentou encontrar um ponto de equilíbrio, mas foi possível delimitar dois pontos essenciais, com base nas opiniões ouvidas: 1)existe, sim, um limite para fantasia, e 2)quando estamos falando de fantasia sexual dentro de um relacionamento já consolidado, os limites são mais rigorosos ainda.
Aparentemente, quando se está solteiro(a), a sensação de que 'não se deve nada a ninguém' faz com que as pessoas se sintam mais confortáveis e seguras na hora de extrapolarem os próprios limites sexuais. Apenas as fantasias que a maioria considera, digamos, fora do padrão da normalidade e de higiene – como a escatologia, zoofilia e necrofilia literal (por increça que parível algumas pessoas acham legal se fingirem de morto(a) para ficarem à disposição sexual do parceiro) – ficaram veemente excluídas do rol de fantasias. Assim, a conclusão foi que, na condição de solteiro(a), o limite da fantasia é simplesmente o limite subjetivo do próprio conforto. Se te agride de alguma forma, não faça. Simples assim.

Na condição de 'casado(a)', porém, apesar da vantagem da intimidade existente entre o casal, a maioria dos meus 'entrevistados' afirmou categoricamente que, certas fantasias, ficam excluídas de imediato. Muitos disseram, por exemplo, que fantasias que envolvam uma terceira pessoa na cama, causam desconforto demais na relação. É tanto trabalho emocional depois, que nem vale a pena. Para as mulheres, o desconforto, normalmente, tem a ver com a idéia de que seu namorado ou marido tem tesão por outra. Qualquer beijo mais demorado pode disparar o gatilho feminino da insegurança e, conseqüentemente, da desconfiança. Aí, é briga na certa. Para os homens, a idéia de ter outro cara pegando sua mulher na sua cara e, ainda por cima, com chance de passar a mão na sua bunda de macho, é assustadora demais para ser colocada em prática.
Eu, particularmente, acredito que a idéia de uma terceira pessoa é bem complicada mesmo. Me conhecendo como me conheço, nunca iria conseguir superar um olhar mais passional ou um orgasmo mais intenso do meu dito cujo com a convidada. Sim, pode me chamar de possessiva, mas a maioria esmagadora das mulheres confessou ter o mesmo medo e sei de uma história verdadeira de um relacionamento que ficou abaladíssimo depois do menáge justamente porque a namorada não conseguiu superar o ciúme criado na hora H.
Surpreendentemente, a idéia do menáge com outro homem, trouxe o mesmíssimo medo para eles: “e se ela tiver um puta orgasmo na minha cara com o outro? Como vou lidar com isso?!”. Ou seja, a insegurança gerada pela presença de outra pessoa na cama, foi a maior causadora de terror e pânico.

Com essas perspectivas, ficou claro para mim que o relacionamento traz para o parceiro uma responsabilidade pelos sentimentos do outro. A mera proposta de uma fantasia que desagrade pode ser suficiente para criar uma 'pulguinha atrás da orelha feminina'. Dessa forma, além do limite do próprio conforto, aparece o limite do conforto do(a) parceiro(a). Assim, se te agride e – acréscimo - se agride o outro, não faça.
É óvi que as exceções são inúmeras. Muitos casais adoram a idéia de sexo grupal, menáge e de troca de parceiros. E os entrevistados, todos, afirmaram que não dá pra julgar a fantasia de ninguém. Só poderiam dar opinião a respeito das próprias fantasias e das próprias relações. Enfim, a conclusão que eu tirei foi que várias fantasias são muito saudáveis para o namoro. Reanima o sexo e pode muito bem fortalecer a relação, principalmente se o casal consegue manter um tom de brincadeira, de descoberta, de cumplicidade. Entretanto, é necessário lembrar sempre que, quanto mais radical a fantasia, maiores são as conseqüências para a relação. ‘Passarinho que come pedra, sabe o cú que tem’ (esse ditado é o máximo, né?). Assim, o resumão de vestibular é o seguinte: cada um faz o que agüenta – antes, durante e depois da fantasia. ;-)