outubro 17, 2006

Amigas, amigas, namorados à parte

Relacionamentos amorosos só podem ter sido criados por alguém da Microsoft ou por um mecânico de automóveis. Não existe uma etapa em todo o processo de formação do namoro que seja verdadeiramente descomplicada e fácil. Primeiro, é necessário paquerar, ou seja, bater o olho e analisar se vale a pena. Isso sem contar que, muitas e muitas vezes, precisamos da atitude positiva deles para botar a paquera pra frente. Depois, conhecer aos poucos. Aí, gostar do que conheceu. Então, só depois disso, ficamos esperando para ver se ele está disposto a namorar. E mesmo que consigamos passar por tudo isso com certa tranqüilidade, chega aquele momento. Pior do que apresentar para os pais, pior do que apresentar para os irmãos, é – tchan, tchan, tchan, tchaaaaaan – apresentar. para. as. amigas.

Toda mulher sabe, ou deveria saber, que um grupo feminino de apoio é absolutamente essencial na vida. Elas são as únicas mulheres que vão ser totalmente sinceras com você e falar que você deveria trocar de vestido. Elas é que falam as melhores coisas a seu respeito para o resto do mundo; elas entendem quando brigamos com a mãe, quando temos TPM, quando falamos que estamos gordas. São elas que atendem o telefone quando você acabou de brigar com o dito cujo de madrugada e, principalmente, são elas que levam o pote de sorvete e o chocolate – ou, no meu caso, o vinho – quando você avisa que o namoro foi por água abaixo.

Nossas amigas são as irmãs que ganhamos da vida. E irmãs são parte da família. E toda família adora dizer o que é melhor pra você.

Até aí, tudo bem, porque julgar, todo mundo julga. O tempo todo, aliás, por mais que não admita. Julgamos roupas, gosto musical, senso de humor, caráter, tudo. Quando esse julgamento é favorável para o seu dito cujo, não há nada melhor. Sair com o namorado e as amigas e ver que todos conversaram e, principalmente, riram à beça, é como receber o carimbo de aprovação no boletim. Mas o que acontece quando o boletim vem abaixo da média? O que fazer quando uma amiga sua não vai com a cara dele?

Acho que poucas situações são tão chatas e trabalhosas quanto esta. Fica aquele clima ruim de uma amiga não querer mais sair com você quando ele vai e, se ele descobre, fica magoado e acaba falando mal dela, enfim, sua vida vira um dramalhão.

Se o motivo da discórdia tem a ver com o fato dele te tratar mal ou, sei lá, fazer muito joguinho e te deixar sempre desesperada, vale a pena ouvir a bronquinha “você merece alguém melhor”. Mas e se a discórdia é simplesmente de personalidade? A amiga gosta disso, ele odeia. Ele adora tal banda, ela despreza. Ela é Lula, ele é Alckmin. Ele faz piada suja, ela é conservadora. Ela tem opiniões fortes, ele também. Aí, minha filha, é sentar no meio-fio e chorar. Brincadeira. Claro que ninguém vai ser derrotista assim.

Bom, na minha humilíssima opinião, sempre vale a pena ouvir o que as amigas têm pra dizer. Querendo ou não, elas te conhecem e quem está de fora, muitas vezes, tem uma perspectiva um pouquinho mais realista. Assim, se a crítica for lógica, não muito emotiva e naquele tom de ajuda, de “queria-muito-gostar-dele-e-não-rola-mas-vamos-dar-um-jeito”, beleza. Ela estará respeitando o seu namoro e ainda vai te dar abertura para poder se organizar e encontrar com ela quando ele não estiver por perto.

Se a amiga parte para um ataque descontrolado e pessoal, aí, é foda, porque ela está te forçando a escolher entre duas pessoas importantes. E fazer alguém escolher entre um namoro e uma amizade é simplesmente cruel. Nesse caso, é bom conversar com ela e explicar que, por mais que ele não tenha uma personalidade do estilo dela, ainda é o seu namorado, que você ama e, principalmente, que te faz feliz. Sim, muitas vezes, a gente sabe de coisas boas dentro do namoro, que os outros nem sempre vêem de fora.

A chave é ser flexível. Se todos envolvidos na história forem também, melhor ainda. Agora, se todas as suas amigas odiarem o seu namorado – e, é claro, você não tiver um problema mental de estar com o Fernandinho Beira-Mar e não perceber – aí, querida, pode começar a organizar muito bem sua agenda, porque o jeito vai ser ele na segunda, elas na terça, ele na quarta, elas na quinta...


2 comentários:

renata! disse...

a sim.

minha melhor amiga é melhor amiga do meu namorado.
e a outra amiga o odeia.(sem nenhum motivo)
então eu escuto só o lado que me agrada,logo,as opiniões de quem gosta dele,e nem por isso é cega.

renata! disse...

de novo.
que tal escrever algo sobre como sobreviver ao fim do namoro?
to precisando urgente.
:~