maio 09, 2007

COMO SABER SE É HORA DE ACABAR?

Vi num filme bobinho esses dias um dos personagens fazendo a seguinte pergunta: ‘Se duas pessoas se amam de verdade, quando é a hora de terminar?’. Sem resposta, ele mesmo completa: ‘Se as duas pessoas se amam de verdade, nunca é hora de dizer que já chega’. Que gracinha. É muito ‘sou brasileiro e não desisto nunca’ da parte dele.

É claro que qualquer pessoa que tenha, de fato, passado por um relacionamento, sabe que, na prática, a história é bem outra.

Todos nós, eu presumo, já nos sentimos alternando sentimentos de perda e de ganho dentro de um namoro. Eu, pelo menos, por mais que seja adepta do clichê inatingível da ‘comunicação aberta’, ‘lealdade’ e ‘fidelidade’ num relacionamento, nunca consegui deixar de sentir que algumas horas estava ‘por cima’ e outra horas, ‘por baixo’ (trocadilho sexual não intencional). A meu ver, essa, digamos, flutuação de status é bem comum e até saudável numa relação. A coroa do poder é alternada de tempos em tempos entre os componentes do casal.

Mas, me digam, como saber se a fase do ‘por baixo’ é apenas uma fase ou é, na verdade, ‘o princípio do fim’? Não sei se para os homens essa sensação gera algum tipo de questionamento, mas eu garanto que, para nós mulheres, é um prato cheio para o Freud que há em nós: será que é apenas uma fase ruim? Será que eu estou vendo com olhos pessimistas? Será que a culpa é minha? Será que a culpa é dele? Será que ainda vai dar certo? Será que eu ainda quero que dê certo? E, enfim: será que é hora de terminar?

Como membro da catiguria das “Mulheres que amam demais” (livro muito bom, por sinal), sou daquelas que agüenta tuuuuuuuuudo num relacionamento, o que faz com que meus namorados se acomodem ao extremo. E como não? Quando apaixonada, eu dou um jeito de tolerar e de sobreviver a tu.do. Isso, até acordar um dia e falar ‘não te amo mais, acabou, vou embora’.

Sim, muito Natalie Portman em Closer da minha parte.

Mas essa não é uma atitude da qual me orgulho, não. Normalmente meus (ex) namorados ficam meio perdidos, pois minha reação sempre parece brusca demais. Parece sempre que não houve motivo para o término. Mas o que houve foi uma infindável série de vacilos e decepções que eu deixei passar, que eu fiz questão de agüentar, até se acumularem e me fazerem ‘desapaixonar’. Esse é o meu limite.

É claro que, para outras mulheres, o nível de tolerância pode ser beeeem mais baixo. Conheço mulheres que, diante de um espirro escandaloso demais, pingos de xixi na privada, uma pochete ou um sapato social com meias esportivas, saem correndo em tempo recorde. E não interessa se aquele único motivo parece pouco. Limite é limite, e cada um tem o seu.

O maior problema do término, porém – e isto, é claro, é apenas a minha humilde e subjetiva opinião – não é apenas reconhecer o próprio limite, mas aceitá-lo numa boa, também. Afinal, quem é que nunca se viu numa relação que não estava mais prazerosa, mas simplesmente não conseguia se desapegar? Quem nunca se viu na situação de racionalmente achar o término necessário, mas emocionalmente não conseguir ter forças para sequer pensar em viver sozinho(a)? E, principalmente: QUEM É QUE NUNCA ENROLOU PARA TERMINAR?

Sim!!! Ninguém quer colocar um ponto final sem ter certeza do que quer. E isso seria até uma atitude louvável, não fosse pelo fato de que ‘não se mexe em time que está ganhando’, ou seja, se já não há, pelo menos, uma micro pontinha em nós que sente uma necessidade de terminar, dificilmente estaríamos cogitando a possibilidade, não?

Enfim, esse texto já está mais longo do que eu previ. Mas o assunto é deveras complexo. Acho que, no final das contas, e apesar do clichê, só o tempo vai ativar nosso limite. É o alarme do término, e se ele soar...bom, a hora é agora!