outubro 31, 2006

AQUILO QUE NÃO DIZEMOS

Quando somos crianças somos ensinados que mentir é sempre ruim e dizer a verdade é sempre bom. Ponto final. Em inúmeros casos, isso está absolutamente certo. Princípios de honestidade e sinceridade, por exemplo, têm como base essa exata idéia.

O problema é que nem todas as situações pelas quais passamos na vida são tão “preto-e-branco”. Relacionamentos são complicados, sejam com nossos pais, amigos ou ditos cujos, pois cada um tem uma personalidade e cada pessoa age e absorve uma verdade de forma diferente.

Para complicar um pouco mais, à medida que ficamos mais velhos, e, principalmente, à medida que vamos adquirindo uma bagagem de relacionamentos, vamos percebendo que, nem sempre, falar a verdade é apropriado ou gentil.

Quem é que nunca soltou, por exemplo, um “você tá ótima” pra uma amiga que estava um bagaço, mas estava se achando linda? Soltar um “caraleo, o que você estava pensando quando vestiu essa roupa de vocalista do Calypso?” só faria a pessoa se sentir insegura e, pior, confrontada. Nem todo mundo, especialmente as mulheres, consegue ouvir um comentário sincero desses.

Quem nunca entrou numa briga monstra por comentar com o namorado que, o “amigo” que vocês acabaram de cumprimentar é um ex-ficante? Não é necessário ter feito nada de errado, mas é um tipo de verdade que só deixa o cara, de novo, inseguro e confrontado. Omitir para os pais duas horas do horário real em que se chegou em casa, omitir 10 kilos a uma colega que te perguntou se ela está gorda, não falar o que se realmente pensa a alguém que tomou uma decisão estúpida, falar que a comida de um anfitrião estava maravilhosa quando você, na verdade, mal conseguiu mastigar a maldita, são coisas que acabamos aprendendo a fazer para lidarmos de forma mais diplomática com as pessoas do nosso convívio.

É claro que, nos relacionamentos nos quais temos bastante intimidade, fica um pouquinho mais fácil ser sincero, sem levar uma porrada de volta. Mas, ainda assim, vamos omitindo cada vez mais, para cada vez mais pessoas.

O motivo pelo qual estou falando sobre isso é porque recentemente percebi a dificuldade de duas pessoas – queridíssimas minhas – em falarem para os seus ditos cujos aquilo que, de fato, estavam sentindo. Duas pessoas maduras e equilibradas, que estavam no seu direito de falar que não estavam se sentindo bem na relação, vivendo em martírio porque, simplesmente, temiam falar a verdade.

Então, eu pergunto: por que diabos não conseguimos falar?

A que vos escreve é o primeiro exemplo: sou desbocada e faladeira, mas comecei um blog só pra poder “falar” aquilo que não tinha coragem, e, muitas vezes, oportunidade, sobre o que passava na minha cabeça a respeito do meu namoro.

E aí vem a última pegada: quem nunca sentiu que não falar doía mais do que as possíveis conseqüências daquilo que se queria dizer? Quem nunca botou tudo a perder porque teve medo de dizer “eu te amo” ou piorou a situação quando não disse “eu não te amo mais”? Quem nunca entrou numa fria e acabou atrapalhando a própria vida porque não teve a coragem de dizer “não estou segura com relação a isso”, “não quero fazer isso”, “estou me sentindo assim ou assado” ou “eu acho que mereço isso ou aquilo”? Muita gente já passou por isso.

Dessa forma, devemos resgatar um pouco dessa falta de diplomacia infantil e falar o que pensamos quando sentirmos que não falar vai nos atropelar, machucar, doer. Não precisa ser daquelas pessoas inconvenientes que fazem os comentários mais maldosos fingindo que é apenas sincero. Mas apenas se permitir dizer aquilo que se quer na hora em que acharmos ser certa. E, vai por mim, você poderá se surpreender.

outubro 24, 2006

FIM DE NAMORO


Em um texto dedicado a uma amiga muito querida, falei de como meu desejo de possuir uma frieza natural, um ar completamente blasé, refletia apenas um outro desejo: o de nunca sofrer.

