fevereiro 09, 2006

A VELHICE E O ÁLCOOL


Esse texto vai parecer uma apologia ao alcoolismo, mas é que, a bem da verdade, as maiores características, ou pelo menos as mais visíveis, relativas ao cansaço do corpo – e não estou falando de um cansaço de alguém que tem 50, 60, nem 70 anos, e sim de um cansaço crescente que começa por volta dos vinte e tantos – são facilmente identificáveis através da reação corporal ao álcool.

Nunca vou esquecer quando comecei a beber “de verdade”: aos dezoito anos (idade considerada até mesmo tardia para se começar a beber). Não gostar de cerveja + não ter dinheiro para esbanjar = tequila. Bastava-me beber duas, no máximo, três doses para ficar “bem” a noite inteira. Chegava em casa às 5:00 e estava às 8:00 na faculdade. Mau-humorada e com sono, mas estava lá. Só sono. Pois aos dezoito, mesmo bebendo tequila, eu não sabia o que era ressaca.

Era capaz de ir a um churrasco na manhã seguinte a uma noite de farra. E ainda continuar bebendo. Além da tequila, valia vinho tinto ou branco, mas doce (arght) e pela bagatela de R$4,00 (!). Vodka, também barata, misturada com suco ou coca-cola, também tava valendo. Tudo para sentir o “barato” e sem nunca ter ressaca no dia seguinte.

Aos 21 anos de idade conheci a cerveja e, claramente forçando a barra – pois naquela época é que eu não tinha dinheiro para gastar meeeesmo – me acostumei com a bichinha até começar a gostar muito dela. É geladinha, acessível, simpática. Ainda acho que a mais simpática das bebidas alcoólicas é a cerveja. As outras, por algum motivo, parecem mais pedantes. Enfim, todo mundo bebia a tal da cerva e eu aprendi a beber também.

Um detalhe: se cerveja, sozinha, não me “satisfizesse”, passava para as outras opções!! Lembro de uma vez que fui à Pirinópolis com amigas e, numa única noite, bebemos vinho, cerveja, caipiróska, pinga com mel e....acho que era só. De novo, ressaca? Claro que não! Bastou beber uma certa quantidade de água que ficou tudo certo. Sem problemas.

Foi assim até os 24 anos, quando, numa festa, me ofereceram tequila e eu, que já não a bebia há um bom tempo, por ter me acostumado à cerveja, aceitei. Na época em que eu bebia a famosa mexicana, contentava-me com duas a três, estourando, quatro doses numa noite. Nessa fatídica noite, eu bebi sete, sim, sete doses de tequila dourada. 24 anos + excesso de tequila = desmaio num puff do bar/boite.

O dia seguinte, não foi tão tranqüilo como costumava ser. A certa quantidade de água passou a se chamar “um-litro-e-meio-de-H2O-para-sobreviver”. E a ressaquinha bateu, sim. Uma dorzinha de cabeça aqui, um enjôozinho ali, e nesse ritmo cheguei aos 25.
Vinte e cinco anos....hum....veja só: 25 anos de idade + continuar a beber muito = ressaca aumentada exponencialmente 25 vezes (tá, nem sei o que é aumentar exponencialmente e tenho quase certeza de que aquilo que aumenta exponencialmente não pode aumentar também 25 vezes, mas é só para efeito literário, falou?).

E de repente, não mais que de repente, me chegam os 26. E foi aí, foi aí que eu percebi que não conseguia mais beber o que eu bebia, sem sofrer gravíssimos efeitos colaterais. 26 anos + vodka com suco de manga = vomitar da tocha da liberdade, lá na esplanada; “cair” de dentro do carro para o asfalto, de quatro, para vomitar mais; entrar no chuveiro completamente vestida e pedindo pra morrer; acordar pedindo, de novo, para Deus te levar embora; implorar para sua colega te cobrir no trabalho porque você está com “intoxicação alimentar”; passar o dia tremendo como se sofresse de mal de Parkinson; não conseguir andar direito; sentir muito enjôo; ter necessidade de dois analgésicos para se livrar da dor de cabeça; e, por fim, sentir muito, mas muuuuito, arrependimento por ter exagerado e muita, mas muuuuita, tristeza por perceber que, sim, a idade chega também aos 26 e não só aos 62.

7 comentários:

Nina disse...

A tua "vingança dos 30" tá precoce, heim?!

Ana Morena disse...

mas agora nós temos a solução!
Tá de ressaca? Beba Bloody mary!
hahahahahaha
Simples assim!
e delicioso assim tb!
-;D

Anônimo disse...

http://psicopataenrustido.blogspot.com/

jones disse...

entra ai

Caligus disse...

Que isso Luiza;

estamos é ficando cada vez mais resistentes ao Alcool. Por isso as vezes abusamos demais. Acontece. Keep walking.

bjs

Vanny disse...

Para de reclamar mulher !! Vai mais é beber vodka ora !!!!!!

coisativa disse...

Q isso Lu,vamos tomar uma vodkazinha de novo na Esplanada!
Prometo q dessa vez sem banho de suco :)