dezembro 26, 2007

FESTA À FANTASIA

Os relacionamentos de longo prazo, inevitavelmente, esbarram em problemas relacionados diretamente ao desgaste causado pelo tempo: excesso de intimidade, comodismo estético (quase todo mundo dá uma engordadinha quando está feliz no namoro, né?) e, principalmente, diminuição do tesão. Este último é dos mais preocupantes para o casal. Não que seja anormal diminuir um pouco a freqüência sexual e muito menos que a libido vá embora por completo. É só que, naquele esquema de rotinão, com calcinhas penduradas no Box, xixi com porta aberta e cuecas com freadas, fica mais difícil manter o sexo como algo muito novo, selvagem e passional, como no início.

Hoje em dia, visto não ser mais tabu trabalhar em prol da vida sexual do casal, muitos procuram inovar a atuação na cama. Obviamente, a forma mais conhecida para se apimentar o sexo, e cada vez mais aceita pelo grande público, é a realização de fantasias. Casais e mais casais, todos os dias, procuram roupinhas de enfermeira, de empregada, de dominatrix e, depois do Tropa de Elite, o uniforme do Bope é garantido para agradar aquelas que querem um Capitão Nascimento na própria cama. É casa de swing pra lá, menáge à trois pra cá, tapinha na bunda, role play (quando o casal faz toda uma historinha, tipo fingindo que são estranhos, por exemplo), tudo para manter o sexo o mais interessante possível.
Pensando sobre o assunto e me imaginando caindo na gargalhada se meu marido me perguntasse ‘você vem sempre por aqui?’, comecei a imaginar até onde homens e mulheres estão dispostos a ir para realizar a fantasia do outro. Dica do blog: quando o papo no boteco esfriar, ponha este tema pra jogo. Nunca recebi tanta opinião ao mesmo tempo. Pelo visto, fantasia sexual é um tema que interessa e/ou atinge a todos, dos mais conservadores aos mais liberais.
As perspectivas foram bem variadas. Poucos arriscaram um “no sexo não há limites” e, ainda assim, tenho certeza que estavam se esquecendo de alguns tipos diferentes de fantasia. A maioria tentou encontrar um ponto de equilíbrio, mas foi possível delimitar dois pontos essenciais, com base nas opiniões ouvidas: 1)existe, sim, um limite para fantasia, e 2)quando estamos falando de fantasia sexual dentro de um relacionamento já consolidado, os limites são mais rigorosos ainda.
Aparentemente, quando se está solteiro(a), a sensação de que 'não se deve nada a ninguém' faz com que as pessoas se sintam mais confortáveis e seguras na hora de extrapolarem os próprios limites sexuais. Apenas as fantasias que a maioria considera, digamos, fora do padrão da normalidade e de higiene – como a escatologia, zoofilia e necrofilia literal (por increça que parível algumas pessoas acham legal se fingirem de morto(a) para ficarem à disposição sexual do parceiro) – ficaram veemente excluídas do rol de fantasias. Assim, a conclusão foi que, na condição de solteiro(a), o limite da fantasia é simplesmente o limite subjetivo do próprio conforto. Se te agride de alguma forma, não faça. Simples assim.

Na condição de 'casado(a)', porém, apesar da vantagem da intimidade existente entre o casal, a maioria dos meus 'entrevistados' afirmou categoricamente que, certas fantasias, ficam excluídas de imediato. Muitos disseram, por exemplo, que fantasias que envolvam uma terceira pessoa na cama, causam desconforto demais na relação. É tanto trabalho emocional depois, que nem vale a pena. Para as mulheres, o desconforto, normalmente, tem a ver com a idéia de que seu namorado ou marido tem tesão por outra. Qualquer beijo mais demorado pode disparar o gatilho feminino da insegurança e, conseqüentemente, da desconfiança. Aí, é briga na certa. Para os homens, a idéia de ter outro cara pegando sua mulher na sua cara e, ainda por cima, com chance de passar a mão na sua bunda de macho, é assustadora demais para ser colocada em prática.
Eu, particularmente, acredito que a idéia de uma terceira pessoa é bem complicada mesmo. Me conhecendo como me conheço, nunca iria conseguir superar um olhar mais passional ou um orgasmo mais intenso do meu dito cujo com a convidada. Sim, pode me chamar de possessiva, mas a maioria esmagadora das mulheres confessou ter o mesmo medo e sei de uma história verdadeira de um relacionamento que ficou abaladíssimo depois do menáge justamente porque a namorada não conseguiu superar o ciúme criado na hora H.
Surpreendentemente, a idéia do menáge com outro homem, trouxe o mesmíssimo medo para eles: “e se ela tiver um puta orgasmo na minha cara com o outro? Como vou lidar com isso?!”. Ou seja, a insegurança gerada pela presença de outra pessoa na cama, foi a maior causadora de terror e pânico.

Com essas perspectivas, ficou claro para mim que o relacionamento traz para o parceiro uma responsabilidade pelos sentimentos do outro. A mera proposta de uma fantasia que desagrade pode ser suficiente para criar uma 'pulguinha atrás da orelha feminina'. Dessa forma, além do limite do próprio conforto, aparece o limite do conforto do(a) parceiro(a). Assim, se te agride e – acréscimo - se agride o outro, não faça.
É óvi que as exceções são inúmeras. Muitos casais adoram a idéia de sexo grupal, menáge e de troca de parceiros. E os entrevistados, todos, afirmaram que não dá pra julgar a fantasia de ninguém. Só poderiam dar opinião a respeito das próprias fantasias e das próprias relações. Enfim, a conclusão que eu tirei foi que várias fantasias são muito saudáveis para o namoro. Reanima o sexo e pode muito bem fortalecer a relação, principalmente se o casal consegue manter um tom de brincadeira, de descoberta, de cumplicidade. Entretanto, é necessário lembrar sempre que, quanto mais radical a fantasia, maiores são as conseqüências para a relação. ‘Passarinho que come pedra, sabe o cú que tem’ (esse ditado é o máximo, né?). Assim, o resumão de vestibular é o seguinte: cada um faz o que agüenta – antes, durante e depois da fantasia. ;-)

outubro 16, 2007

O RETORNO

À medida que amadurecemos, descobrimos que, de bolinho açucarado, a vida não tem nada. Não bastassem as dificuldades profissionais e financeiras, ainda somos obrigados a lidar, diariamente, com crises existenciais, familiares e – o maior motivo da existência deste blog – amorosas.

Até hoje me espanto com o fato de a vida não dar tréguas. Ela não espera que você se recupere de uma crise antes de lidar com mais uma dificuldade. E é neste momento que apresento a vocês o tema deste texto. Se superar o fim de um namoro já é difícil, quão duro é enfrentar a recém adquirida solteirice?

Vida de solteiro II – o retorno. Está aí um título raramente desejado ou pensado para si. É claro que não estou falando da solteirice que segue um término há muito desejado. Aqueles que terminam o namoro porque realmente não amavam mais o outro e estavam loucos pra voltar à ativa, se adaptam mais rápido.