Falei também de como, principalmente no que diz respeito a relacionamentos amorosos, a vontade de não se ter expectativas a respeito do outro é muito grande. Sem expectativas, não há decepção. Sem envolvimento, não há perda. Mas nós sabemos que isso é impossível. E todo mundo sabe que para se ter o bom da vida, é necessário aguentar também aquilo de ruim que vem dela, e blá, blá, blá.

O maior problema com relação ao fim de um namoro é que a gente pode até saber das coisas, mas a gente não consegue senti-las. Não conseguimos sentir que tudo passa. Não conseguimos enxergar a possibilidade de outro amor no futuro. A dor parece não ter fim. A vontade de chorar aparece em horas impróprias e inesperadas. Não há pote de sorvete no mundo que apazigúe essa dor tão intensa e subjetiva. Mas ajuda, né?

É engraçado ver como cada um procura estabelecer comportamentos-padrões para seguir após o término. Uma espécie de “regras da separação”. Já vi gente que queimou fotos, já vi gente que passou mais de um mês isolado em casa. Hoje em dia, no mundo muderno, já vi gente cometer orkuticídio, colocar letra de música depressiva no fotolog e apresentar comportamento sexual oposto do seu (se era hetero, ficou com pessoas do mesmo sexo e se era gay ficou com pessoas do sexo oposto).

É. Terminar é complicado mesmo. E para mulheres, então? Não conheço UMA que não passou o mês seguinte analisando cada detalhe da relação, se perguntando o tempo todo “será que eu tentei o suficiente?”, “será que eu exagerei?”, será que ele nunca me amou?”, “será que ele me quer de volta?”,“será que eu não devia ter terminado?”. A obsessão amorosa parece mesmo genética nas mulheres.

Eu nunca pensei em criar regrinhas para um término. Mas pensando a respeito, cheguei à seguinte conclusão:

AS REGRAS DO TÉRMINO

1. esconda as fotos dele e de vocês juntos e felizes, mas não as destrua. Depois que tudo passa e você desapaixona, é um arrependimento só. Afinal, as pessoas, quando entram na nossa vida, passam a fazer parte de toda a nossa história;

2. cerque-se de atividades e inove. Volte a ter contato com amigas que não vê há tempos e vá sempre pra lugares aonde nunca ou raramente foi. Explore sua própria cidade, como se fosse turista. Pode até paquerar na noite fingindo que é turista mesmo. Invente um sotaque, exorcize;

3. afaste-se de filmes românticos hollywoodianos. Ninguém vive feliz para sempre. Só vão te fazer mal. Aposte nos extremos: comédias hilárias para se distrair ou dramalhões absurdos, para chorar com outra justificativa que não seja o fim do namoro;

4. NADA DE BISBILHOTAR NO ORKUT FACEBOOK!

5. comece a namorar com você mesma. Se dê os presentes que você queria que ele soubesse que você queria, mas não tinha sensibilidade pra adivinhar que você queria (mulheres são complicadas mesmo, hein?). Vá ao salão, compre um vestido, passe batom carregado de gloss. Você não tem que ficar beijando ninguém mesmo. Mas nada de cortar o cabelo curtíssimo num impulso. Se ficar ruim, você vai se sentir pior;

6. se você é daquelas que realmente não consegue tirar a cabeça do término, apele: faça serviço voluntário numa creche, visite um parente falecido no cemitério, faça qualquer coisa que te mostre como um fim de namoro é, na verdade, algo pequeninho na dinâmica da vida e do mundo;
7. tente se convencer, todo dia, um pouquinho, que o fim de um namoro nada mais é do que a oportunidade de se começar outro. Se um amor foi embora, é porque há um outro ansioso para te conhecer. Olhos abertos. E se precisar, pode ficar lembrando de todos os defeitos dele. É um ótimo jeito de ver que não estamos perdendo grande coisa;

8. permita-se desabar, e, para isso, tenha sempre números emergenciais das amigas mais íntimas e disponíveis. Às vezes chorar num ombro tem mesmo efeito mais benéfico do que chorar só no próprio travesseiro. Permita-se sofrer. Quando você finge que está bem, acaba passando um ano muito mal;

9. exercite sua gratidão. Lembre-se que se apaixonar não é fácil e nem tão comum quanto pensamos. Quem amou de verdade, deve ficar muito feliz de não se descobrir incapaz de se entregar para alguém de corpo e alma. Isso é raro, é um presente;

10. espere. Se dê tempo. Ele age de forma surpreendente. Por isso, leve o tempo que precisar, contanto que não esteja se acomodando na depressão. É o clichê do século, mas é verdade: o tempo cura todas as feridas. E lembre-se sempre “tudo passa, até uva passa”.

