fevereiro 01, 2005

Os abertos, os fechados

Eu realmente não suporto mais pessoas fechadas.

Me dá a impressão de que elas pensam que nós, que queremos ouvir a respeito de seus sentimentos, preocupações, ou seja lá o quê, somos, na verdade, seres inferiores e não merecedores do compartilhamento de emoções.

Se você nota que uma pessoa querida está abalada, alterada, muito calada ou raivosa, o que você faz? Pode me chamar de louca, mas eu pergunto o que está acontecendo e como posso ajudar. Uma pessoa que vira e fala "ah, desculpe, mas não quero falar sobre isso" ou "não há nada que você possa fazer, mas obrigado", é uma coisa. Outra coisa é quando alguém passa a reproduzir todas as palavras como se fossem monossilábicas, como "não”, que é realmente uma monossílaba, eu sei, ou "nada", dissílaba que, utilizada de forma diferente, soa como "nad" (aha, monossílaba) ou, pior, "nad não", ou ainda, abandonando todas as opções de nossa gramática, solta um "nhumfnk", que os fechados acreditam ser, realmente, uma resposta satisfatória.

Já ouvi de uma dessas pessoas monossilábicas quando em crise, que isto é apenas uma forma de poupar o outro. Ou seja, os fechados não compartilham seus medos ou problemas simplesmente por não quererem sobrecarregar seus amiguinhos ou parceirinhos com um peso nos ombros que não lhes pertence.

O que eu acho disso? BULLSHIT!!!!! Será que os fechados não percebem que nós, abertos-de-bom-senso-e-não-necessariamente-escancarados, os amamos? Será que eles não percebem que quando batem aquela porta emocional em nossas caras estão nos fazendo (ou, pelo menos, a mim) sentir pequenos, não merecedores, sem credibilidade...irrelevantes! É, é assim que me sinto quando pessoas que eu amo me fecham do lado de fora de seus problemas: irrelevante.

O mais complicado é aprender a entender que os fechados nem sempre são arrogantes bastardos que nos querem fora de suas vidas. Eles, na maioria das vezes (pelo menos é no que prefiro acreditar), simplesmente não sabem como agir de forma diferente. Pode ser que tenha sido uma dificuldade gerada pelos pais, por traumas infantis ou situações constrangedoras na adolescência, mas não importa. Essa barreira, às vezes, e em certas pessoas, não é quebrada jamais. Mas acho que do mesmo jeito que há amor entre negros e brancos e índios e orientais, há amor entre os trabalhadores e os preguiçosos, os chiques e os bregas, os bonitos e os feios, os que comem sushi e os que preferem morrer a comer peixe cru, os punks- street-oy e as patricinhas e, é claro, entre os abertos e os fechados.