Mas quando o namoro termina porque simplesmente não deu certo ou porque fomos deixados pelo outro, a dor é mais intensa e maior é a resistência em aceitarmos que estamos, mais uma vez, depois de mais um fracasso amoroso, sós.

Surpreendentemente, através de minhas pesquisas com conhecidos e amigos, descobri que tanto homens quanto mulheres têm essa dificuldade. Para os dois gêneros é difícil, primeiramente, assumir a derrota. E realmente, engolir o orgulho e admitir que seu investimento amoroso foi por água abaixo é bastante constrangedor.

A segunda parte mais difícil é voltar a ter contato com amigos solteiros que ‘se perderam’ durante o seu relacionamento. A gente começa a enxergar a quantidade de rotinas individuais que foram abdicadas – voluntariamente ou a pedido – e quantas pessoas retiramos da nossa vida para podermos nos concentrar no relacionamento.

Apesar de a situação acima descrita parecer um namoro péssimo, que fez você abdicar de tantas coisas, é mais do que normal tentarmos ajustar nossos hábitos individuais aos hábitos do casal. Quando estamos apaixonados queremos incluir a pessoa em cada cantinho da nossa vida, e isto implica em abdicarmos dos cantinhos aonde ela não cabe. Mas é exatamente isso que torna tão triste o fim do namoro. Perde-se uma rotina e uma companhia com as quais, depois de tanto esforço, já estávamos tão acostumados (ou será acomodados?).

Quanto mais longo o relacionamento, mais aterrorizante é o retorno. Conheço gente que acredita até que desaprendeu a fazer sexo, pois, desde o término, não conseguiu se envolver com ninguém novo. E para muitas mulheres a idéia de apresentar o próprio corpo, com todos os defeitinhos que sempre enxergamos em nós mesmas e que levamos tanto tempo para expormos para o dito cujo, pode ser uma perspectiva de puro terror e pânico.

Outras mulheres acreditam que ficar, casualmente, com um carinha qualquer na noite não é difícil, mas se envolver emocionalmente novamente, se permitir gostar e confiar em alguém novo, é mais complicado. Aceitar que o próximo da fila pode ser alguém completamente diferente daquilo com o qual já estávamos acostumados faz muita gente desistir de se relacionar.

Para os homens, o ‘desaprendizado’ resultante do relacionamento pode ser até pior, já que eles carregam o fardo da ‘caça’. Eles têm que reaprender a conhecer mulheres novas, a seduzir, a paquerar, a chegar junto. Alguns utilizam técnicas de socialização para facilitar o trabalho. Ouvi de dois amigos que se inscrever num cursinho ou numa academia já é um ótimo começo. Não que eles vão, necessariamente, tentar catar as colegas, mas o ambiente já viabiliza conversinhas casuais e, quem sabe, até novos amigos guerreiros que te ajudarão a ‘voltar para o mercado dos solteiros’.

Essa ‘técnica’ eu aprovo completamente. Já vi uma amiga ‘soltar mais as rédeas’ e perder um pouco do medo de conhecer gente nova através da rotina diária de estudos com um colega de cursinho.

Enfim, cada um tem seu tempo e até suas técnicas para retornar, mas a verdade é que a primeira coisa a fazer é tirar da cabeça a idéia de fracasso, de derrota. O relacionamento acabou, sua vida, não. Esqueça a vergonha de ligar para aquele(a) amigo(a) com quem você perdeu o contato porque namorava. Se ele(a) for amigo(a) de verdade, você será desculpado e muito bem vindo. E lembre-se, sempre: um término é sempre pré-requisito para um novo início. :-)

setembro 25, 2007

TCHU TCHU TCHE BLENGOS*

Se tem uma coisa que me intriga é o fato de homens e mulheres possuírem formas tão diferentes de se expressarem. Mesmos Reino, Filo, Classe, Ordem, Família e Espécie. Apenas Gêneros diferentes e, ainda assim, pode perguntar para qualquer mulher se ela não já sentiu 'di cum força' que estava tentando falar com um ser de outro planeta. Se a base de qualquer relacionamento a longo prazo é a comunicação...fudeu?

Mais uma vez devo alertá-los de que este texto parte para generalização, sim, já que não há outra maneira de servir seu propósito se não abdicarmos da infinita individualidade de cada um (redundância pouca é bobagem).

Assim, posso afirmar que enquanto nós mulheres temos que fazer um discurso enoooorme, complexo e truncado para tentar passar uma única informação, eles depositam toda sua fé nas monossílabas.

Antigamente, eu achava que o problema era exclusivamente deles. Quem não fala muito é quem trava a conversa, não? Mas, com a maturidade, vemos que a coisa não é bem assim, né, girls?

As mulheres, venhamos e convenhamos, apesar de serem criaturas maravilhosas, maduras e conhecedoras da sua língua, perdem, facilmente, a linha do bom senso e acabam incluindo em um discurso que era para ser direto e conciso, baboseiras fora de contexto, que os deixam mais confusos do que normalmente são.

Eu jamaaaaais teria admitido isso se não fosse meu dito cujo. Ele é um monossilábico de carteirinha e só falta ter um colapso quando a idéia de 'bater uma D.R' aparece (vai por mim que não é exagero, eu já fiz questionário de múltipla escolha para conseguir rolar uma DR. E, olha, funcionou super bem!), PORÉM, ele conseguiu me mostrar numa dessas D.Rs, que eu começava a falar sobre algo bem específico – sobre o qual ele estava até disposto a conversar – mas, de repente, começava berrar a respeito de coisas antigas, que não estavam no roteiro, e muito menos faziam sentido naquele momento – tipo três anos após o ocorrido.

É saudável discutir a relação, sem dúvida. Isso é algo que os homens deveriam aprender. Uma conversa bem feita é capaz de garantir felicidade e satisfação dentro do relacionamento por mais seis meses. ENTRETANTO, deve haver uma metodologia para isso. No minuto que a gente grita, eles páram de ouvir. No minuto que a gente joga na cara algo que era para ter sido discutido meses e meses antes, eles páram de ouvir. E eu não tiro a razão deles, sabiam? Nós, muiés, precisamos aprender que existe um prazo prescricional para os eventos amorosos. Não botou os pingos nos is quando deveria? Supera, nêga! Não dá pra superar de jeito nenhum? Termina, oxi!! Ficar carregando mágoas mau resolvidas é veneno puro pra relação! E ainda por cima consegue bagunçar uma conversa que era pra ser saudável e direta.


Devo admitir, porém, que o maior problema nesse treinamento feminino de 'Atitudes Marcianas para leigos' é que, quanto mais desequilibrado é o nosso estado, maior é a nossa vontade de falar. É por isso que o discurso muitas vezes sai de forma aleatória, desordenada, quase incompreensível. E é por isso que as piores e mais inúteis D.Rs aparecem durante a TPM, por exemplo, e durante as bebedeiras (muuuuita mulher fica agressiva quando bebe, sabiam?). Nessa hora, peço aos ditos cujos que acumulem o máximo de paciência, tolerância e compreensão possíveis. Se tudo passa, até uva passa, a TPM uma hora também.

