fevereiro 25, 2007

ESTAMOS NAMORANDO NÓS MESMOS?

Esse texto tinha um outro tema. Eu queria escrever sobre os padrões amorosos que nós temos. Ou seja, se temos ou não temos um “tipo de namorado(a)” que sempre procuramos. Cheguei a encontrar pessoas que admitiram sem pudor que, sim, procuram características específicas em pessoas diferentes. Um até admitiu que namora mulheres idênticas. Quando eu disse "só muda o cabelo", ele ainda completou: "às vezes, até o cabelo é igual". Uns, procuram pessoas com um nível básico de equilíbrio e maturidade, outros confessaram que, ao contrário, adoram mulheres perturbadas. As mulheres relutaram mais em assumir um tipo. A maioria disse que não tem um padrão. Loiros(as) ou morenos(as), altos(as) ou baixos(as), engraçados(as) ou sérios(as), ricos(as) ou pobres: por mais que tentemos negar, acabamos procurando – de forma mais ou menos radical – por certas características. Normal. Afinal, atração também tem a ver com afinidades, e esses “tipos” acabam sendo apenas um resumo das coisas de gostamos ou queremos em outros.

O problema foi que, tentando entrar mais fundo na questão, me deparei com uma perspectiva assustadora. E se, independentemente da outra pessoa na relação, nós somos os responsáveis pela repetição de nossos padrões amorosos?

Eu me explico. Analisando minhas poucas relações duradouras, percebi que meus ex não tinham necessariamente muita coisa em comum. Mas eu agi com cada um deles da mesmíssima forma. Mesmo com personalidades diferentes, dei um jeito de virar mãe de cada um deles. Mandona, controladora e, modéstia à parte, competente e prática que sou, ambos os ex – de idades e perfis ab.so.lu.ta.men.te diferentes – foram um prato cheio para meu espírito materno exagerado.

Em ambas as relações eu agüentei de tudo. Provei meu amor mais até do que devia, como se fosse incondicional, deixei que os limites se quebrassem, tomei conta, ‘criei’, os transformei em pessoas mais maduras, esperei que reconhecessem meu ‘trabalho’ e se tornassem a pessoa que eu queria que fossem e, como isso não aconteceu, cansei e terminei. Perceber essa atitude – tão constante e, ao mesmo tempo, involuntária – nas minhas relações, e como elas se repetiram, me deixou arrasada. Ah, qualé?! Logo eu, tão analítica e equilibrada, vou criar um padrão bizarro desses?

E foi assim que eu vi, pela primeira vez, que talvez não tenhamos um tipo, mas, sim, sejamos um. Afinal de contas, somos donos de 50% de cada namoro e, dessa forma, somos, em 50%, responsáveis pela repetição interminável de fracassos amorosos!

Tudo bem. O pessimismo tomou conta da minha pessoa. Nem tudo é tão programado. É possível perceber um padrão e quebrá-lo (não é?). Aprendemos com cada relação. Mas eu pergunto: ao quebrarmos um padrão, não estamos apenas abrindo caminho para um novo? Passamos do “eu sempre faço isso” para o “eu me proíbo de fazer sempre isso”.

Acabamos, como quase sempre, e como qualquer pessoa que tenha passado por várias relações sérias ou que tenha uma idade um pouco mais madura, tentando criar um guia de atitudes, “As regras de acordo comigo”, na esperança de facilitarmos as relações, as escolhas, os términos. Mesmo sabendo, lá no fundo, que o que dói, dói. Independentemente da nossa atitude programada.

Um comentário:

renata! disse...

concordo,
e isso acaba dstruindo muitos relacionamentos né?
bjos!