outubro 16, 2007

O RETORNO

À medida que amadurecemos, descobrimos que, de bolinho açucarado, a vida não tem nada. Não bastassem as dificuldades profissionais e financeiras, ainda somos obrigados a lidar, diariamente, com crises existenciais, familiares e – o maior motivo da existência deste blog – amorosas.

Até hoje me espanto com o fato de a vida não dar tréguas. Ela não espera que você se recupere de uma crise antes de lidar com mais uma dificuldade. E é neste momento que apresento a vocês o tema deste texto. Se superar o fim de um namoro já é difícil, quão duro é enfrentar a recém adquirida solteirice?

Vida de solteiro II – o retorno. Está aí um título raramente desejado ou pensado para si. É claro que não estou falando da solteirice que segue um término há muito desejado. Aqueles que terminam o namoro porque realmente não amavam mais o outro e estavam loucos pra voltar à ativa, se adaptam mais rápido.

Mas quando o namoro termina porque simplesmente não deu certo ou porque fomos deixados pelo outro, a dor é mais intensa e maior é a resistência em aceitarmos que estamos, mais uma vez, depois de mais um fracasso amoroso, sós.

Surpreendentemente, através de minhas pesquisas com conhecidos e amigos, descobri que tanto homens quanto mulheres têm essa dificuldade. Para os dois gêneros é difícil, primeiramente, assumir a derrota. E realmente, engolir o orgulho e admitir que seu investimento amoroso foi por água abaixo é bastante constrangedor.

A segunda parte mais difícil é voltar a ter contato com amigos solteiros que ‘se perderam’ durante o seu relacionamento. A gente começa a enxergar a quantidade de rotinas individuais que foram abdicadas – voluntariamente ou a pedido – e quantas pessoas retiramos da nossa vida para podermos nos concentrar no relacionamento.

Apesar de a situação acima descrita parecer um namoro péssimo, que fez você abdicar de tantas coisas, é mais do que normal tentarmos ajustar nossos hábitos individuais aos hábitos do casal. Quando estamos apaixonados queremos incluir a pessoa em cada cantinho da nossa vida, e isto implica em abdicarmos dos cantinhos aonde ela não cabe. Mas é exatamente isso que torna tão triste o fim do namoro. Perde-se uma rotina e uma companhia com as quais, depois de tanto esforço, já estávamos tão acostumados (ou será acomodados?).

Quanto mais longo o relacionamento, mais aterrorizante é o retorno. Conheço gente que acredita até que desaprendeu a fazer sexo, pois, desde o término, não conseguiu se envolver com ninguém novo. E para muitas mulheres a idéia de apresentar o próprio corpo, com todos os defeitinhos que sempre enxergamos em nós mesmas e que levamos tanto tempo para expormos para o dito cujo, pode ser uma perspectiva de puro terror e pânico.

Outras mulheres acreditam que ficar, casualmente, com um carinha qualquer na noite não é difícil, mas se envolver emocionalmente novamente, se permitir gostar e confiar em alguém novo, é mais complicado. Aceitar que o próximo da fila pode ser alguém completamente diferente daquilo com o qual já estávamos acostumados faz muita gente desistir de se relacionar.

Para os homens, o ‘desaprendizado’ resultante do relacionamento pode ser até pior, já que eles carregam o fardo da ‘caça’. Eles têm que reaprender a conhecer mulheres novas, a seduzir, a paquerar, a chegar junto. Alguns utilizam técnicas de socialização para facilitar o trabalho. Ouvi de dois amigos que se inscrever num cursinho ou numa academia já é um ótimo começo. Não que eles vão, necessariamente, tentar catar as colegas, mas o ambiente já viabiliza conversinhas casuais e, quem sabe, até novos amigos guerreiros que te ajudarão a ‘voltar para o mercado dos solteiros’.

Essa ‘técnica’ eu aprovo completamente. Já vi uma amiga ‘soltar mais as rédeas’ e perder um pouco do medo de conhecer gente nova através da rotina diária de estudos com um colega de cursinho.

Enfim, cada um tem seu tempo e até suas técnicas para retornar, mas a verdade é que a primeira coisa a fazer é tirar da cabeça a idéia de fracasso, de derrota. O relacionamento acabou, sua vida, não. Esqueça a vergonha de ligar para aquele(a) amigo(a) com quem você perdeu o contato porque namorava. Se ele(a) for amigo(a) de verdade, você será desculpado e muito bem vindo. E lembre-se, sempre: um término é sempre pré-requisito para um novo início. :-)

3 comentários:

renata! disse...

Também acho que deixar de lado algumas saídas com os amigos não quer dizer que o namoro seja péssimo. (: afinal queremos estar sempre que possível ao lado do nosso namorado ou marido etc etc.
que legal que vc gosta daquela música do Natiruts. Acho que retrata bem o Brasil. Aliás vc é um mistério pra mim, me passa seu msn se vc tiver, ou me fala sobre vc, Lú ;)

Ps.: viu lá no blog o meu livro da Clarice Lispector? Lembrei de vc quando meu pai me deu. :)

Sofia Nunca Mais disse...

Gostei. Acho q vou entrar em um cursinho. Afinal nada do q faço na minha vida tem algum propósito profissional mesmo....

renata! disse...

te add no msn!
bom feriado, Lú!
:*