De resto, acho que a mulherada deve se acalmar e se esforçar de verdade para transmitirem a mensagem que considerarem importante. Vale até anotar num bloquinho o assunto específico que você quer colocar pra jogo. Facilita muito a vida. Até publicarem um dicionário monossilábico, o jeito vai ser se esforçar!

* Piadinha interna sobre a língua dos Marcianos.

julho 25, 2007

A SÍNDROME DA ATTENTION WHORE

As mulheres podem até não admitir, mas mesmo a mais segura e bela de nós precisa ouvir um elogio, um assovio ou um ‘gatinha’ de vez em quando. Massagem no ego, na medida certa, é claro, sempre levanta o astral. Eu digo na medida certa porque também é muito constrangedor ser comida com os olhos por um velho babão e ouvir um indiscreto e sacana ‘gooooshtosa’. Aí, deixa de ser massagem de ego e vira assédio sexual, né?

Anyway, neste vasto mundo feminino, repleto de catigurias interessantíssimas – como a mulher-vampiro abaixo descrita, por exemplo – há uma espécie clássica que sempre me intrigou: a attention whore. Eu não consegui achar um termo mais abrasileirado/aportuguesado, porque perde a sonoridade, mas é algo como ‘putinha por atenção’.

Se toda mulher precisa de um pouquinho de atenção masculina aleatória, de vez em quando, a attention whore precisa de toda a atenção masculina aleatória, o tempo todo.

Dos anos 80 até o início de 2000, a attention whore seguia um modelito básico e praticamente imutável: decotão, micro-mini e cabelão. Ela ria alto para atrair os olhares, rebolava indiscretamente e fazia ‘cara de sexo’ o tempo todo. Raramente conseguia manter as amizades femininas, a não ser que todas as amigas fossem da mesma catiguria. Nunca teve interesse que o cara fosse necessariamente bonito ou interessante. Ela não quer namorar com ele. Ela, muitas vezes, sequer quer ir pra cama com ele. Ela só quer que ele queira ir pra cama com ela. Pode ser o marido da amiga, pode ser o amigo de infância, pode ser, sei lá, o padeiro da esquina. Sentou no meio-fio e tocou o pezinho no chão, tá valendo pra attention whore.

Até aí, tudo bem, mas qual não foi a minha surpresa, ao reparar, esses dias atrás, que esta espécie tão fascinante e odiada sofreu uma mutação genética e acabou se transformando?

Sim, senhoras e senhores, a ‘new and improved’ attetion whore perambula em nossos meios de forma muito mais discreta, tornando difícil a sua identificação. Nada de decotão, nem micro. A new attention whore não é sequer vulgar ao primeiro contato. Bonita, ela é. E, como sempre, ela sabe muito bem disso. Tem uma carinha de sonsa, de lerda, quase de débil mesmo. Eu levei muito tempo para admitir isso, mas, aparentemente, homem adora mulher que se faz de burra. Esse jeitinho de alienada passa a impressão de que ela é capaz de ir pra cama com ele rapidinho, sem nem perceber o que está rolando.

É claro que nós, mulheres, sabemos que essa espécie tem controle sobre todas as suas atitudes. Aquela olhadinha ‘flerteira’, aquele biquinho, aquela carinha de ‘tô ficando bêbada e fácil!’ e a atitude de ‘sou sua melhor amiguinha’ na frente da namorada do cara não são nada acidentais. São armas de sedução usadas conscientemente pela attention whore, que não descansa enquanto não tiver os olhares de toda presença masculina num raio de, no mínimo, 2 metros.


Eu já tive muita raiva da attention whore. Já tive até invejinha desse jeito sensual dela. Eu jamais conseguiria transmitir esse olhar lânguido e mongol, que, de alguma forma, é muito sexy para os homens. Mas aprendi que, novamente, o que há no fundinho de toda attention whore é aquela velha insegurança. Querer uma afirmação da própria beleza de vez em quando é uma coisa. Precisar dessa afirmação a toda hora é outra completamente diferente. Assim, com a idade e maturidade dos meus quase trinta, descobri que a attention whore é, na verdade, uma pobre coitada sem auto-estima...

Mas não deixo uma dessas sozinha com meu marido nem por 2 segundos. Afinal, como já dizia sábia vovó: quem tem pena do miserável, fica no lugar dele. ;-)

julho 19, 2007

A SÍNDROME DA MULHER-VAMPIRO


Todo mundo já foi meio vampiro na adolescência. Isso ninguém pode negar. Normal. Afinal de contas, nessa época estamos tentando descobrir do que gostamos, com a finalidade de descobrir quem somos. Dessa forma, esse processo implica que você seja de uma tribo diferente a cada semana. Essa fase é até divertida: o nerd vira metaleiro, a roqueirinha vira paty, o grunge vira indie, e por aí vai.

Inspirada por este processo tão comum durante a fase de crescimento, resolvi escrever sobre uma catiguria feminina mais comum do que imaginamos ser: a mulher-vampiro. Assim como o adolescente confuso, a mulher-vampiro sofre de uma síndrome de mutação pessoal. A cada namorado, seu vestuário, seu gosto musical e suas opiniões mudam. Muitas vezes, por completo.

É claro que a troca de informações num relacionamento é mais do que normal. Meu namorido mesmo me apresentou bandas que eu antes desconhecia e que, hoje, idolatro. Ele também já me deu de presente roupas que refletiam mais o gosto dele do que o meu, mas que acabaram caindo como uma luva e me conquistando. Do mesmo jeito, eu o apresentei para meu mundinho de vício em restaurantes maravilhosos (quando a grana dá) e o fiz aceitar (não consegui fazê-lo gostar, eu confesso) que uma pessoa inteligente e de bom gosto como eu pode, sim, amar música baranga dos anos 80.

A mulher-vampiro, no entanto, extrapola esse patamar da troca. Ela apresenta pouquíssimo de si, e toma para si o máximo do outro. Apesar de parecer divertido como na adolescência, a mulher-vampiro esconde uma faceta que torna o seu caso deveras triste: a ausência de auto-estima. É. Ela não está tentando se descobrir, mas, sim, se esconder do outro.

Lembra daquele início de namoro, quando você, ansiosa por já estar gostando do cara, acaba soltando – às vezes, inconscientemente – umas mentirinhas aqui e ali, para se sentir mais próxima à ele, para destacar o fato de que vocês têm muitas afinidades? Tipo, eu não era ciumenta e meu dito cujo gostava de Beatles. Então. Agora imagina aquela ansiedade desgastante e aquelas mentirinhas ao longo de toooooodo o relacionamento. Viu que cansativo? A mulher-vampiro vive exausta, tentando, de qualquer forma, se ajustar per-fei-ta-men-te ao seu objeto de desejo. Ela se anula, para poder absorver o universo do seu namorado, e acaba, inevitavelmente, se perdendo no meio do relacionamento, ao ponto de, muitas vezes, não saber mais porque está com aquele cara, pra começo de conversa.

