abril 06, 2005

Aqueles dias, aquele choro

Hoje é um daqueles dias. Dias de choro, de desespero.
Se você está pensando em TPM, se enganou. Não é aquele choro bobo, sem hora. É um choro de decepção, de desilusão e de raiva também. É o choro proveniente daquelas temerosas e tenebrosas constatações súbitas e negativas.
Minha constatação: não se deve esperar NADA de NINGUÉM.
Com certeza algum sabidinho vai pensar "dããã, agora que você percebeu??". Mas a verdade é que esse tipo de programação mental - o mundo é mau, não confie em ninguém - ocorre por conta do caos no mundo, não por um sentimento genuíno. SABER que as pessoas não dão a mínima a não ser pra elas mesmas, é uma coisa. Outra coisa é SENTIR que as pessoas não dão a mínima para você. Isso dói e muito.
A coisa mais importante, valiosa e escrota que aprendi com anos de terapia é que tudo é resultado de nós mesmos. De nossas atitudes. A CULPA É NOSSA. Não adianta dizer que fulano a iludiu, cicrana a decepcionou. Tudo acontece com base nas suas expectativas, nos seus parâmetros. Isso é que o pior: Ninguém te enganou. Se você parar para pensar nas suas relações ao longo da vida, você vai perceber que quase ninguém MENTIU para você. Foi você que não ouviu. Foi você que ignorou fatos reais para se apegar a uma imagem das pessoas que é ilusória, bonitinha demais.
Claro que todo mundo faz isso naturalmente, quase sem querer. O mundo já é sombrio demais para gente deixar de colocar uma corzinha por conta própria. Mas essa corzinha pode tomar proporções homéricas e o resultado é só um: DECEPÇÃO.
Hoje me sinto decepcionada. Vai passar? Claro, tudo passa. Mas que é uma merda e que não deixa de ser verdade, é. É verdade que você tem que ter restrições com as pessoas? É. É verdade que mesmo pessoas muito próximas e íntimas podem puxar o seu tapete? É. É verdade que, por nenhum motivo aparente, as pessoas podem te tratar mal, atropelar seus sentimentos, te ignorarem, te fuderem? É. Infelizmente, é.
E o que fazer quando se constata, de verdade, quando se sente, de verdade, que se está sozinho no mundo? Adaptação é uma palavra que vem em mente. Mas adaptar-se a quê? Ao egoísmo, à maldade, à desconfiança? Não sei, não. Não quero.
Então sigo o meu caminho. Quebrando a cara? Sim. Sempre? Não. Ser bom é uma coisa, ser eternamente ingênuo, é outra. Adaptar, a gente se adapta. Não a tudo, é claro. Mas aprende-se e vive-se, e até bem.
Como eu disse, esse sentimento passa, afinal, até uva passa.

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