julho 25, 2007

A SÍNDROME DA ATTENTION WHORE

As mulheres podem até não admitir, mas mesmo a mais segura e bela de nós precisa ouvir um elogio, um assovio ou um ‘gatinha’ de vez em quando. Massagem no ego, na medida certa, é claro, sempre levanta o astral. Eu digo na medida certa porque também é muito constrangedor ser comida com os olhos por um velho babão e ouvir um indiscreto e sacana ‘gooooshtosa’. Aí, deixa de ser massagem de ego e vira assédio sexual, né?

Anyway, neste vasto mundo feminino, repleto de catigurias interessantíssimas – como a mulher-vampiro abaixo descrita, por exemplo – há uma espécie clássica que sempre me intrigou: a attention whore. Eu não consegui achar um termo mais abrasileirado/aportuguesado, porque perde a sonoridade, mas é algo como ‘putinha por atenção’.

Se toda mulher precisa de um pouquinho de atenção masculina aleatória, de vez em quando, a attention whore precisa de toda a atenção masculina aleatória, o tempo todo.

Dos anos 80 até o início de 2000, a attention whore seguia um modelito básico e praticamente imutável: decotão, micro-mini e cabelão. Ela ria alto para atrair os olhares, rebolava indiscretamente e fazia ‘cara de sexo’ o tempo todo. Raramente conseguia manter as amizades femininas, a não ser que todas as amigas fossem da mesma catiguria. Nunca teve interesse que o cara fosse necessariamente bonito ou interessante. Ela não quer namorar com ele. Ela, muitas vezes, sequer quer ir pra cama com ele. Ela só quer que ele queira ir pra cama com ela. Pode ser o marido da amiga, pode ser o amigo de infância, pode ser, sei lá, o padeiro da esquina. Sentou no meio-fio e tocou o pezinho no chão, tá valendo pra attention whore.

Até aí, tudo bem, mas qual não foi a minha surpresa, ao reparar, esses dias atrás, que esta espécie tão fascinante e odiada sofreu uma mutação genética e acabou se transformando?

Sim, senhoras e senhores, a ‘new and improved’ attetion whore perambula em nossos meios de forma muito mais discreta, tornando difícil a sua identificação. Nada de decotão, nem micro. A new attention whore não é sequer vulgar ao primeiro contato. Bonita, ela é. E, como sempre, ela sabe muito bem disso. Tem uma carinha de sonsa, de lerda, quase de débil mesmo. Eu levei muito tempo para admitir isso, mas, aparentemente, homem adora mulher que se faz de burra. Esse jeitinho de alienada passa a impressão de que ela é capaz de ir pra cama com ele rapidinho, sem nem perceber o que está rolando.

É claro que nós, mulheres, sabemos que essa espécie tem controle sobre todas as suas atitudes. Aquela olhadinha ‘flerteira’, aquele biquinho, aquela carinha de ‘tô ficando bêbada e fácil!’ e a atitude de ‘sou sua melhor amiguinha’ na frente da namorada do cara não são nada acidentais. São armas de sedução usadas conscientemente pela attention whore, que não descansa enquanto não tiver os olhares de toda presença masculina num raio de, no mínimo, 2 metros.


Eu já tive muita raiva da attention whore. Já tive até invejinha desse jeito sensual dela. Eu jamais conseguiria transmitir esse olhar lânguido e mongol, que, de alguma forma, é muito sexy para os homens. Mas aprendi que, novamente, o que há no fundinho de toda attention whore é aquela velha insegurança. Querer uma afirmação da própria beleza de vez em quando é uma coisa. Precisar dessa afirmação a toda hora é outra completamente diferente. Assim, com a idade e maturidade dos meus quase trinta, descobri que a attention whore é, na verdade, uma pobre coitada sem auto-estima...

Mas não deixo uma dessas sozinha com meu marido nem por 2 segundos. Afinal, como já dizia sábia vovó: quem tem pena do miserável, fica no lugar dele. ;-)

julho 19, 2007

A SÍNDROME DA MULHER-VAMPIRO


Todo mundo já foi meio vampiro na adolescência. Isso ninguém pode negar. Normal. Afinal de contas, nessa época estamos tentando descobrir do que gostamos, com a finalidade de descobrir quem somos. Dessa forma, esse processo implica que você seja de uma tribo diferente a cada semana. Essa fase é até divertida: o nerd vira metaleiro, a roqueirinha vira paty, o grunge vira indie, e por aí vai.

Inspirada por este processo tão comum durante a fase de crescimento, resolvi escrever sobre uma catiguria feminina mais comum do que imaginamos ser: a mulher-vampiro. Assim como o adolescente confuso, a mulher-vampiro sofre de uma síndrome de mutação pessoal. A cada namorado, seu vestuário, seu gosto musical e suas opiniões mudam. Muitas vezes, por completo.

É claro que a troca de informações num relacionamento é mais do que normal. Meu namorido mesmo me apresentou bandas que eu antes desconhecia e que, hoje, idolatro. Ele também já me deu de presente roupas que refletiam mais o gosto dele do que o meu, mas que acabaram caindo como uma luva e me conquistando. Do mesmo jeito, eu o apresentei para meu mundinho de vício em restaurantes maravilhosos (quando a grana dá) e o fiz aceitar (não consegui fazê-lo gostar, eu confesso) que uma pessoa inteligente e de bom gosto como eu pode, sim, amar música baranga dos anos 80.

A mulher-vampiro, no entanto, extrapola esse patamar da troca. Ela apresenta pouquíssimo de si, e toma para si o máximo do outro. Apesar de parecer divertido como na adolescência, a mulher-vampiro esconde uma faceta que torna o seu caso deveras triste: a ausência de auto-estima. É. Ela não está tentando se descobrir, mas, sim, se esconder do outro.

Lembra daquele início de namoro, quando você, ansiosa por já estar gostando do cara, acaba soltando – às vezes, inconscientemente – umas mentirinhas aqui e ali, para se sentir mais próxima à ele, para destacar o fato de que vocês têm muitas afinidades? Tipo, eu não era ciumenta e meu dito cujo gostava de Beatles. Então. Agora imagina aquela ansiedade desgastante e aquelas mentirinhas ao longo de toooooodo o relacionamento. Viu que cansativo? A mulher-vampiro vive exausta, tentando, de qualquer forma, se ajustar per-fei-ta-men-te ao seu objeto de desejo. Ela se anula, para poder absorver o universo do seu namorado, e acaba, inevitavelmente, se perdendo no meio do relacionamento, ao ponto de, muitas vezes, não saber mais porque está com aquele cara, pra começo de conversa.

Além da exaustão, a mulher-vampiro perde outra delícia do relacionamento: a chance de aprender a aceitar as diferenças, que, muitas vezes, são o que tornam o namoro interessante e motivador. Ela nunca dá ao seu objeto de desejo a chance de vê-la de verdade, por puro medo de que ele não vá gostar do que vê.

Uma pena mesmo. Eu, que já tive quase zero de auto-estima, escapei por pouco de ter me tornado uma mulher-vampiro. Por isso, eu alerto a mulherada: tenham orgulho de cada defeito, assim como das qualidades. São essas ‘falhas’ que fazem de você uma pessoa única e, eu garanto, são elas que fazem de você alguém apaixonável.