Além da exaustão, a mulher-vampiro perde outra delícia do relacionamento: a chance de aprender a aceitar as diferenças, que, muitas vezes, são o que tornam o namoro interessante e motivador. Ela nunca dá ao seu objeto de desejo a chance de vê-la de verdade, por puro medo de que ele não vá gostar do que vê.

Uma pena mesmo. Eu, que já tive quase zero de auto-estima, escapei por pouco de ter me tornado uma mulher-vampiro. Por isso, eu alerto a mulherada: tenham orgulho de cada defeito, assim como das qualidades. São essas ‘falhas’ que fazem de você uma pessoa única e, eu garanto, são elas que fazem de você alguém apaixonável.

junho 05, 2007

A MÁGICA DA SEPARAÇÃO

Eu acredito que mesmo quem já passou por términos intensos, dolorosos e complicados, ainda se impressione quando lembra do seguinte: a mesma pessoa que no momento do término você odeia com todas as forças, já foi o seu passional e exclusivo objeto de desejo.

Aliás, se vocês me perguntarem, eu acho que o aspecto mais triste do fim de um relacionamento é exatamente este, a morte de um sentimento belo, que existiu, mas se transformou em desprezo, indiferença ou até mesmo asco.

Sério, parece algo forte de se dizer, mas quem nunca, depois de certo tempo com alguém – sim, talvez não fosse a melhor pessoa para você – tomou um certo nojo, adquiriu um desprezo profundo pelo outro? É nessa hora que paramos e pensamos: foi por isso que eu chorei e lutei tanto? Sim. Foi.

Talvez seja mundialmente aceito o conceito de que pessoas maduras não terminam de forma descontrolada, descabelada, por assim dizer. É sempre feio quando um casal separado não consegue conviver no mesmo círculo. Mas, na vida real e individual de cada um, o término pode nos afetar de formas inimagináveis, gerando uma ferida que, talvez, quem sabe, não cure jamais. Só quem sente é que pode saber o quanto foi afetado.

Bom, perdi um pouco aí a linha do raciocínio, vou tentar retomá-la: quem nunca sentiu que ‘casou’ com uma pessoa e se separou de outra completamente diferente? É como uma caixa mágica aonde entra o amor da sua vida e sai um monstro que fez você perder seu tempo. Entra alguém que proclamava amor eterno por você e sai alguém que ‘nunca te valorizou’. Entra uma gata muito boa de cama e sai uma sogra infernal. É como se Houdini fosse o cupido.

Eu acredito que as pessoas podem mudar. Talvez nem mudem sua essência, mas hábitos do dia-a-dia, atitude práticas, esses mudam. Conheço histórias de casais jovens e porra-loucas que terminaram porque um deles virou um careta responsabilíssimo e criticava tudo que o outro fazia (incluindo coisas que, antes, faziam juntos). Nesses casos, podemos falar, de fato, em uma mudança de personalidade. Mas será que todos os casais que terminam mudaram mesmo de rumo? Ou será que o que muda não são os outros, mas nós? Nossos sentimentos por eles.

Sim, porque se eu paro para pensar nos meus relacionamentos que acabaram porque eu não me sentia valorizada, não era porque o cara tinha mudado. É porque chegou um ponto em que eu, finalmente, percebi que ele não dava a mínima ou, pelo menos, nunca me deu o que eu achava que merecia. Depois da cegueira da paixão, as coisas ficavam claras e quanto mais tempo passou, mais nitidamente eu enxerguei como a relação era de verdade.

É aí que vem a sensação de que há, não apenas duas, mas três pessoas no namoro: você, sua paixão e o canalha do final.

Não sei se essa é uma atitude errada. Não sei nem dizer se alguém sente isso também, talvez seja apenas eu. Mas o que eu sei é que só quem passou por ele sabe o que é um término feio. Às vezes ser diplomático só para agradar os outros, dói na alma. Às vezes é preciso descabelar-se para terminar. Mas, apesar de tudo, enxergar o outro não mais como sua paixão, mas como ele/ela realmente é, ajuda a curar as feridas. É a decepção que, muitas vezes, te ajuda a se preparar para mais um round e, quem sabe, encontrar alguém ‘melhor’.

junho 01, 2007

A SÍNDROME DO HOMEM DE GELO

Toda adolescente, ao iniciar sua ‘jornada romântica’ após o primeiro beijo, se depara com uma espécie muito peculiar do vasto universo masculino: o homem de gelo.

E o que é o homem de gelo, vocês me perguntam? Hum...lembra daquele carinha charmoso que te deu o maior mole até vocês ficarem? Enquanto vocês ficavam algumas vezes tudo indicava que ele queria ser seu namorado: era carinhoso, falava abertamente sobre o quanto gostava de você, e aí, um dia, você ligou para ele para marcar um cineminha e a mãe disse que ele tava ocupado. Depois, doente. Depois, não souberam nem te dar uma resposta decente. Você achava que o coitado tinha sido seqüestrado, diagnosticado com uma doença incurável, até perceber que ele, simplesmente, estava te dando aquela gelada. Nada de término decente, nada de satisfação ou consideração por você. O filho da puta, simplesmente, decide sozinho que não vai mais falar com você até você se tocar que ele está botando um ponto final na sua relação.

O mais irritante dessa atitude, não é o término em si, mas o roubo que ele implica. Roubo? É. O homem de gelo descaradamente retira da mulher o seu direito de falar o que pensa a respeito dele e de suas atitudes. Ele não deixa nem que você xingue ele de todos os nomes sujos que conseguir pensar, com a finalidade de, pelo menos, facilitar a superação do término.

Passar por isso na adolescência, quando ainda se é imatura e inocente, é terrivelmente doloroso. Mas a gente se esforça e tenta entender que eles, pela idade, talvez não tenham mesmo a maturidade necessária para olhar nos seus olhos e dizer ‘foi mal, não vai dar. Não quero estar numa relação séria no momento’.

Agora, alguém me faça o favor de me explicar, como, eu repito, COMO eu estou ouvindo história atrás de história a respeito de homens DE VINTE E TANTOS e, pasmem, até TRINTA E TANTOS, fazendo isso com mulheres maduras, bonitas e bem resolvidas? Quer dizer, bem resolvidas até o imbecil virar homem de gelo e deixá-las loucas atrás de uma explicação lógica para um término tão brutal e seco, não é mesmo pessoal?

Mas, convenhamos, alguém pode culpar a coitada se ela planejar uma emboscada e tentar assassinar o cara?? Não há término menos digno do que aquele realizado pelo homem de gelo. Se eu fosse julgada por homicídio nessas circunstâncias, alegaria ‘insanidade temporária causada por gelada indevida’, artigo 171 do Código Penal Emocional.

Infelizmente, depois disso, não sobram muitas opções. Temos mesmo é que tentar resolver o problema sozinhas, dentro de nossas cabeças, nem que seja se juntando com as amigas para falar sobre como ele era ruim na cama. Temos que catar os pedacinhos que sobraram de mais um ‘soco emocional’ e seguir em frente, lutando pela dignidade no término. Fazer o quê?...

