julho 04, 2005

NATURALMENTE FREUD

Não me pergunte por quê. Eu não saberia responder. Não me pergunte como. É um processo natural.
Eu acho que devem ser esses traços obsessivos e compulsivos que, supostamente, todo mundo tem um pouco. Acho apenas que meus traços passaram um pouco da conta.

Ninguém tá entendendo o que eu estou falando? Estou falando de uma característica que atormenta tanto a quem a possui quanto a quem não a possui, mas convive com ela: a mania de analisar tudo.

Meu nome é L. e, sim, eu analiso tuuuuuuudo. Comecei aos quatro anos de idade perguntando “pôquê?”. De repente, nada é aquilo que parece ser. Cada frase tem uma mensagem escondida que faço questão de decifrar. Não me venha com “não quis dizer nada com isso” porque EU SEI que você quis dizer alguma coisa específica. Mesmo que VOCÊ ainda não saiba disso.

Uma mudança no jeito de andar, de comer, de conversar, de respirar...tudo quer dizer alguma coisa. O que estou querendo dizer com isso? Nada...

Sem querer excluir nossos amados obsessivos-compulsivos do gênero masculino (conheço vários), mas as mulheres são especialistas em análise obsessiva-compulsiva. E nossos maiores exercícios são nossos re-la-cio-na-men-tos.

Eu tenho a nítida impressão de que, quando éramos crianças, foi sutilmente incluído em nossos currículos escolares a matéria “como enlouquecer seu parceiro e você mesma, fazendo perguntas que provavelmente jamais serão respondidas satisfatoriamente”. Talvez com um título deste, esta matéria não passasse tão despercebidamente, mas AINDA ASSIM, alguém deve ter nos ensinado a analisar tudo incessantemente.

Afinal, como é que mesmo as meninas mais inexperientes, sabem, de forma aparentemente instintiva, sair questionando cada atitude, andada, comentário e espirro de seu objeto de desejo? Como é que acabamos nos tornando “naturalmente freuds”?

Pode tirar deste cenário o bom e velho divã, ele foi substituído pelo bom e velho boteco. Sim, as emancipadas, modernas, independentes, beberronas e fumantes também ficam obcecadas com as mensagens subliminares que estão em todos os lugares e, principalmente, nas palavras masculinas, e elas se encontram para sessões terapêuticas obsessivas no boteco.

As vozes não param. “Analisando todos os fatos que eu apresentei, o que vocês ACHAM que ele QUIS dizer?”, “Estou sentindo que o comportamento dele mudou, ACHO que ele está estranho, deve ser uma dificuldade de se relacionar!”, “Tô ACHANDO que ele quer terminar, sempre ACHEI que ele tinha relacionamentos mal resolvidos!”, “está MAIS OU MENOS CLARO que ele tá me chifrando, pois eu tenho certeza QUASE absoluta de que ele tem um leve distúrbio de personalidade!”.

E viva o álcool, pois se as mulheres de uma mesa desta não desmaiam por conta da bebedeira, esta conversa só termina quando elas tiverem certeza de tudo. Ou seja, NUNCA.

Não pensem que estas análises são fúteis só porque se referem a homens e relacionamentos. Primeiro, porque é uma ilusão achar que este assunto não compõe uma parte enooorrrrme de nossas vidas. Segundo, porque elas são - em vários casos, pois, sim, existem as questionadoras fúteis disfarçadas - apenas um reflexo do poder de questionamento obsessivo. Questões sobre morte, vida, destino, razão, sentimento, fim do mundo, esperança, também estão incluídas no rol de perguntas intermináveis das questionadoras.

E a compulsão nessa história? Aonde fica? Fica no fato de não conseguirmos parar!! Ela está lá quando não conseguimos dar de ombros a um comentário que julgamos ser mais agressivo que o normal. Está ao seu lado quando você não consegue dormir pensando nas ramificações e conseqüências de alguma briga.

Em resumo: É FODA.

E assim, nós, obsessivas-compulsivas-analíticas, seguimos nossos caminhos rumo à resposta que nunca virá. Você não concorda? Não? Por que? Exatamente o quê na sua história de vida faz você acreditar que estou errada? Ah, você não disse que eu estou errada? Mas com certeza quase absoluta você achou que isso foi só bobagem, né? Você tem algum transtorno de personalidade? Você se dá bem com sua mãe?

7 comentários:

Anônimo disse...

Eu com certeza freqüentei a mesma escola que vc!!! Analítica de tudo, até a morte, igualzinho no texto (que, é claro, adorei!). Só queria descobrir onde fica o botão do "turn off", pra poder dormir de vez enquando...hahaha.
Beijos,
Nina

Thais Corsete disse...

Olha, nem sei se vc vai ler esse comentário,(eu, pelo menos, leria, afinal assumo que adoro saber o que as pessoas acham de mim, ainda mais pessoas que eu nem imagino que existam ou que pensem em mim hehe), mas eu vou escrever msm assim...:P

Simplesmente amei os seu textos, vc escreve muuuito bem e o melhor, com muita sinceridade!!! Me identifico muito com os seus textos :)

Bom, espero que o meu elogio te de um pouco de incentivo pelo menos pra vc continuar escrevendo! heehe


beijos,
Thais

*****LULUPETERS***** disse...

Nossa, não sei nem se vc vai ler isso, mas obrigadíssima pelo elogio. Eu escrevo realmente porque amo, mas vc está certa, sempre dá aquela vontade de saber o que os outros acham da sua escrita!!

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Thais Corsete disse...

li a sua resposta sim e fiquei toda besta pq vc respondeu! hehe
e gostou!!
:D

to aguardando mais textos!

falar do medo da rejeição seria massa, eu iria me identificar ainda mais! (homens...dizem que as mulheres são complicadas né...)

beijão!