janeiro 28, 2007

TRAIÇÃO

Quando eu acho que finalmente vou encontrar um ponto de discussão com o qual homens e mulheres concordam ou com relação ao qual agem de forma igual, vêm minhas pesquisas de campo e acabam com minhas esperanças.

Venhamos e convenhamos, TRAIÇÃO é algo que afeta fortemente tanto homens quanto mulheres. Qualquer pessoa com um DNA 99% humano, teme ser traído. Qualquer pessoa que já gostou de verdade de outra pessoa, teme ser traído. Mas o peguinha é: O QUE É SER TRAÍDO?

Sondando minhas fontes de conhecimento emocional – entenda-se, meus amigos e amigas, preferivelmente, bêbados – questionei se traição era o mesmo que chifre. A resposta foi unânime para ambos os gêneros: não. Afinal, traição pode ser uma mentira, uma omissão, uma furada de olho, uma puxada de tapete. Pode vir de família, de amigos, de colegas de trabalho ou também de namorado(a), de ficante, de fuck buddy e várias outras categorias “amorosas”.

O chifre já é algo específico por apresentar uma conotação sexual. Muitas vezes, exclusivamente sexual. É um beijo, uma ficada, uma transa com alguém de fora do seu relacionamento.

Até aí, tudo bem. São conceitos que, aparentemente, todos entendem como diferentes. Mas o lance é, para as mulheres, o chifre, apesar de assustador, pode ou não possuir um aspecto mais assustador ainda: o do envolvimento psicológico. Um beijo de uma outra mulher no seu namorado é capaz de enlouquecer qualquer uma. Eu que o diga, visto que cogitei quebrar as pernas da vagaba que tentou tirar uma lasquinha do meu dito cujo uma vez. MAS o beijo em si não é pior do que, por exemplo, um beijo apaixonado.

O lance é, para a mulher, imaginar que o namorado levou um tempo se envolvendo, ou até se apaixonando por outra, aprendendo a admirá-la, a desejá-la, a achá-la mais bonita que você, é muito pior do que a idéia de um beijo bêbado sem noção, nem intenção. Saber que seu namorado conta para outra mulher coisas íntimas que não conta pra você é, simplesmente, hor.rí.vel. Uma facada no pulmão.

Deu pra sacar de qualé da parada? Não é o beijo ou o sexo com outra. Aliás, às vezes, não precisa nem rolar o beijo ou o sexo. É aquele envolvimento emocional que constitui a pior parte do chifre. É o que eu acredito ser a parte da traição de fato. Para mulher, traição é o envolvimento.

Para eles, porém, a questão sexual é muito mais importante. Quem nunca viu um amigo traído, ou o próprio namorado depois que o chifrou, ficar obsessivo a respeito dos detalhes sexuais da traição? Eles ficam muito mais preocupados em saber se o beijo do outro cara foi melhor ou, ainda mais agravante, se a mulher gozou mais com o outro, se o pau do outro é maior, se o outro tem mais técnicas sexuais. A obsessão deles é mais focada no sexo em si. Traição, para os homens, é o sexo.

Assim, mais uma vez, ficam as duas catigurias sem se entender. Eles temem mais o envolvimento físico, nóis tememos mais o envolvimento emocional...cri.....cri.....cri* e aí, alguém pode me dizer porque diabos a gente ainda tenta??

*são grilinhos, óquei, pípou?

janeiro 15, 2007

COMO ELES LIDAM COM O FIM

Uma colega blogueira sugeriu há um tempo que eu falasse sobre como os homens reagem ao fim de um namoro. De acordo com ela, eles têm essa mania de fingir que está tudo bem, mesmo que arruinados por dentro. Eu confesso que, de primeira, eu discordei. Afinal, já vi amigos e inclusive exes reagirem de forma bem diferente, incluindo falar verdadeiramente sobre o que sentiam e até chorar. Afinal, homem também é cerumano, né?

Qual foi o meu choque quando, “pesquisando” com meu dito cujo e seu melhor amigo, descobri que os homens, ou melhor, vários homens, de fato, se proíbem de demonstrar sofrimento para os amigos e para a ex.

Relutante em aceitar que os homens não se permitem sofrer durante o fim, aproveitei a chance de pesquisar enquanto bebíamos cerveja (que é a hora em que todo mundo fica mais sincero). Joguei a conversa para esse amigo, perguntando por que, tantas vezes, os homens pareciam não se importar com o término, mesmo gostando da garota. Ele me olhou com aquela cara de “como assim” e eu expliquei: “é, você sabe. Quando nós passamos por um término ficamos mal por um mês, chamamos as amigas para tomar sorvete, choramos juntas, essas coisas, sabe?”. Ele, muito calmo: “a gente até fica mal, mas não precisa virar bicha. Se você e o dito cujo terminassem e ele me ligasse pra gente tomar um sorvete, eu ia mandar ele à merda”. E continuou: “os homens procuram os amigos, mas de um jeito diferente. Dificilmente nós vamos conversar sobre o término. Principalmente sem ter certeza de que podemos voltar.”

Eu (ainda embasbacada): “mas vocês não podem nem falar que estão tristes, que ainda gostam da garota e tal?”. Ele (pasmem!): “falar pra quê?”. Fiquei chocada. Do meu dito cujo, eu já esperava isso. Ele é daqueles toscos que não gostam de demonstrar fraqueza. Mas agora eu estava ouvindo esse discurso de um cara que considero super sensível e de extremo bom senso!

De acordo com os dois, os homens nem sequer precisam falar algo de concreto. Eles se especializaram em ler sinais. Se o cara aparece, do nada, chamando o amigo pra beber no meio da tarde de uma terça-feira, por exemplo, o outro saca na hora que tem algo de errado. Meu próprio namorido disse que, quando terminamos por causa de uma briga feia no ano passado, ele não disse uma palavra sobre a briga ou sobre o término para o amigo que o hospedou. Para os dois, o fato de ele aparecer na casa do amigo dizendo ‘vou dormir aqui’ foi mais do que suficiente para se compreender que ele estava fora de casa.

Conseguiram sacar de qualé a do eshquema? Eles podem sair para encher a cara de cerveja, mas não de sorvete. Eles podem até estar mal, mas não demonstram. Eles podem contar aos amigos, mas só em código. A idéia de “desabafar” com amigos é coisa de boiola e ponto final. E ai do amigo que tentar burlar essas “regras” e comprar um chocolate quando o namoro terminar, porque eles vão rir disso durante uns seis meses.

Posso até admitir que, no início, fiquei com uma invejinha. Fiquei lembrando da fase do moleton-e-brigadeiro-na-frente-da-tv a cada término e me perguntei por que não podemos ser um pouco mais frias e racionais como eles. Mas aí, pensei: abrir mão da melhor desculpa que temos para passar dias inteiros conversando com as amigas, para nos entupirmos de doces com o aval do resto do mundo, para chorarmos tudo o que quisermos até nos sentirmos 3kg mais magras?? Até parece! Que venham os términos! E eles que fiquem com seus códigos!:)

PS: eu tenho plena consciência de que nem todos os homens são assim e, graças a Alá, vários heteros, confiantes e conscientes já se permitem desabafar com amigos, chorar na frente dos outros e pedir pra voltar sem grandes traumas psicológicos. Isso foi só uma ilustração, como a maioria dos meus textos, generalizada e até caricata, de um aspecto do universo de alguns homens.