Mas não custa nada ficar a atenta a quem está atravessando a rua quando você está de carro, né? :-)

maio 09, 2007

COMO SABER SE É HORA DE ACABAR?

Vi num filme bobinho esses dias um dos personagens fazendo a seguinte pergunta: ‘Se duas pessoas se amam de verdade, quando é a hora de terminar?’. Sem resposta, ele mesmo completa: ‘Se as duas pessoas se amam de verdade, nunca é hora de dizer que já chega’. Que gracinha. É muito ‘sou brasileiro e não desisto nunca’ da parte dele.

É claro que qualquer pessoa que tenha, de fato, passado por um relacionamento, sabe que, na prática, a história é bem outra.

Todos nós, eu presumo, já nos sentimos alternando sentimentos de perda e de ganho dentro de um namoro. Eu, pelo menos, por mais que seja adepta do clichê inatingível da ‘comunicação aberta’, ‘lealdade’ e ‘fidelidade’ num relacionamento, nunca consegui deixar de sentir que algumas horas estava ‘por cima’ e outra horas, ‘por baixo’ (trocadilho sexual não intencional). A meu ver, essa, digamos, flutuação de status é bem comum e até saudável numa relação. A coroa do poder é alternada de tempos em tempos entre os componentes do casal.

Mas, me digam, como saber se a fase do ‘por baixo’ é apenas uma fase ou é, na verdade, ‘o princípio do fim’? Não sei se para os homens essa sensação gera algum tipo de questionamento, mas eu garanto que, para nós mulheres, é um prato cheio para o Freud que há em nós: será que é apenas uma fase ruim? Será que eu estou vendo com olhos pessimistas? Será que a culpa é minha? Será que a culpa é dele? Será que ainda vai dar certo? Será que eu ainda quero que dê certo? E, enfim: será que é hora de terminar?

Como membro da catiguria das “Mulheres que amam demais” (livro muito bom, por sinal), sou daquelas que agüenta tuuuuuuuuudo num relacionamento, o que faz com que meus namorados se acomodem ao extremo. E como não? Quando apaixonada, eu dou um jeito de tolerar e de sobreviver a tu.do. Isso, até acordar um dia e falar ‘não te amo mais, acabou, vou embora’.

Sim, muito Natalie Portman em Closer da minha parte.

Mas essa não é uma atitude da qual me orgulho, não. Normalmente meus (ex) namorados ficam meio perdidos, pois minha reação sempre parece brusca demais. Parece sempre que não houve motivo para o término. Mas o que houve foi uma infindável série de vacilos e decepções que eu deixei passar, que eu fiz questão de agüentar, até se acumularem e me fazerem ‘desapaixonar’. Esse é o meu limite.

É claro que, para outras mulheres, o nível de tolerância pode ser beeeem mais baixo. Conheço mulheres que, diante de um espirro escandaloso demais, pingos de xixi na privada, uma pochete ou um sapato social com meias esportivas, saem correndo em tempo recorde. E não interessa se aquele único motivo parece pouco. Limite é limite, e cada um tem o seu.

O maior problema do término, porém – e isto, é claro, é apenas a minha humilde e subjetiva opinião – não é apenas reconhecer o próprio limite, mas aceitá-lo numa boa, também. Afinal, quem é que nunca se viu numa relação que não estava mais prazerosa, mas simplesmente não conseguia se desapegar? Quem nunca se viu na situação de racionalmente achar o término necessário, mas emocionalmente não conseguir ter forças para sequer pensar em viver sozinho(a)? E, principalmente: QUEM É QUE NUNCA ENROLOU PARA TERMINAR?

Sim!!! Ninguém quer colocar um ponto final sem ter certeza do que quer. E isso seria até uma atitude louvável, não fosse pelo fato de que ‘não se mexe em time que está ganhando’, ou seja, se já não há, pelo menos, uma micro pontinha em nós que sente uma necessidade de terminar, dificilmente estaríamos cogitando a possibilidade, não?

Enfim, esse texto já está mais longo do que eu previ. Mas o assunto é deveras complexo. Acho que, no final das contas, e apesar do clichê, só o tempo vai ativar nosso limite. É o alarme do término, e se ele soar...bom, a hora é agora!

abril 27, 2007

MULHER SOLTEIRA PROCURA... HOMEM CASADO

Recentemente uma grande idéia para um tema deste humilde blog caiu de presente no meu colo: a questão do homem casado. Fiquei surpresíssima ao receber feedback não de uma, mas de quatro amigas, que já passaram ou estão passando pela situação.
As ressalvas são inúmeras: ‘se você fosse casada não acharia legal que fizessem isso com você’, ‘é por isso que as mulheres são desunidas’, ‘é pecado’, ‘é coisa de galinha, de puta, ‘é falta de ética e de moral’. Enfim, o estereótipo imediato de uma amante é: uma vagabunda sem coração, criada sem nenhum tipo de princípio e que merece ser veementemente excluída de todo e qualquer círculo feminino.
O choque vai ser inevitável, mas, eu, que sou casada, confesso que, quando penso na mera possibilidade de uma mulher ter um affair com meu marido, penso logo no estereótipo aí de cima e ainda incluo aquela drástica mordida no meio-fio. Sim, é triste. Mas a perspectiva feminina muda por completo dependendo do lado onde ela esteja. 
Apesar dessas idéias pré-definidas sobre a relação mulher-solteira/homem-casado, e apesar de sermos criadas para não cobiçar o brinquedinho da colega, sabemos que, na prática, sentimentos não são nem um pouco preto-e-branco. E, por increça que parível, a mulher solteira que se envolve com o cara casado tem sentimento, sim. E nem sempre está agindo de pura má-fé.
Gente, mentalize a seguinte cena: você vai para um evento na casa de uma amiga, chega lá, feliz e poderosa, revê os velhos amigos, põe a conversa em dia. E acaba conhecendo as novas adições ao seu círculo de amizades. Em meio a esses novos amigos, aparece um cara. Muito bonito. E, surpreendentemente, bom de papo. Vocês acabam sintonizando e conversando a tarde inteira. Parece que já se conhecem há anos. Afinidade entre vocês é o que não falta. Aí rola aquele flertezinho inocente. Aí, rola a química, a vontade de abraçar, de beijar, de tocar o tempo todo. Você pensa ‘não acredito, finalmente achei o cara!’. É aquela sensação ma.ra.vi.lho.sa de início de namoro. Sentiu a cena?? Que delícia! Aí, chega uma mulher que você nunca viu na vida e lasca um beijo  no seu mais novo objeto de desejo, vira e fala: ‘oi, sou a mulher dele’.
Gente,  de novo, pense no que é passar por isso!!! Dá pra ouvir o coração da coitada fazendo creck e caindo aos poucos no chão! É de tirar a vontade de viver ou não é?? Eu não acho anormal que, em outra ocasião, se o cara der mole, ela não consiga resistir à tentação. Não acho certo, só não acho anormal.
É aí que começa toda a confusão mental feminina. ‘Eu gosto dele de verdade, isso me autoriza a ficar com ele?’, ‘Será que eu consigo ser apenas uma amante?’, ‘E se ela descobrir?, ‘E se acharem que sou uma escrota?’, ‘Só é bom porque é proibido?’, ‘E por que não conheci ele antes?’, ‘E por que ele não larga ela pra ficar comigo?’. Triste, muito triste.
Como eu disse, meu sentimento com relação a este tema é muito ambíguo. Como ‘esposa’ odiaria de morte que uma outra mulher se permitisse gostar do meu marido. Como mulher, entendo que se apaixonar por um cara casado não é necessariamente algo que se possa simplesmente evitar. Pode acontecer com qualquer uma.
E pensando nisso, afundada em minhas reflexões, pensei: “peraí, e a responsabilidade DELES?? Se ‘quando um não quer, dois não beijam’, a mulher solteira que fica com o homem casado, fica porque ELE também QUIS.” Afinal de contas, se as duas mulheres envolvidas nessa história não se conhecem direito, ou não têm intimidade (ficar com homem de amiga merece todo um texto à parte!), é o MARIDO que deve satisfação à ESPOSA. E é ELE também que deve lidar com o fato de uma outra mulher gostar dele. Se ele não vai largar a esposa, porra, não dá corda!!! A ‘amante’ vai sofrer, mas, pelo menos, vai se libertar da tentação constante!
É claro que, esperar esse nível de maturidade e responsabilidade de um homem - criado para espalhar seu DNA na maior quantidade de mulheres possível - é mais inútil do que esperar honestidade de um desembargador amigo de dono de bingo. Ainda assim, quero terminar este texto dizendo duas coisas: primeiro, que as mulheres podem até brigar entre si, declarar guerra entre casadas e solteiras, se xingarem infinitamente, mas o HOMEM CASADO tem tanta, ou mais, responsabilidade pelos seus atos quanto a amante. Segundo, na falta de regras sociais rígidas o suficiente para guiarem nossas ações, acho que, no fim das contas, certa é a atitude que te deixa dormir tranqüila.
PS: Subentenda-se que o homem 'casado' é todo aquele que for seriamente comprometido, ouquei?

