agosto 17, 2005

JOGUINHOS DE SEDUÇÃO

Em um de meus devaneios a respeito do comportamento feminino, me deparei com uma constatação deveras chocante. Praticamente todas as mulheres que conheci na vida, fossem elas feias ou lindas, arrumadas ou relaxadas, econômicas ou esbanjadoras, yuppies ou hippies, já rejeitaram alguém por ter sido “disponível demais”.

Até eu, euzinha, na época de adolescente gorducha e depressiva, no aaauge da solteríce – para não dizer solidão – já mandei pastar um cara porque ele me ligava demais, e ficava no meu pé demaais, e grudava demaaais.

Mas, parando para analisar, percebi que, ao mesmo tempo, nós – mulheres – quando já dentro de um relacionamento gostamos dessa disponibilidade excessiva, dessa compreensão infinita. É estranhérrimo: depois que o namoro começa, queremos os telefonemas, o grude, a pegada no pé! Mas até lá, o cara precisa fazer um jogo, se mostrar interessado e depois indiferente, encantado e depois acostumado. Eu até li um artigo de um psicólogo que afirmou que intermitência é a qualidade que mais dá durabilidade aos relacionamentos!!!

Então, garotinhos e garotinhas, a palavra do dia é: IN-TER-MI-TÊN-CIA. Dá um pouquinho, tira um pouquinho. Aparece um pouquinho, some um pouquinho. Mima um pouquinho, gela um pouquinho. E o pior, gente, o pioor, é que as mulheres parecem adorar isso no estágio da paquera! Elas – leiam pausadamente para dar o efeito das etapas - esbarram em alguém na night (pausa), gostam da aparência física dele (pausa), trocam algumas idéias com ele (pausa), dão seus números de te-le-fo-ne (pausa), MAAAAAAS, AIIINDA ASSIIIM (pausa como se olhasse meio de lado para um público masculino atônito), “broxam” quando o cara liga logo no dia seguinte, quando eles ligam mais de uma vez ao dia, se eles demonstram interesse em namorar cedo demais, se eles acham normal conhecer seus pais depois de apenas uma semana de “rolo”, “ficada”, “pegação”.

Em um resumo bem didático: as mulheres, no estágio de sedução, querem um Dom Juan, alguém cobiçado, mulherengo até. Alguém que as faça sentir como se estivessem “arrancando” um produto valioso do mercado da paquera, a contra gosto das outras concorrentes. MAS, no minuto em que a paquera se fortalece e demonstra possibilidades de se tornar algo mais sério, elas passam a ESPERAR que aquele mesmo Dom Juan, o mesmo cobiçado, o mesmo galinha, aquele produto desejado pelas outras mulheres, se transforme MAGICAMENTE num rapaz tranqüilo, apaixonado, casadoiro, com cara de futuro papai, que queira conhecer a sogrinha, ir ao cinema todo domingo, largar o futebol de quarta com os amigos, parar de olhar para bundas na rua, enfim, pronto para amá-la e ser feliz ao seu lado para sempre.

Sacou, agora, porque é que tem tanta mulher solteira reclamando dos homens?

Eu entendo que tem homem demaaais indo para o outro lado da Força, ou seja, interessado num espadão a laser. Eu também entendo que tem homem demaaais que de tão chatos, tão burros e tão nojentos não possam ser considerados parte relevante do mercado da paquera. E, finalmente, eu entendo que o fato de a quantidade de mulheres exceder a quantidade de homens não é, nem há quilômetros de distância, um fator de motivação.

Mas eu acredito que se as mulheres dedicassem a sua atenção àqueles homens meio tímidos, meio fora do padrão estético (mas não tãão fora, é claro! Ninguém quer namorar alguém que foi a placenta e não o feto na barriga da mãe!), que andam meio escondidos por aí, elas veriam que existem homens que querem conhecer alguém de verdade, se apaixonar de verdade e namorar de verdade. Basta se abrir um pouco mais àquelas possibilidades que, com base em um critério na maioria das vezes fútil, você descartaria sem pensar uma segunda vez.

Então, mais uma vez, é isso. Não sei como cheguei a essa conclusão. Só sei que foi assim...

AH! Só para concluir, vamos lembrar que eu não estou vendendo nenhuma fórmula para namoro, viu? Não vai pegar um cara qualquer só porque ele senta no fundo da sala, não fala com ninguém e tem aparência estranha achando que ele pode ser seu futuro namorado! Às vezes o que o rapaz esconde não é seu lado casadoiro e, sim, o psicótico!

agosto 03, 2005

O assassinato dos pais

Crianças, afastem-se da jaula deste texto! Muito cuidado nessa hora, pois, para vocês, os pais ainda são criaturas infalíveis e incapazes de lhe desejarem o mal! Eles ainda não se tornaram aqueles meros adultos que, como você, fazem merda o tempo inteiro, erram pra caramba e, sim, podem não ser tão bons para os próprios filhos...


