junho 05, 2007

A MÁGICA DA SEPARAÇÃO

Eu acredito que mesmo quem já passou por términos intensos, dolorosos e complicados, ainda se impressione quando lembra do seguinte: a mesma pessoa que no momento do término você odeia com todas as forças, já foi o seu passional e exclusivo objeto de desejo.

Aliás, se vocês me perguntarem, eu acho que o aspecto mais triste do fim de um relacionamento é exatamente este, a morte de um sentimento belo, que existiu, mas se transformou em desprezo, indiferença ou até mesmo asco.

Sério, parece algo forte de se dizer, mas quem nunca, depois de certo tempo com alguém – sim, talvez não fosse a melhor pessoa para você – tomou um certo nojo, adquiriu um desprezo profundo pelo outro? É nessa hora que paramos e pensamos: foi por isso que eu chorei e lutei tanto? Sim. Foi.

Talvez seja mundialmente aceito o conceito de que pessoas maduras não terminam de forma descontrolada, descabelada, por assim dizer. É sempre feio quando um casal separado não consegue conviver no mesmo círculo. Mas, na vida real e individual de cada um, o término pode nos afetar de formas inimagináveis, gerando uma ferida que, talvez, quem sabe, não cure jamais. Só quem sente é que pode saber o quanto foi afetado.

Bom, perdi um pouco aí a linha do raciocínio, vou tentar retomá-la: quem nunca sentiu que ‘casou’ com uma pessoa e se separou de outra completamente diferente? É como uma caixa mágica aonde entra o amor da sua vida e sai um monstro que fez você perder seu tempo. Entra alguém que proclamava amor eterno por você e sai alguém que ‘nunca te valorizou’. Entra uma gata muito boa de cama e sai uma sogra infernal. É como se Houdini fosse o cupido.

Eu acredito que as pessoas podem mudar. Talvez nem mudem sua essência, mas hábitos do dia-a-dia, atitude práticas, esses mudam. Conheço histórias de casais jovens e porra-loucas que terminaram porque um deles virou um careta responsabilíssimo e criticava tudo que o outro fazia (incluindo coisas que, antes, faziam juntos). Nesses casos, podemos falar, de fato, em uma mudança de personalidade. Mas será que todos os casais que terminam mudaram mesmo de rumo? Ou será que o que muda não são os outros, mas nós? Nossos sentimentos por eles.

Sim, porque se eu paro para pensar nos meus relacionamentos que acabaram porque eu não me sentia valorizada, não era porque o cara tinha mudado. É porque chegou um ponto em que eu, finalmente, percebi que ele não dava a mínima ou, pelo menos, nunca me deu o que eu achava que merecia. Depois da cegueira da paixão, as coisas ficavam claras e quanto mais tempo passou, mais nitidamente eu enxerguei como a relação era de verdade.

É aí que vem a sensação de que há, não apenas duas, mas três pessoas no namoro: você, sua paixão e o canalha do final.

Não sei se essa é uma atitude errada. Não sei nem dizer se alguém sente isso também, talvez seja apenas eu. Mas o que eu sei é que só quem passou por ele sabe o que é um término feio. Às vezes ser diplomático só para agradar os outros, dói na alma. Às vezes é preciso descabelar-se para terminar. Mas, apesar de tudo, enxergar o outro não mais como sua paixão, mas como ele/ela realmente é, ajuda a curar as feridas. É a decepção que, muitas vezes, te ajuda a se preparar para mais um round e, quem sabe, encontrar alguém ‘melhor’.

junho 01, 2007

A SÍNDROME DO HOMEM DE GELO

Toda adolescente, ao iniciar sua ‘jornada romântica’ após o primeiro beijo, se depara com uma espécie muito peculiar do vasto universo masculino: o homem de gelo.

E o que é o homem de gelo, vocês me perguntam? Hum...lembra daquele carinha charmoso que te deu o maior mole até vocês ficarem? Enquanto vocês ficavam algumas vezes tudo indicava que ele queria ser seu namorado: era carinhoso, falava abertamente sobre o quanto gostava de você, e aí, um dia, você ligou para ele para marcar um cineminha e a mãe disse que ele tava ocupado. Depois, doente. Depois, não souberam nem te dar uma resposta decente. Você achava que o coitado tinha sido seqüestrado, diagnosticado com uma doença incurável, até perceber que ele, simplesmente, estava te dando aquela gelada. Nada de término decente, nada de satisfação ou consideração por você. O filho da puta, simplesmente, decide sozinho que não vai mais falar com você até você se tocar que ele está botando um ponto final na sua relação.

O mais irritante dessa atitude, não é o término em si, mas o roubo que ele implica. Roubo? É. O homem de gelo descaradamente retira da mulher o seu direito de falar o que pensa a respeito dele e de suas atitudes. Ele não deixa nem que você xingue ele de todos os nomes sujos que conseguir pensar, com a finalidade de, pelo menos, facilitar a superação do término.

Passar por isso na adolescência, quando ainda se é imatura e inocente, é terrivelmente doloroso. Mas a gente se esforça e tenta entender que eles, pela idade, talvez não tenham mesmo a maturidade necessária para olhar nos seus olhos e dizer ‘foi mal, não vai dar. Não quero estar numa relação séria no momento’.

Agora, alguém me faça o favor de me explicar, como, eu repito, COMO eu estou ouvindo história atrás de história a respeito de homens DE VINTE E TANTOS e, pasmem, até TRINTA E TANTOS, fazendo isso com mulheres maduras, bonitas e bem resolvidas? Quer dizer, bem resolvidas até o imbecil virar homem de gelo e deixá-las loucas atrás de uma explicação lógica para um término tão brutal e seco, não é mesmo pessoal?

Mas, convenhamos, alguém pode culpar a coitada se ela planejar uma emboscada e tentar assassinar o cara?? Não há término menos digno do que aquele realizado pelo homem de gelo. Se eu fosse julgada por homicídio nessas circunstâncias, alegaria ‘insanidade temporária causada por gelada indevida’, artigo 171 do Código Penal Emocional.

Infelizmente, depois disso, não sobram muitas opções. Temos mesmo é que tentar resolver o problema sozinhas, dentro de nossas cabeças, nem que seja se juntando com as amigas para falar sobre como ele era ruim na cama. Temos que catar os pedacinhos que sobraram de mais um ‘soco emocional’ e seguir em frente, lutando pela dignidade no término. Fazer o quê?...

Mas não custa nada ficar a atenta a quem está atravessando a rua quando você está de carro, né? :-)