setembro 30, 2006

AS COISAS QUE APRENDEMOS

Há um bom tempo, uma das minhas grandes-recentes amigas – dessas pessoas que você conhece há relativamente pouco tempo, mas tem a impressão que conviveram juntas e se gostaram a vida inteira – me mostrou uma apresentação maravilhosa, que consistia na narração de um texto em inglês, combinada com uma música de fundo e imagens marcantes. Cada item da combinação foi impecável. Esses dias, não me lembro bem aonde, vi uma versão i-dên-ti-ca feita pelo Pedro Bial, que eu odiei. Mas o original, mostrado pela minha amiga, me tocou profundamente. Todo mundo já recebeu o tal texto por e-mail. É aquele, agora famoso, texto do protetor solar. O texto – pelo que consta da minha pesquisa – foi lido por um orador em uma formatura nos Estados Unidos, em 1997 e, no mesmo ano, a jornalista Mary Schmich, do Chicago Tribune, publicou em sua coluna a mesma lista de “ensinamentos” adquiridos na vida. Ensinamentos, acredito eu, dos mais verdadeiros e despretensiosos. O texto é tão delicioso que vale a pena colar na parede ou na geladeira para se ler, pelo menos, uma linhazinha todo dia.

Apesar de viver em crise com minha “velhice” de vinte e tantos, vamos admitir que não tenho tanta estrada assim. Mas parei para pensar, e para me dar um pouco de crédito pelas coisas que adquiri na vida, e tive uma vontade louca de botar no papel o pouco que tinha aprendido a custo de muitos erros e batidas de cabeça. Não tenho imóveis, nem dinheiro e nenhuma outra aquisição material real. Mas espero, sinceramente, que tudo pelo que passei me valha de algo. Então, sem pretensões, aqui vai a lista das coisas que aprendi:

1- Nenhum lugar chique e maravilhoso que possamos visitar sozinhos vai se comparar ao boteco da esquina com pessoas divertidas e amigas;

2- Por mais que tenhamos uma descrição do nosso tipo ideal, não podemos amar alguém, de verdade, só porque fizemos uma escolha fria e criteriosa;

3- E, por mais que nos apaixonemos pelo nosso tipo ideal, no final das contas, a pessoa ideal vai ser aquela de te dá tesão e te faz rir;

4- Saiba que, apesar de aos vinte e poucos anos poder beber e fumar sem grandes efeitos colaterais, não vai demorar muito até esses maus hábitos cobrarem seu preço;

5- Podemos aprender a não ser ingênuos, mas não é possível ter uma vida plena sem confiarmos e nos entregarmos às pessoas, pelo menos, de vez em quando;

6- Assumir riscos é necessário e bom, mas ser inconseqüente cansa, e irrita os outros;

7- Por mais que sejamos competentes e capazes de cuidar de tudo, é necessário “tocar o foda-se” de vez em quando, senão o desabamento emocional que nos espera é muito maior e mais perigoso. Por isso, lembre-se: não é possível controlar tudo;

8- As afinidades acabam à medida que as pessoas crescem e mudam, mas é importante preservar as antigas amizades, pois conhecer, confiar e criar intimidade com alguém novo vai ficando cada vez mais difícil quando ficamos mais velhos;

9- Vale a pena se dar um tempo para escolher uma faculdade. Há, assim, mais possibilidade de se escolher uma área que se gosta. E gostar do que se faz é absurdamente valioso;

10- Também vale a pena não demorar demais nas escolhas, pois a tentativa prática sempre vai ensinar muito mais do que a análise teórica, além do quê, as decisões “instintivas” podem ser mais acertadas do que decisões “coerentes e revisadas”;

11- Ler e estudar tornam as pessoas mais conscientes, mas não necessariamente melhores, mais leais, mais interessantes ou menos preconceituosas;

12- O ditado mais coerente e verdadeiro que eu já ouvi foi “melhor que dinheiro no bolso, é amigo na praça”, por isso seja bom e ajude os outros. Nunca se sabe quando você vai precisar de um favor em retribuição;

13- Ganhar dinheiro é bom e necessário, mas acumular riquezas infinitas é inútil. Não é possível usar tudo beneficamente, e ainda pode tornar seus herdeiros gananciosos e mimados;

14- Não é necessário ser trágico, mas saiba que todo mundo vai morrer, sem exceção. Tente se lembrar disso quando perder a noção de equilíbrio na vida, trabalhando demais, brigando demais com os pais, estudando demais, chorando demais, reclamando demais;

15- Por mais que façamos uma lista de nossos aprendizados, uma reação inesperada pode estar nos esperando a cada esquina!