Todo mundo, independente do nível de intimidade com os pais, deve, em algum ponto da vida, cometer um homicídio. É o homicídio emocional dos nossos pais.

Sabidamente, quando alguém termina com você e a sua impressão geral do mundo é a de que nada tem cor - tudo é péssimo, horrível, você quer chorar o dia inteiro, tomar um pote de sorvete de chocolate com amêndoas da La Basque e assistir a filmes de romance por 72 horas seguidas - a melhor forma de superar essa fase horrorosa é matarmos aquela pessoa na nossa cabeça. Pensamos nos defeitos, reprisamos os momentos ruins na cabeça, falamos mal, criticamos a roupa, os modos, até termos a sensação – depois de bastante tempo, é claro – de que “Caracas, no que é que eu estava pensando quando fiquei chorando por aquilo?!”.

Com os pais, a coisa é parecida. Para virarmos verdadeiros hominhos e muiezinhas precisamos assassinar nossos pais mentalmente, para que a opinião deles sempre passe por nosso julgamento, nossa crítica, nosso crivo.

É claro que este tipo de homicídio emocional é saudável e pode ser feito, muitas vezes, com a ajuda das vítimas!! Sim!! Os pais que sabem da importância da independência emocional, como fundamento de uma vida plena e de uma auto-estima consolidada, existem! Eles estimulam os seus descendentes a construírem uma vida própria, fazendo com que seus conselhos sirvam como uma ajuda e não como obrigações a serem seguidas ou cumpridas.

Mas, infelizmente (ou felizmente?), existem milhares de categorias, classes, filos e subdivisões de pais! Os liberais, os conservadores, os religiosos, os bonzinhos, os escrotos, os fanáticos, os solitários, os agrupadores, os malandros, os de primeira viagem e os que nem sabem mais os nomes de todos os filhos, tendo em vista ser impossível decorar 79.6 nomes diferentes.

E em meio a essas categorias bio-psicodélicas, existem os pais que não querem a independência dos filhos. Não!! Eles querem, para sempre, uma muleta emocional para eles. Eles querem poder controlar alguém através da dependência financeira. Eles querem poder dar conselhos infinitamente, sem que esses conselhos sejam barrados pelo bom senso de ninguém, muito menos da CRIA deles.

É aquela mãe que só considera filho aquele não foge da trilha que ela trilhou, que não a abandona jamais por um namorado ou namorada e, muito menos, por um marido ou esposa!! “Como assim ser trocada(o) por um (a) babaca qualquer?!”, “Fui eu quem criei, amamentei, sustentei, agüentei, e agora vai deixar de fazer o que EU quero para ter uma vida própria? De jeito nenhum!!!”. Sim, senhoras e senhores, há mães assim, há pais assim.

São os pais que não têm pudor em mentir, fofocar, maltratar, prejudicar. É triste, muito triste essa possibilidade. Mas ela existe. Basta entrar no orkut, e ler os depoimentos nas comunidades “Eu odeio a minha mãe”, “Mãe boa é mãe morta”, “Minha mãe é uma escrota”, “Minha mãe é neurótica”, “Odete Roitman é minha mãe”, “Vontade de bater na minha mãe”, “Minha mãe só quer me fuder”, entre outras (com certeza existem equivalentes masculinos).

Tá bom, tenho certeza de que quem acabou de ler isso deu uma risadinha. Afinal, esses nomes esdrúxulos seriam cômicos se não fossem trágicos. Por isso, façamos uma pausa e exorcizemos o lado cômico da coisa: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!!! ODETE ROITMAN É MINHA MÃE????!!! HAHAHAHAHAHAHAHAH!!
(tentando recuperar o fôlego)
Hehe.
(recuperando mais)
Ai, ai.
(fôlego recuperado)
Ok, voltando ao assunto. Acabou a história de achar que pais são melhores simplesmente porque são pais. É saudável parar e analisar se as decisões deles para a SUA vida são realmente as mais acertadas. Vale, também, apesar desta noção ser cruel, analisar se eles realmente só querem o SEU bem ou o bem DELES.

Então, analise, e, se possível, converse. Cresça, confie nas suas decisões também, aprenda com seus erros, e receba a ajuda de seus pais quando for apropriado. Receba seus conselhos quando for conveniente.


Mas, POR FAVOR, não vai levar esse texto pro lado concreto da coisa e dar uma de Suzanne Richthofen, viu? Do jeito que a coisa anda no mundo, podem me fazer de cúmplice...