abril 14, 2007

INSEGURANÇA: O VERDADEIRO AFRODISÍACO?

O que as mulheres e os homens casadoiros mais falam é que queriam encontrar alguém que não faça joguinhos de sedução, alguém que entre de cabeça numa relação estável, segura, íntima e confortável, alguém que não lhes dê aquele frio na barriga o tempo todo. Eu acredito que muitas pessoas já se encontraram nesse tipo relação...e terminaram-na um tempo depois.

É, crianças, a realidade é triste, mas minhas pesquisas não mentem jamais: INSEGURANÇA É UMA MOTIVAÇÃO NO RELACIONAMENTO. Pasmem. Estão chocados como eu? Alguém?

Eu não sei se o que me chocou mais foi a afirmação em si ou o fato de a maioria dos meus entrevistados ter assumido com tanta naturalidade e sinceridade que, sim, valorizam mais alguém que temem perder.

De fato, não é nenhuma novidade ver alguém valorizar o(a) antigo(a) namorado(a) tempos depois do término. Também não é raro sentirmos aquele toque de possessão quando somos ameaçados de perder algo ou alguém. Já vi meninas cogitarem terminar seus namoros até verem outra paquerando ou dando em cima do namorado. O medo da concorrência é, de fato, um grande afrodisíaco.

Mas, me digam uma coisa, meu povo e minha pova: se nós somos condicionados a acreditar que o amor verdadeiro é aquele que beira o nível da estabilidade absoluta, como podemos nos condicionar, ao mesmo tempo, a valorizar apenas aquilo ou aquele(a) que tememos perder?

É terrível, mas até eu estou psicologicamente preparada – depois de quase um mês me negando aceitar que pertenço a essa catiguria – para assumir que, sim, o medo de perder já me motivou a me esforçar num relacionamento.

E aí? E as relações como ficam? Um jantar romântico agora é composto por ostras frescas, champagne, morangos e uma dose cavalar de insegurança? Será esta atitude pura falta de maturidade ou será que isso é simplesmente um fato da natureza: queremos mais aquilo que alguém ameaça roubar?

Minha resposta mágica: faço-a-menor. Não acho que estabilidade e intimidade exageradas sejam um sinal de amor verdadeiro ou mesmo saudáveis para o relacionamento. Realmente, um pouquinho de mistério ou mesmo de privacidade ajuda a manter o tesão e a paixão. Me falaram uma vez que o cúmulo da intimidade amorosa é o cara ver sua mina dando aquela olhadinha no papel higiênico depois de se limpar. Eu corto os pulsos com uma faquinha de plástico antes de fazer cocô na frente do meu marido. E se ele me pegasse no ato por acidente, daria um jeito de dar descarga em mim junto com a bosta ou teria que matá-lo sob a alegação de ser uma testemunha perigosa (sempre uma opção).

Por outro lado, nos acostumarmos com um relacionamento que vive, necessariamente, de altos e baixos constantes e radicais é pedir para ter uma úlcera. Depois de um tempo a pessoa vai falar “meu médico recomendou que eu corte cigarros, gordura e meu namorado”. Imagina estar com alguém que NUNCA assume a relação por completo? Alguém que NUNCA te faz sentir que você é realmente amada(o) e que, até onde é possível, a relação de vocês é segura? Putz grila, haja noites mal dormidas vigiando para ver se meu marido tá tentando fugir pela varanda ou se ele vai me chifrar no minuto que virar a esquina!

Assim, a lição de hoje, crianças, é: procure achar um equilíbrio na sua relação. Mantenha sua individualidade e privacidade, mas não tenha medo de se entregar. E, pela Mãe do Guarda, nada de ficar olhando o outro cagar no banheiro para provar que se amam! Écuti!!

março 21, 2007

RELACIONAMENTOS ABERTOS: NOSSO FUTURO OU LENDA URBANA?

Em meio a uma oferta infindável de parceiros, categorias e mais categorias de relacionamento, infidelidade consentida, sexo casual e liberdade feminina, faz até algum sentido que alguns casais queiram manter suas opções “em aberto”. São cada vez mais comuns os casos de namoros do estilo eu-te-amo-mas-quero-trepar-com-outros-pode-ser? na nossa sociedade.

Eu, que sempre me sinto em contradição com relação aos meus próprios princípios, alternando sempre entre impulsos libertários e impulsos conservadores, ainda fico bastante descrente com a idéia do relacionamento aberto. Mesmo nos anos 60 e 70, no auge da promoção da liberdade sexual, o relacionamento aberto servia ao propósito de liberar UMA das partes para transar por aí. Eu digo uma das partes, porque mesmo naquela época havia casos e mais casos de mulheres apaixonadas que permitiam que o namorado comesse outras, regado de LSD, basicamente por medo de perdê-lo.

