março 21, 2007

RELACIONAMENTOS ABERTOS: NOSSO FUTURO OU LENDA URBANA?

Em meio a uma oferta infindável de parceiros, categorias e mais categorias de relacionamento, infidelidade consentida, sexo casual e liberdade feminina, faz até algum sentido que alguns casais queiram manter suas opções “em aberto”. São cada vez mais comuns os casos de namoros do estilo eu-te-amo-mas-quero-trepar-com-outros-pode-ser? na nossa sociedade.

Eu, que sempre me sinto em contradição com relação aos meus próprios princípios, alternando sempre entre impulsos libertários e impulsos conservadores, ainda fico bastante descrente com a idéia do relacionamento aberto. Mesmo nos anos 60 e 70, no auge da promoção da liberdade sexual, o relacionamento aberto servia ao propósito de liberar UMA das partes para transar por aí. Eu digo uma das partes, porque mesmo naquela época havia casos e mais casos de mulheres apaixonadas que permitiam que o namorado comesse outras, regado de LSD, basicamente por medo de perdê-lo.

Enquanto todo mundo imagina uma hippie gostosa, loira, magra, nua, tomando banho de lama em Woodstock e dando para todos os amigos do marido, havia, na vida real, um monte de hippies baixinhas, gordinhas, ideológicas e com auto-estima abalada, assistindo, de camarote, o marido rodar todas as amigas dela. Pra mim, isso é muito trágico.

Mesmo hoje em dia, os poucos casos de namoro ou casamento aberto que conheci pessoalmente só me mostraram que um dos dois sempre se dá mal, ou se você preferir, apenas um dos dois acaba se dando muito bem. A história mais recente que ouvi foi a respeito de um casal que entrou no esquema da ‘abertura amorosa’ por proposta (pausa) do cara. Acontece agora que (pausa) o cara, vendo sua mina se envolver, não apenas sexualmente, mas também emocionalmente, com outros, está querendo reverter a situação e voltar ao velho esquema do eu-amo-você-você-me-ama-vamos-transar-exclusivamente.

Este exemplo não só corrobora o que eu disse a respeito de uma das partes da relação acabar tendo mais sexo do que a outra, mas também levanta uma questão muito importante a ser levada em consideração num relacionamento aberto: grande parte das mulheres nem sempre querem apenas uma trepadinha com um estranho, o que pode funcionar mais facilmente para um homem, que é capaz de amar uma mulher e sentir tesão por outra. E daí? Você me pergunta. E daí, nêga, que se a mina que tem um namorado por quem é, supostamente, apaixonada, resolveu ir pra cama com outro, é porque algum sentimento se desenvolveu aí, desde o primeiro papo, passando pelo encantamento, chegando até o TESÃO. E para o homem, deve ser difícil lidar com o fato de que sua mulher não apenas dormiu com outro, mas riu, curtiu, gozou, repetiu e adorou.

Além desse aspecto, como fica o propósito de um namoro? Sério. Se alguém não quer ter que escolher com quem ir pra cama, se alguém tem o sonho de poder dormir com toda e qualquer pessoa que quiser, porque não fica logo solteiro(a)? ‘Alguém pode querer dormir com vários(as), mas amar uma única pessoa’, você pode dizer. Mas aí, eu digo seguinte: o ato de coragem num relacionamento não é exatamente fazer uma escolha e lutar por ela? O que é um casamento senão um ato voluntário de escolha? “Eu te amo, eu não tenho certeza se vamos conseguir nos amar e viver juntos a vida inteira, mas eu ESCOLHO tentar”. Não é isso? Será que não estamos agindo como crianças tentando ter tudo ao mesmo tempo? Do mesmo jeito que falávamos “quero de Natal uma Barbie, a casa da Barbie, o carro da Barbie, o He-man, o castelo de Greyscoll, o Gato Guerreiro, uma caixa de playmobil e uma bicicleta e um estilingue”, estamos, agora, falando “eu quero você, ela, aquela, a loira, a morena, a ruiva, ele, o amigo dele, o primo dele, o cabeludo, o conhecido dele e aquele ”?

Bom, podem dizer que eu estou errada, que não sei de nada. Podem me chamar até de conservadora. E há sempre a possibilidade de eu pagar pela minha própria língua (ou mãos?). Mas, para mim, de verdade, quem ama, ainda não quer dividir...

4 comentários:

renata! disse...

eu não divido (:

bjoo Lu.

Erick Magnus disse...

É um posto fabuloso. Aborda uma questão cada vez mais atual e expõe um ponto de vista que definitivamente deve ser considerado numa relação.

Muitas vezes as pessoas, na "empolgção" da idéia, nao consideram todos os aspectos envolvidos, e este é definitivamente algo a se considerar.

Parabéns pelo post.

Anônimo disse...

Este artigo vai contra outro, "Traição", de janeiro de 2007, onde você explica que, para o homem, traição é sexo ao contrário da mulher, para quem traição é envolvimento. Neste artigo, você descreve o ciúme do homem a respeito nem tanto do sexo em si, mas sim dos risos, papos e tudo mais.
Dá para ver que nem você, com todo respeito para suas análises, consegue sintetisar o que é traição. Acredito que cada um tem seu jeito, seus limites e seus ciúmes. Isso depende do que é importante para si mesmo. Se a pessoa se acha um deus grego, provavelmente vai se sentir atingido se a mulher pegar outro gatérrimo, nem que seja um garoto de programa. Se o cara se acha o melhor cantor de pagode da QI23, talvez ele sinta ciúme do cantor de bossa nova da QE42, todo feioso que ele é, se ele conseguir uma risada dela.
Ou talvez não, talvez seja o contrário. Teríamos os ciúmes das nossas fraquezas. Ou então o lance é outro ainda.
Mas simples como 'é só sexo' ou 'é só envolvimento', o ciúme masculino não é.

*****LULUPETERS***** disse...

Querido Anônimo,

tenho certeza que, olhando de perto, você encontrará inúmeras contradições nos meus textos!! É realmente difícil falar em termos criteriosos ou muito definidos quando o assunto é relacionamento, né? Mas estou encantada com suas análises! Quem sabe você não me manda depois um texto sobre algum aspecto amoroso que queira expor?

Abraços e obrigada pela visita!