Nota adicional do blog: Pessoal, como se vê por aqui, a dor do término é avassaladora para todos. Sabemos que vamos sobreviver, mas, ainda assim, esperar o tempo de curar é difícil. Mas queria registrar aqui uma observação. Um relacionamento de merda, que nos transforma em capachos, lixo emocional do(a) outro(a), é pior. Vamos buscar consolo no fato de que, no término, ainda temos, sim, dignidade. Isso faz muita diferença. Permanecer num relacionamento que nos priva de amor, consideração, fidelidade e lealdade é o que verdadeiramente acaba com nosso espírito. Ser o 'nada' pra alguém é muito pior do que o processo de nos descobrirmos 'tudo' novamente. Quem já comentou aqui, tendo superado ou não, pode perguntar pra qualquer um que esteja preso emocionalmente numa relação recebendo muito menos do que dá ou do que merece, eles preferiam ter a força de terminar. Certeza.

outubro 17, 2006

Amigas, amigas, namorados à parte

Relacionamentos amorosos só podem ter sido criados por alguém da Microsoft ou por um mecânico de automóveis. Não existe uma etapa em todo o processo de formação do namoro que seja verdadeiramente descomplicada e fácil. Primeiro, é necessário paquerar, ou seja, bater o olho e analisar se vale a pena. Isso sem contar que, muitas e muitas vezes, precisamos da atitude positiva deles para botar a paquera pra frente. Depois, conhecer aos poucos. Aí, gostar do que conheceu. Então, só depois disso, ficamos esperando para ver se ele está disposto a namorar. E mesmo que consigamos passar por tudo isso com certa tranqüilidade, chega aquele momento. Pior do que apresentar para os pais, pior do que apresentar para os irmãos, é – tchan, tchan, tchan, tchaaaaaan – apresentar. para. as. amigas.

Toda mulher sabe, ou deveria saber, que um grupo feminino de apoio é absolutamente essencial na vida. Elas são as únicas mulheres que vão ser totalmente sinceras com você e falar que você deveria trocar de vestido. Elas é que falam as melhores coisas a seu respeito para o resto do mundo; elas entendem quando brigamos com a mãe, quando temos TPM, quando falamos que estamos gordas. São elas que atendem o telefone quando você acabou de brigar com o dito cujo de madrugada e, principalmente, são elas que levam o pote de sorvete e o chocolate – ou, no meu caso, o vinho – quando você avisa que o namoro foi por água abaixo.

Nossas amigas são as irmãs que ganhamos da vida. E irmãs são parte da família. E toda família adora dizer o que é melhor pra você.

Até aí, tudo bem, porque julgar, todo mundo julga. O tempo todo, aliás, por mais que não admita. Julgamos roupas, gosto musical, senso de humor, caráter, tudo. Quando esse julgamento é favorável para o seu dito cujo, não há nada melhor. Sair com o namorado e as amigas e ver que todos conversaram e, principalmente, riram à beça, é como receber o carimbo de aprovação no boletim. Mas o que acontece quando o boletim vem abaixo da média? O que fazer quando uma amiga sua não vai com a cara dele?

Acho que poucas situações são tão chatas e trabalhosas quanto esta. Fica aquele clima ruim de uma amiga não querer mais sair com você quando ele vai e, se ele descobre, fica magoado e acaba falando mal dela, enfim, sua vida vira um dramalhão.

Se o motivo da discórdia tem a ver com o fato dele te tratar mal ou, sei lá, fazer muito joguinho e te deixar sempre desesperada, vale a pena ouvir a bronquinha “você merece alguém melhor”. Mas e se a discórdia é simplesmente de personalidade? A amiga gosta disso, ele odeia. Ele adora tal banda, ela despreza. Ela é Lula, ele é Alckmin. Ele faz piada suja, ela é conservadora. Ela tem opiniões fortes, ele também. Aí, minha filha, é sentar no meio-fio e chorar. Brincadeira. Claro que ninguém vai ser derrotista assim.