Enquanto todo mundo imagina uma hippie gostosa, loira, magra, nua, tomando banho de lama em Woodstock e dando para todos os amigos do marido, havia, na vida real, um monte de hippies baixinhas, gordinhas, ideológicas e com auto-estima abalada, assistindo, de camarote, o marido rodar todas as amigas dela. Pra mim, isso é muito trágico.

Mesmo hoje em dia, os poucos casos de namoro ou casamento aberto que conheci pessoalmente só me mostraram que um dos dois sempre se dá mal, ou se você preferir, apenas um dos dois acaba se dando muito bem. A história mais recente que ouvi foi a respeito de um casal que entrou no esquema da ‘abertura amorosa’ por proposta (pausa) do cara. Acontece agora que (pausa) o cara, vendo sua mina se envolver, não apenas sexualmente, mas também emocionalmente, com outros, está querendo reverter a situação e voltar ao velho esquema do eu-amo-você-você-me-ama-vamos-transar-exclusivamente.

Este exemplo não só corrobora o que eu disse a respeito de uma das partes da relação acabar tendo mais sexo do que a outra, mas também levanta uma questão muito importante a ser levada em consideração num relacionamento aberto: grande parte das mulheres nem sempre querem apenas uma trepadinha com um estranho, o que pode funcionar mais facilmente para um homem, que é capaz de amar uma mulher e sentir tesão por outra. E daí? Você me pergunta. E daí, nêga, que se a mina que tem um namorado por quem é, supostamente, apaixonada, resolveu ir pra cama com outro, é porque algum sentimento se desenvolveu aí, desde o primeiro papo, passando pelo encantamento, chegando até o TESÃO. E para o homem, deve ser difícil lidar com o fato de que sua mulher não apenas dormiu com outro, mas riu, curtiu, gozou, repetiu e adorou.

Além desse aspecto, como fica o propósito de um namoro? Sério. Se alguém não quer ter que escolher com quem ir pra cama, se alguém tem o sonho de poder dormir com toda e qualquer pessoa que quiser, porque não fica logo solteiro(a)? ‘Alguém pode querer dormir com vários(as), mas amar uma única pessoa’, você pode dizer. Mas aí, eu digo seguinte: o ato de coragem num relacionamento não é exatamente fazer uma escolha e lutar por ela? O que é um casamento senão um ato voluntário de escolha? “Eu te amo, eu não tenho certeza se vamos conseguir nos amar e viver juntos a vida inteira, mas eu ESCOLHO tentar”. Não é isso? Será que não estamos agindo como crianças tentando ter tudo ao mesmo tempo? Do mesmo jeito que falávamos “quero de Natal uma Barbie, a casa da Barbie, o carro da Barbie, o He-man, o castelo de Greyscoll, o Gato Guerreiro, uma caixa de playmobil e uma bicicleta e um estilingue”, estamos, agora, falando “eu quero você, ela, aquela, a loira, a morena, a ruiva, ele, o amigo dele, o primo dele, o cabeludo, o conhecido dele e aquele ”?

Bom, podem dizer que eu estou errada, que não sei de nada. Podem me chamar até de conservadora. E há sempre a possibilidade de eu pagar pela minha própria língua (ou mãos?). Mas, para mim, de verdade, quem ama, ainda não quer dividir...

fevereiro 25, 2007

ESTAMOS NAMORANDO NÓS MESMOS?

Esse texto tinha um outro tema. Eu queria escrever sobre os padrões amorosos que nós temos. Ou seja, se temos ou não temos um “tipo de namorado(a)” que sempre procuramos. Cheguei a encontrar pessoas que admitiram sem pudor que, sim, procuram características específicas em pessoas diferentes. Um até admitiu que namora mulheres idênticas. Quando eu disse "só muda o cabelo", ele ainda completou: "às vezes, até o cabelo é igual". Uns, procuram pessoas com um nível básico de equilíbrio e maturidade, outros confessaram que, ao contrário, adoram mulheres perturbadas. As mulheres relutaram mais em assumir um tipo. A maioria disse que não tem um padrão. Loiros(as) ou morenos(as), altos(as) ou baixos(as), engraçados(as) ou sérios(as), ricos(as) ou pobres: por mais que tentemos negar, acabamos procurando – de forma mais ou menos radical – por certas características. Normal. Afinal, atração também tem a ver com afinidades, e esses “tipos” acabam sendo apenas um resumo das coisas de gostamos ou queremos em outros.

O problema foi que, tentando entrar mais fundo na questão, me deparei com uma perspectiva assustadora. E se, independentemente da outra pessoa na relação, nós somos os responsáveis pela repetição de nossos padrões amorosos?

Eu me explico. Analisando minhas poucas relações duradouras, percebi que meus ex não tinham necessariamente muita coisa em comum. Mas eu agi com cada um deles da mesmíssima forma. Mesmo com personalidades diferentes, dei um jeito de virar mãe de cada um deles. Mandona, controladora e, modéstia à parte, competente e prática que sou, ambos os ex – de idades e perfis ab.so.lu.ta.men.te diferentes – foram um prato cheio para meu espírito materno exagerado.

Em ambas as relações eu agüentei de tudo. Provei meu amor mais até do que devia, como se fosse incondicional, deixei que os limites se quebrassem, tomei conta, ‘criei’, os transformei em pessoas mais maduras, esperei que reconhecessem meu ‘trabalho’ e se tornassem a pessoa que eu queria que fossem e, como isso não aconteceu, cansei e terminei. Perceber essa atitude – tão constante e, ao mesmo tempo, involuntária – nas minhas relações, e como elas se repetiram, me deixou arrasada. Ah, qualé?! Logo eu, tão analítica e equilibrada, vou criar um padrão bizarro desses?

E foi assim que eu vi, pela primeira vez, que talvez não tenhamos um tipo, mas, sim, sejamos um. Afinal de contas, somos donos de 50% de cada namoro e, dessa forma, somos, em 50%, responsáveis pela repetição interminável de fracassos amorosos!

Tudo bem. O pessimismo tomou conta da minha pessoa. Nem tudo é tão programado. É possível perceber um padrão e quebrá-lo (não é?). Aprendemos com cada relação. Mas eu pergunto: ao quebrarmos um padrão, não estamos apenas abrindo caminho para um novo? Passamos do “eu sempre faço isso” para o “eu me proíbo de fazer sempre isso”.

Acabamos, como quase sempre, e como qualquer pessoa que tenha passado por várias relações sérias ou que tenha uma idade um pouco mais madura, tentando criar um guia de atitudes, “As regras de acordo comigo”, na esperança de facilitarmos as relações, as escolhas, os términos. Mesmo sabendo, lá no fundo, que o que dói, dói. Independentemente da nossa atitude programada.

janeiro 28, 2007

TRAIÇÃO

Quando eu acho que finalmente vou encontrar um ponto de discussão com o qual homens e mulheres concordam ou com relação ao qual agem de forma igual, vêm minhas pesquisas de campo e acabam com minhas esperanças.