*os links para o vídeo mencionado e para o texto, respectivamente:
http://www.youtube.com/watch?v=ol2fN0bZCso
http://www.generationterrorists.com/quotes/sunscreen.html (em inglês)
http://www.portalcab.com/videos/sunscreen.php (infos e tradução para português)

setembro 20, 2006

OS JOGOS QUE NÃO SABEMOS JOGAR

Toda mulher apaixonada já quis, uma vez ou outra, dominar a arte de fazer joguinhos mentais num relacionamento. Quem foi que nunca se esforçou ao máximo pra dar uma de “não estou nem aí para o que você fez comigo, apesar de ter sido uma sacanagem” e, na verdade, terminou a noite aos prantos esperando um pedido de desculpas e se perguntando “por que ele fez isso?”. Apesar de que quando chegamos à fase do choro o que sai é um “PORRR QUEEEEEEE, MEU DEUS? POR QUEEEEE ELE FAZ ISSO COMIIIIIIIGO? E POR QUE É QUE EU AGÜENTOOOOO?”.

Eu não consigo contar quantas vezes eu joguei limpo num relacionamento e depois me arrependi amargamente. Muito menos quantas vezes quis ser indiferente e acabei me expondo ainda mais. Mas enquanto isso acontece com a categoria das “eu preciso colocar tudo pra fora na hora em que sinto”, eu vejo outras mulheres que conseguem, numa boa, manipular sua própria raiva e desespero, para, conseqüentemente, manipularem sua cara metade. Já vi casais em que o cara nem tava fazendo nada de errado, mas a mulher conseguiu inserir uma sementinha de culpa na cabeça dele, só pra ter uma arma emocional no futuro. São mulheres que, quando contrariadas, conseguem esperar, friamente, para se vingarem de forma mais fria ainda.

Eu lembro de uma amiga me contar que o namorado dela desmarcou um programa com ela, em cima da hora, para sair com os amigos. Iam, inclusive, para uma boite. Eu, no exato segundo que ele me falasse isso, estaria gritando e chorando e perguntando “por quê?”. Mas ela, não. Aceitou “numa boa”. Soltou uma frase que só ela sabia que era cínica, do tipo, “claro, amor, é muito importante sairmos com os amigos”. E esperou até a semana seguinte, quando ele marcou um programa para os dois, e ela desmarcou em cima da hora porque ia – adivinha – sair só com a mulherada, pois “isso é importante num relacionamento”. Que inveja!

Outra amiga, certa vez, descobriu, através de suas espiãs – que, saibam, toda mulher tem espalhadas na cidade – que seu dito cujo estava numa farra louca, ao invés de dormindo em casa como havia afirmado. Ela fez o quê? Ligou para suas amigas, se arrumou com aquela roupa que grita “sou um sexo ambulante”, e foi para o mesmíssimo lugar onde o namorado estava. Chegando lá, o moleque sem fôlego, branco, quase tendo um acidente cárdio-vascular, ao ser pego no flagra, pergunta se ela está brava. Aliás, isso é bem típico de homem. Sabe que fez aquela merda, mas ainda sente necessidade de perguntar se você também considera aquilo uma merda. Minha resposta seria: “é claro, seu filho da piiiiiiiii, como você teve coragem de fazer isso comigo, seu mentiroso do ca-piiiiiiiii!”. A resposta dela: “imagina! Só estou me divertindo com as meninas!” e ignorou o cara para o resto da noite. Me pergunta quantas vezes o cara fez isso de novo?

Claro, pode ser apenas o medo de um derrame ou de um chifre vingativo, mas a verdade é que, quanto mais indiferentes conseguimos ser, parece que mais eles ficam intrigados e fiéis. Sei lá. Mas o lance é: até as mulheres que sabem jogar, sentem o desespero. Elas apenas conseguem segurá-lo para usar de outra forma mais tarde.

O problema é simples: só conseguimos ser frias, calculistas e indiferentes de verdade quando não gostamos tanto do cara. Nas vezes em que me apaixonei e me apeguei pra valer, não consegui fazer um joguinho sequer. Não sei se isso é bom ou ruim. Mas queria que os homens entendessem também que, às vezes, exageramos na reação, simplesmente porque nos importamos. E quanto menos nos importarmos, quanto menos reagirmos....bom, quanto menos amor existe.