Bom, na minha humilíssima opinião, sempre vale a pena ouvir o que as amigas têm pra dizer. Querendo ou não, elas te conhecem e quem está de fora, muitas vezes, tem uma perspectiva um pouquinho mais realista. Assim, se a crítica for lógica, não muito emotiva e naquele tom de ajuda, de “queria-muito-gostar-dele-e-não-rola-mas-vamos-dar-um-jeito”, beleza. Ela estará respeitando o seu namoro e ainda vai te dar abertura para poder se organizar e encontrar com ela quando ele não estiver por perto.

Se a amiga parte para um ataque descontrolado e pessoal, aí, é foda, porque ela está te forçando a escolher entre duas pessoas importantes. E fazer alguém escolher entre um namoro e uma amizade é simplesmente cruel. Nesse caso, é bom conversar com ela e explicar que, por mais que ele não tenha uma personalidade do estilo dela, ainda é o seu namorado, que você ama e, principalmente, que te faz feliz. Sim, muitas vezes, a gente sabe de coisas boas dentro do namoro, que os outros nem sempre vêem de fora.

A chave é ser flexível. Se todos envolvidos na história forem também, melhor ainda. Agora, se todas as suas amigas odiarem o seu namorado – e, é claro, você não tiver um problema mental de estar com o Fernandinho Beira-Mar e não perceber – aí, querida, pode começar a organizar muito bem sua agenda, porque o jeito vai ser ele na segunda, elas na terça, ele na quarta, elas na quinta...


outubro 11, 2006

COMEÇO DE NAMORO

Nada barra um começo de namoro. Por todo esse processo, desde aquela paquera inicial, passando pelo encantamento da primeira convivência, até o primeiro mês de namoro, é que vale a pena quebrar a cara e até sofrer com os finais tristes dos relacionamentos.

Pra mim, sinceramente, poucas coisas na vida são tão boas e valem tanto a pena quanto aquela acelerada no coração, quando se bate o olho em alguém e, mesmo sem nem conhecer a pessoa direito, sente-se algo de diferente.

Aquelas olhadas prolongadas, aquelas esbarradas de mão, falar no ouvido em um lugar que nem é barulhento, falar do próprio gosto, se animar com as afinidades, tudo isso é gostoso de.mais.

E as mentiras??? Ai, que delícia! Todo mundo é a melhor versão de si mesmo. Ninguém é ciumento, todo mundo gosta das mesmas coisas, mesmo que não gostem. Todo mundo é tolerante, paciente, atencioso e educado. Os homens só usam cuecas limpas e adoram as sogras, as mulheres tem cabelo naturalmente liso e adoram as sogras, e todo o visual de cada encontro é casualmente sincronizado. É como se ninguém passasse horas se produzindo para ver o outro. E o melhor de tudo é que isso nem interessa, porque quando bate a paixão, a gente só vê beleza no outro, e o tesão é incontrolável. Cada beijo é interminavelmente bom, cada toque é mais poderoso do que o outro, qualquer pegada de mão, agarrada na cintura, enfim, qualquer toque de paixão é bom de.mais.

Quem não sentiu saudade de alguém depois de 5 minutos separados, quem nunca teve aquele descontrole de tesão e paixão até mesmo em lugares públicos (não tô dizendo que é necessário botar o tesão em prática em lugares públicos), quem nunca categorizou os beijos (beijo gelado, beijo de chocolate, beijo disso e daquilo), quem nunca ficou feliz por simplesmente dormir abraçado a primeira vez, não sabe o que está perdendo. Isso é o melhor da vida.