Venhamos e convenhamos, TRAIÇÃO é algo que afeta fortemente tanto homens quanto mulheres. Qualquer pessoa com um DNA 99% humano, teme ser traído. Qualquer pessoa que já gostou de verdade de outra pessoa, teme ser traído. Mas o peguinha é: O QUE É SER TRAÍDO?

Sondando minhas fontes de conhecimento emocional – entenda-se, meus amigos e amigas, preferivelmente, bêbados – questionei se traição era o mesmo que chifre. A resposta foi unânime para ambos os gêneros: não. Afinal, traição pode ser uma mentira, uma omissão, uma furada de olho, uma puxada de tapete. Pode vir de família, de amigos, de colegas de trabalho ou também de namorado(a), de ficante, de fuck buddy e várias outras categorias “amorosas”.

O chifre já é algo específico por apresentar uma conotação sexual. Muitas vezes, exclusivamente sexual. É um beijo, uma ficada, uma transa com alguém de fora do seu relacionamento.

Até aí, tudo bem. São conceitos que, aparentemente, todos entendem como diferentes. Mas o lance é, para as mulheres, o chifre, apesar de assustador, pode ou não possuir um aspecto mais assustador ainda: o do envolvimento psicológico. Um beijo de uma outra mulher no seu namorado é capaz de enlouquecer qualquer uma. Eu que o diga, visto que cogitei quebrar as pernas da vagaba que tentou tirar uma lasquinha do meu dito cujo uma vez. MAS o beijo em si não é pior do que, por exemplo, um beijo apaixonado.

O lance é, para a mulher, imaginar que o namorado levou um tempo se envolvendo, ou até se apaixonando por outra, aprendendo a admirá-la, a desejá-la, a achá-la mais bonita que você, é muito pior do que a idéia de um beijo bêbado sem noção, nem intenção. Saber que seu namorado conta para outra mulher coisas íntimas que não conta pra você é, simplesmente, hor.rí.vel. Uma facada no pulmão.

Deu pra sacar de qualé da parada? Não é o beijo ou o sexo com outra. Aliás, às vezes, não precisa nem rolar o beijo ou o sexo. É aquele envolvimento emocional que constitui a pior parte do chifre. É o que eu acredito ser a parte da traição de fato. Para mulher, traição é o envolvimento.

Para eles, porém, a questão sexual é muito mais importante. Quem nunca viu um amigo traído, ou o próprio namorado depois que o chifrou, ficar obsessivo a respeito dos detalhes sexuais da traição? Eles ficam muito mais preocupados em saber se o beijo do outro cara foi melhor ou, ainda mais agravante, se a mulher gozou mais com o outro, se o pau do outro é maior, se o outro tem mais técnicas sexuais. A obsessão deles é mais focada no sexo em si. Traição, para os homens, é o sexo.

Assim, mais uma vez, ficam as duas catigurias sem se entender. Eles temem mais o envolvimento físico, nóis tememos mais o envolvimento emocional...cri.....cri.....cri* e aí, alguém pode me dizer porque diabos a gente ainda tenta??

*são grilinhos, óquei, pípou?

janeiro 15, 2007

COMO ELES LIDAM COM O FIM

Uma colega blogueira sugeriu há um tempo que eu falasse sobre como os homens reagem ao fim de um namoro. De acordo com ela, eles têm essa mania de fingir que está tudo bem, mesmo que arruinados por dentro. Eu confesso que, de primeira, eu discordei. Afinal, já vi amigos e inclusive exes reagirem de forma bem diferente, incluindo falar verdadeiramente sobre o que sentiam e até chorar. Afinal, homem também é cerumano, né?

Qual foi o meu choque quando, “pesquisando” com meu dito cujo e seu melhor amigo, descobri que os homens, ou melhor, vários homens, de fato, se proíbem de demonstrar sofrimento para os amigos e para a ex.

Relutante em aceitar que os homens não se permitem sofrer durante o fim, aproveitei a chance de pesquisar enquanto bebíamos cerveja (que é a hora em que todo mundo fica mais sincero). Joguei a conversa para esse amigo, perguntando por que, tantas vezes, os homens pareciam não se importar com o término, mesmo gostando da garota. Ele me olhou com aquela cara de “como assim” e eu expliquei: “é, você sabe. Quando nós passamos por um término ficamos mal por um mês, chamamos as amigas para tomar sorvete, choramos juntas, essas coisas, sabe?”. Ele, muito calmo: “a gente até fica mal, mas não precisa virar bicha. Se você e o dito cujo terminassem e ele me ligasse pra gente tomar um sorvete, eu ia mandar ele à merda”. E continuou: “os homens procuram os amigos, mas de um jeito diferente. Dificilmente nós vamos conversar sobre o término. Principalmente sem ter certeza de que podemos voltar.”

Eu (ainda embasbacada): “mas vocês não podem nem falar que estão tristes, que ainda gostam da garota e tal?”. Ele (pasmem!): “falar pra quê?”. Fiquei chocada. Do meu dito cujo, eu já esperava isso. Ele é daqueles toscos que não gostam de demonstrar fraqueza. Mas agora eu estava ouvindo esse discurso de um cara que considero super sensível e de extremo bom senso!

De acordo com os dois, os homens nem sequer precisam falar algo de concreto. Eles se especializaram em ler sinais. Se o cara aparece, do nada, chamando o amigo pra beber no meio da tarde de uma terça-feira, por exemplo, o outro saca na hora que tem algo de errado. Meu próprio namorido disse que, quando terminamos por causa de uma briga feia no ano passado, ele não disse uma palavra sobre a briga ou sobre o término para o amigo que o hospedou. Para os dois, o fato de ele aparecer na casa do amigo dizendo ‘vou dormir aqui’ foi mais do que suficiente para se compreender que ele estava fora de casa.

Conseguiram sacar de qualé a do eshquema? Eles podem sair para encher a cara de cerveja, mas não de sorvete. Eles podem até estar mal, mas não demonstram. Eles podem contar aos amigos, mas só em código. A idéia de “desabafar” com amigos é coisa de boiola e ponto final. E ai do amigo que tentar burlar essas “regras” e comprar um chocolate quando o namoro terminar, porque eles vão rir disso durante uns seis meses.

Posso até admitir que, no início, fiquei com uma invejinha. Fiquei lembrando da fase do moleton-e-brigadeiro-na-frente-da-tv a cada término e me perguntei por que não podemos ser um pouco mais frias e racionais como eles. Mas aí, pensei: abrir mão da melhor desculpa que temos para passar dias inteiros conversando com as amigas, para nos entupirmos de doces com o aval do resto do mundo, para chorarmos tudo o que quisermos até nos sentirmos 3kg mais magras?? Até parece! Que venham os términos! E eles que fiquem com seus códigos!:)

PS: eu tenho plena consciência de que nem todos os homens são assim e, graças a Alá, vários heteros, confiantes e conscientes já se permitem desabafar com amigos, chorar na frente dos outros e pedir pra voltar sem grandes traumas psicológicos. Isso foi só uma ilustração, como a maioria dos meus textos, generalizada e até caricata, de um aspecto do universo de alguns homens.