julho 19, 2007

A SÍNDROME DA MULHER-VAMPIRO


Todo mundo já foi meio vampiro na adolescência. Isso ninguém pode negar. Normal. Afinal de contas, nessa época estamos tentando descobrir do que gostamos, com a finalidade de descobrir quem somos. Dessa forma, esse processo implica que você seja de uma tribo diferente a cada semana. Essa fase é até divertida: o nerd vira metaleiro, a roqueirinha vira paty, o grunge vira indie, e por aí vai.

Inspirada por este processo tão comum durante a fase de crescimento, resolvi escrever sobre uma catiguria feminina mais comum do que imaginamos ser: a mulher-vampiro. Assim como o adolescente confuso, a mulher-vampiro sofre de uma síndrome de mutação pessoal. A cada namorado, seu vestuário, seu gosto musical e suas opiniões mudam. Muitas vezes, por completo.

É claro que a troca de informações num relacionamento é mais do que normal. Meu namorido mesmo me apresentou bandas que eu antes desconhecia e que, hoje, idolatro. Ele também já me deu de presente roupas que refletiam mais o gosto dele do que o meu, mas que acabaram caindo como uma luva e me conquistando. Do mesmo jeito, eu o apresentei para meu mundinho de vício em restaurantes maravilhosos (quando a grana dá) e o fiz aceitar (não consegui fazê-lo gostar, eu confesso) que uma pessoa inteligente e de bom gosto como eu pode, sim, amar música baranga dos anos 80.

A mulher-vampiro, no entanto, extrapola esse patamar da troca. Ela apresenta pouquíssimo de si, e toma para si o máximo do outro. Apesar de parecer divertido como na adolescência, a mulher-vampiro esconde uma faceta que torna o seu caso deveras triste: a ausência de auto-estima. É. Ela não está tentando se descobrir, mas, sim, se esconder do outro.

Lembra daquele início de namoro, quando você, ansiosa por já estar gostando do cara, acaba soltando – às vezes, inconscientemente – umas mentirinhas aqui e ali, para se sentir mais próxima à ele, para destacar o fato de que vocês têm muitas afinidades? Tipo, eu não era ciumenta e meu dito cujo gostava de Beatles. Então. Agora imagina aquela ansiedade desgastante e aquelas mentirinhas ao longo de toooooodo o relacionamento. Viu que cansativo? A mulher-vampiro vive exausta, tentando, de qualquer forma, se ajustar per-fei-ta-men-te ao seu objeto de desejo. Ela se anula, para poder absorver o universo do seu namorado, e acaba, inevitavelmente, se perdendo no meio do relacionamento, ao ponto de, muitas vezes, não saber mais porque está com aquele cara, pra começo de conversa.

Além da exaustão, a mulher-vampiro perde outra delícia do relacionamento: a chance de aprender a aceitar as diferenças, que, muitas vezes, são o que tornam o namoro interessante e motivador. Ela nunca dá ao seu objeto de desejo a chance de vê-la de verdade, por puro medo de que ele não vá gostar do que vê.

Uma pena mesmo. Eu, que já tive quase zero de auto-estima, escapei por pouco de ter me tornado uma mulher-vampiro. Por isso, eu alerto a mulherada: tenham orgulho de cada defeito, assim como das qualidades. São essas ‘falhas’ que fazem de você uma pessoa única e, eu garanto, são elas que fazem de você alguém apaixonável.

Um comentário:

Anônimo disse...

Very good! Loved this post. It's so true. I also felt the same as you and found out that it is so exhausting.
I think that in the long run, even if those lies helped the relationship at the beginning, they become useless and unbearable. You can not wear a mask forever, right?