É uma pena que não há paixão que segure a força do convívio e do excesso de intimidade. É até possível fazer durar mais a paixão num namoro, porque esse convívio pode ser mais controlado. Quando se mora junto, normalmente, não tem jeito. Mas aí, o legal é olhar para a pessoa e lembrar que ela, querendo ou não, é a mesma pessoa que te encantou, que te deu bilhetinhos, que fingiu que gostava da mesma banda. É a mesma pessoa pra quem você disse que não era ciumenta, pra quem você queria estar sempre linda. Você vê que, mesmo depois das brigas, da falta de grana, do excesso de convívio, das dores de barriga, da sogra, dos choros, das intimidades forçadas e até do desencanto que rola depois de certo tempo, aquela ainda é a pessoa que te faz rir, que faz um jantar de surpresa, que sabe que você ama Sex and the city, que sabe que você ama escrever, e você sabe que aquela é a pessoa que ama cozinhar e é a pessoa que ainda está disposta a acordar todos os dias do seu lado, infinitamente, enquanto durar, mesmo não gostando de Beatles e mesmo sabendo que sou ciumenta, sim.

outubro 09, 2006

AS AMIGUINHAS DELE

Que diabos acontece com nós mulheres quando entramos numa relação? Parece que não importa o quão equilibradas, centradas, seguras e inteligentes sejamos, acabamos adquirindo hábitos intolerantes e um territorialismo excessivo. O pior é que, às vezes, com razão.

Por exemplo, talvez, muito talvez, se eu fosse solteira, poderia até participar da comunidade “sou gente boa, não estou te dando mole” no Orkut. MAS, como já vi várias amiguinhas do meu dito cujo, que são pra lá de gente boa, abraçando ele, deixando recadinhos ambíguos, monopolizando a atenção, etc, preferi entrar na comunidade “simpática é o caralho, você é uma vadia”.

E me pergunto: por quê? Se eu não tenho uma real certeza de que uma guriazinha qualquer, de fato, gostaria de ficar com meu dito cujo, por que tenho que odiá-la simplesmente por ser solteira e conhecida dele? Simples: porque ela pode tentar ficar com ele.

É triste, na verdade. É insegurança, na verdade. É possessividade, na verdade. Mas é o que acontece, na verdade. E não vou mudar, na verdade. Foda-se, na verdade, porque já vi mulheres que, por tanto confiarem nas amiguinhas solteiras do namorado, tomaram um par de chifres daqueles. E nessa hora, o que mais dói, é ver que não ser ciumenta, nem possessiva, nem intolerante, não valeu nem um pingo de gratidão por parte dele! E a segunda coisa que mais dói, é ver que as mulheres gostam mesmo é de homem comprometido. Acho que funciona como um selo do Inmetro, sabe? “Se ela está com ele, algo de bom ele deve ter”.

Não estou querendo defender uma guerra contras as amigas dele, pois isso é ridículo. E também não acho que uma mulher seja biscate por ser solteira e, muito menos, que por namorar, uma mulher seja fiel. Sei que não dá pra generalizar. Mas é uma sensação física, sabe? Não com todas as amigas. Não somente com as solteiras. Mas dá pra ver uma nuance diferente em certas mulheres. Uma nuance que faz meu sangue ferver e me dá vontade de gritar: “morde o meio-fio, mother-fucker!!”. É um “ooooii, como você tááááá, gatinho (ou qualquer outra variação de um apelido íntimo demaaais da conta)?”. Esse "oi" desmilingüido e dissimulado, que eu simplesmente não engulo.

Eu já fui solteira durante milhões de anos, e mesmo namorando, ainda tenho amigos homens, e eu tenho plena certeza de que é possível ser simpática e até carinhosa sem me esfregar em ninguém. E mais: acho essencial, quando na presença da namorada do cara, incluí-la completamente na conversa, mesmo que seja difícil, por não se conhecerem muito bem. É só isso que eu, como namorada, espero de amigas dele! E, afinal, o que é que custa olhar na minha cara e me falar um “oi” também?

Assim, fico no eterno conflito entre querer ser mais segura e paciente, e achar que tenho mesmo que defender meu território, porque tem muita vadia por aí e acabou. Sei que, mesmo morando juntos, não posso ter certeza do que ele faz durante 24 horas por dia, e nem quero! Na maior parte do tempo, deve-se confiar mesmo, fazer o quê? Mas, se um dia, uma dessas amiguinhas cair, de fato, pra cima dele, eu, pelo menos, vou poder dizer que não foi por falta de aviso...e que mordam o meio-fio, os dois!!