setembro 01, 2005

AS MULHERES E SUAS IMPLICÂNCIAS

Devido à destruição neurológica provocada pela comemoração do meu aniversário neste fim de semana, não me recordo ao certo por quê comecei a pensar nas mulheres e seu jeito implicante. De qualquer forma, a afirmação que martelou meus ébrios ouvidos foi a de que “as mulheres implicam com os homens, porque se importam com eles.”

Na verdade, pouca gente tem noção que essa implicância advém do poder feminino de observar detalhes. As próprias mulheres têm medo deste poder em outras mulheres, pois elas sabem que são capazes de ver tudo: as estrias da modelo na revista, a etiqueta que não foi retirada do sapato novo, a marca de calcinha numa calça justa, a tarracha dourada do brinco prateado, os cravos, as espinhas, o blush mal aplicado, a unha roída, o esmalte de puta, o batom cintilante, o celular na cintura, a calça “saint-tropeito”, a axila não depilada, a raiz preta no cabelo loiro, a roupa de marca fantasma, o que se compra, o que se pede, o que se come, o que se bebe, o que fala e o que se deseja. É quase uma obsessão, NADA NOS ESCAPA!

É claro que para certas pessoas – entenda-se, homens - essa característica tão feminina tem duas nomenclaturas dependendo da situação:

1) Se a implicância for com eles, chama-se TPM;
2) Se for com outras mulheres, chama-se INVEJA.

Esta segunda nomenclatura é resultado de uma visão deveras limitada! Não condiz muito com a realidade. Afinal, a “Brit” é mesmo uma baixinha, a “Angel” tem silicone na boca, sim senhor, a revista “P.B” usa PhotoShop e a “Gi” tem um IMC (Índice de Massa Corporal) de uma somaliana desnutrida!

Tá bom, tá bom. Acho que TALVEZ essa segunda nomenclatura, que as mulheres modernas e independentes deste mundo não poderiam nem pronunciar por ser tão politicamente incorreta, tenha seu espaço nas sessões de implicância com a vida alheia. Mas que tentamos disfarçar, tentamos. Somos capazes de falar num tom de duquesa britânica que “claro que fulana é bonita, é rica e famosa, mas só estou dizendo que ela tem um gosto terrível e dá pra ver que ela é cheia de celulite!”.

Uma frase dessas está sutilmente disfarçada pela diplomacia, mas muitas vezes o que se passa em nossas cabeças é que “essa J.Lo tem jeito de garota de programa, fica tirando onda de latina, mas é de Nova Iorque, tem um corpo que me faz chorar sangue a cada vez que é esfregado na minha cara pela televisão e pode, mesmo que seja pra criar o conjunto mais brega do universo, comprar todas as marcas que provavelmente nunca poderei ter!”

Satisfeitos? Acabo de admitir que, às vezes, nossa diplomacia esconde, sim, uma invejinha. Mas ela é bem pequena. Uma invejinha inocente de nada, tá? Eu sou mais eu, mesmo. Fiquei sabendo que a Cleo Pires é comunzinha e hiper “rodada”. Acho que a inveja é um sentimento que não devemos incentivar. Você já viu a Avril Lavingne sem maquiagem? É o cão! Acho que a base de uma boa auto-estima é se contentar com aquilo que temos. E a Cameron Diaz?! Como alguém acha aquela lombriga bonita??! Dessa forma, procuro sempre evitar comentários maldosos, estimulando minha consciência a respeito deste sentimento tão prejudicial.

Agora, com relação à implicância feminina com o comportamento masculino, a dinâmica, a meu ver, toma contornos e formas completamente diferentes.

As mulheres não dão a mínima para os detalhes de um sujeito se ele não é, nem de longe, objeto de seu desejo. Se ele come de boca aberta, se dirige mal, se usa roupas feias, isso tudo será irrelevante na mesma proporção em que o rapaz é irrelevante na sua vida.

É claro que a falta de intimidade também impede comentários mais específicos. Se você não é ficante, nem amiga do rapaz, fica mais difícil avisar para ele que Miami Vice e seus ternos com ombreiras de 2 metros de largura e cores néon deveriam ficar para sempre presos na década de 80.

Só que quando já se está numa relação...ih, meu amigo, a coisa toda muda. Elas vão se meter no seu guarda-roupa, nos seus hábitos alimentares, no seu livro de etiquetas (ou na falta dele!), no seu círculo de amizades e no familiar, também. Assim: quanto mais relevante o rapaz, mais relevantes os seus detalhes. Afinal, são estes que os levam à perfeição, não é mesmo?

O único problema é que dois resultados desastrosos para este tipo de atitude têm se apresentado: o primeiro é quando a mulher começa a namorar um Shrek, o transforma num príncipe e ele a larga para ficar uma mulher “mais adequada ao seu novo “eu””.

Não há nada mais triste e revoltante do que isso. São aquelas mulheres que incentivaram o marido a arranjar um emprego, seguraram a barra até ele crescer profissionalmente, cuidaram dele, ensinaram aquilo que sabiam e “poliram” sua imagem estética com presentes de aniversário certeiros. Tudo muito lindo, muito companheiro. Só que depois de tantos anos e tanto trabalho, a mulher pode já estar cansada, gordinha, abatida pela idade, e é nessa hora que ele – entenda-se, o imbecil mal agradecido – sente necessidade de procurar alguém 20 anos mais nova, 07 tons mais loura, 250ml mais peituda.

O outro resultado desagradável é quase a situação inversa e também tenho visto bastante. Acontece quando a mulher, na sua busca pela perfeição, muda tudo no cara, suas roupas, seus amigos, seu estilo de vida, enfim, molda tanto o namorado que acaba criando um novo ser. Aí larga o bichinho na rua da amargura dizendo que ele não é mais a pessoa por quem ela se apaixonou.

Esses dois exemplos são de pessoas que perdem a chance de curtir os defeitinhos do outro. E, gente, defeitos também são legais. Muitas vezes a tacada final para você se apaixonar é um cabelo desgrenhado, um pijama engraçado, uma risada menos convencional. Enfim, algo que você descobre que é tão especial e tão único daquela pessoa.

Tudo muito complexo, não é mesmo?

Por isso, como em todos os assuntos complexos sobre os quais eu já escrevi, a chave é equilibrium. Não é necessário criticar ferrenhamente a característica feminina da implicância porque ela representa também coisas boas: um olhar apurado, capacidade de prestar atenção a detalhes, vontade de tornar as coisas mais belas e melhores.

Mas também podemos nos conter um pouco na hora de fuzilar nossas “concorrentes” e, principalmente, na hora de tentarmos anular tudo o que há de original e genuíno em nossos sapos para que eles se tornem príncipes, muitas vezes, chatos.

Se isso não for motivo suficiente para você controlar sua implicância com seu ditos cujo, lembre-se que os homens já aprenderam a respeito de manicure, depilação e escova progressiva. Para eles aprenderem a implicar com sua celulite e suas olheiras, pode ser um pulo...

Um comentário:

Anônimo disse...

Oi Luluuu, adorei esse texto...é mais um dos ótimos que vc escreve!!!
Huahauhauhauahu
De forma clara e objetiva!
passei pra deixar um bjo!!
;)
Naty Santana